<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279</id><updated>2012-01-25T16:13:44.843-08:00</updated><title type='text'>ELES SABEM DEMAIS</title><subtitle type='html'>Gordon fez um sinal com a mão e disse: ‘Faça o serviço, os três sabem demais'. 

André Muhle, Maria Rita Angeiras e Rafael Moreno. Três amigos. Cada um em um canto do mundo. Aqui, todos reunidos. Crônicas novas toda semana.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>190</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6364099076822686397</id><published>2011-12-14T09:26:00.001-08:00</published><updated>2011-12-14T09:44:05.657-08:00</updated><title type='text'>O HOMEM QUE DEVOLVEU O MAR DO RECIFE PARA O MUNDO</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, minhas amigas, senhores, senhoras, jovens que estão aqui presentes neste dia tão especial. Políticos de todos os partidos, nós somos irmãos! É uma alegria estar com vocês: donas de casa, trabalhadores, gente do meu Recife! Uma imensa e verdadeira satisfação. Agradeço ao público, todos vocês, que vieram ao Marco Zero desta cidade abençoada por Deus. Pelo Deus de todas as religiões, quero deixar bem claro. Nesta praça que a cidade começou, ela hoje recomeça. Agradeço a presença de Alceu Valença, Naná Vasconcellos, Siba, China. Obrigado a Lenine, filho dileto desta terra de heróis. Aliás, estamos aqui para falar de um herói. Um homem corajoso que entra para os anáis da nossa história. Para os livros da nossa cidade - esta terra de lutas, de conquistas, de vitoriosos. Tenho o orgulho de estar ao lado desta figura tão importante. Este homem, este ser humano, esta pessoa: este recifense! Nascido e criado na zona sul desta cidade maravilhosa. Falo dele: Marcelo: Inácio: dos Santos! Palmas! Vamos aplaudir Marcelo Inácio dos Santos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo dele, meus amigos, minhas amigas, meus jovens dessa juventude que renova a nossa cidade e nos fraz crescer cada dia mais seguros, mais felizes, mais esperançosos de um dia melhor numa cidade melhor, que vai se construindo aos poucos, cada vez mais rápido, com um trabalho exemplar dos nossos funcionários públicos, com as nossas ações comunitárias, os nossos planos de crescimento que nunca terminarão. Mas eu falo deste homem, Marcelo! Este homem que está aqui ao meu lado é um herói. Um herói pernambucano tal qual Frei Caneca e Matias de Albuquerque. Um herói que com garra e coragem, colocou o Recife outra vez, no cenário turístico nacional - e Internacional!, uma salva de palmas, meus amigos, minhas donas de casa, meu povo pernambucano: uma salva de palmas para Marcelo Inácio! O homem que acabou com os ataques de tubarão: o homem que recuperou nosso turista: o homem que devolveu o mar do Recife para o mundo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas para ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho aqui, Marcelo, nas minhas mãos, a chave da cidade. Ela é sua, Marcelo. Naná Vasconcellos está aqui com mil tambores. Alceu Valença também está aqui. China, Siba. Até Lenine está aqui. Eu estou aqui! Com Marcelo Inácio! E vou contar a sua história!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou contar a sua história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este bravo homem, dono de uma barraca de cerveja e refrigente na praia de Boa Viagem, viu-se um dia com as cadeiras vazias... o isopor cheio, mas as cadeiras vazias... a praia deserta... o mar sem ninguém... E este homem, este ser humano, esta pessoa extraordinária, viu que a culpa era dos tubarões. Os tubarões, meus amigos, que colocaram nosso Recife no Discovery Channel, no Nathional Geographic, no Animal Planet. Que afungentaram os gringos. O pessoal do Sul. Que fez os banhistas migrarem para João Pessoa, Natal, Maceió. Os tubarões, que mordiam nossos surfistas, arrancavam as pernas de quem apenas queria se divertir neste mar de água cristalina, cortado por lindos arrecifes, pedras naturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele culpou o tubarão, meus amigos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou nos filhos, que não teriam comida à noite. Pensou no peso de carregar o isopor cheio até Brasília Teimosa, bairro onde reside. Bairro que, diga-se de passagem, tem apresentado grandes melhorias desde que a nossa prefeitura retirou as palafitas, reconstruiu a orla. Meus amigos, amigas, donas de casa, comerciantes. Ele pensou em tudo isso! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entrou no mar em busca de tubarões! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este bravo guerreiro, nesse dia de praia deserta, nadou até encontrar um tubarão. E então mordeu o tubarão: arrancou um pedaço da barriga do tubarão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda não era o bastante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias seguintes continuou sua busca!, sua saga! e então, meus amigos, minhas amigas, meus cidadãos!, gente de bem, ele encontrou outro tubarão! e tascou-lhe uma mordida: arrancou um pedaço da calda da tubarão!, tirou a calda daquele animal feroz! e não parou por aí!, porque uma semana depois ele mordeu a barbatana de mais um tubarão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tubarões. Que foram. Nosso terror. Agora. Temem a nossa. A nossa orla. Não se atrevem. Chegar no raso. Não. Senhores. Não. Senhoras. As suas mães, a mamães tubarão, não deixam, que seus pequenos, passem dos arrecifes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles viraram uma sardinha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temem as pranchas de surfe! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa cidade agora vive em paz com o mar. Palmas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas! Turistas lotam as nossas areias, preenchem os guarda-sóis, pedem cerveja, refrigerante, caldinho de feijão e camarão: os recepcionistas da nossa rede hoteleira finalmente aprenderam a falar inglês, ainda que com o nosso sotaque forte, arrastado, nossa identidade. O próprio Lenine, que está conosco neste dia tão especial, fala inglês e espanhol com sotaque. É a nossa identidade pernambucana! As praias estão lotadas: já estamos aprovando a construção de cinco resorts: a orla, construída na gestão do nosso partido, está mais movimentada do que nunca: ninguém reclama mais que vermelho e amarelo não combinam, que as curvas para as bicicletas são chatas: o parque Dona Lindu, meus amigos, minhas amigas, meu povo trabalhador, que trabalha de segunda à sexta, que bate ponto, que pega o metrô – que em breve terá novas linhas - o parque Dona Lindu, sim, está uma maravilha! Vemos surfistas com seus cabelos parafinados invandindo a cidade, gringos lendo seus livros estrangeiros em nossas areias, loiras recebendo assobios de nossos pedreiros em frente às milhares de construções dessa cidade que não para de crescer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem, meus amigos, recebe agora, das minhas mãos, com muito orgulho, com muita gratidão, com os olhos cheios de lágrimas, a voz embargada pela emoção, este homem, este herói, recebe aqui, das minhas mãos, que tanto trabalham por esta Veneza, recebe, sim, a chave da cidade. Palmas… Palmas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naná!, pode começar a tocar os tambores: mil tambores de maracatu! Palmas para este herói! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se iguala a Frei Caneca! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Felipe Camarão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Domingos José Martins! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mariano Carneiro da Cunha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas para este filho dileto de nossa terra! Palmas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cidadão! Palmas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ser humano! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas para este salvador, patrocinado pela Seaway e pela KeroKoko!  Palmas para os tambores de Naná Vasconcelos, China e Siba que sempre estão nos nossos eventos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas para Alceu Valença! Palmas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a chave desta cidade! Palmas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a obra de Brennand! Palmas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas palmas! Para este brilhante, incrível, formidável Mordedor de Tubarões! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso herói! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Inácio, meu Recife!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6364099076822686397?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6364099076822686397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6364099076822686397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6364099076822686397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6364099076822686397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/12/o-homem-que-devolveu-o-mar-do-recife.html' title='O HOMEM QUE DEVOLVEU O MAR DO RECIFE PARA O MUNDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4345874748650279540</id><published>2011-11-29T12:23:00.001-08:00</published><updated>2011-11-29T12:37:58.365-08:00</updated><title type='text'>NOITE FELIZ – PARTE IV</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É depois do Dia das Crianças que a cidade começa a se enfeitar de Natal. No começo, discretas, as lojas penduram luzes em suas janelas e colocam papais Noel de miniatura em suas portas, paredes, chaminés inexistentes. Depois, logo depois, e em bem pouco tempo, as primeiras prateleiras dos supermercados estão invadidas por bolas coloridas, bichos de pelúcia com gorro vermelho, bonecos de neve com nariz de cenoura e cachecol, anjinhos, presépios e estrelas para colocar no topo da árvore de Natal. Foi em um supermercado que Thiago resolveu fazer uma árvore de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não uma simples, uma qualquer: resolveu fazer a maior árvore de Natal do mundo. Que colocasse a de Nova Iorque no chinelo, na meia pendurada ao lado da lareira. Maior que a do Ibirapuera. Duas vezes a de Itu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele passou nas lojas Americanas e comprou todas as árvores que encontrou por lá. Fez o mesmo no Pão de Açúcar, no Carrefour e em lojinhas da Liberdade. Crédito ou débito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só passo no débito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, Tati ficou surpresa. Achou que ele havia mudado. Que estava pronto para ter um filho, ser um bom pai. Elvis já é meu filho, afirmou, seco, enquanto passava a mão no pelo de Elvis, aquele cachorro que roncava e corria louco pela casa. Ainda assim, Tati se emocionava. Chegou até a ligar para a sogra, dizendo que “Thi” havia mudado. E chorou, quando ele pediu a ela para comprar champanhe. Mas mudou de ideia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Champanhe, não. Jack Daniels.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, olhando para Elvis, completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jack Daniels não se bebe com gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante dias ele a montou. Mesmo cansado. Mesmo exausto depois de trabalhar horas para a JBS. No 24 de dezembro, sua árvore era vista de longe, tal qual o relógio do Itaú. Orgulhoso, de banho tomado, bebendo o seu uísque, puro, Thiago esperou as doze baladas da meia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou Papai Noel. Enfiado em sua roupa vermelha, suas botas pretas, sua barba branca, seus óculos fininhos. Papai Noel. Com sua risada, com um saco de presentes: embrulhos para ele, para Tati, para Elvis. Por favor, Papai Noel, vamos ao topo da minha árvore, pediu Thiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram, juntos, aquela escada imensa. Sentiram, juntos, lá de cima, o vento bater em seus rostos. Viram, juntos, o mundo inteiro. Papai Noel chegou a dizer que sempre se impressionava com o Recife. As luzes refletidas sobre o rio Capibaribe. Mas mesmo com presentes, mesmo com elogios à sua cidade, Thiago seguiu o plano e falou entre os dentes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu odeio Papai Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num golpe de Muay Tay, jogou o bom velhinho do alto daquela árvore que quase encostava o céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4345874748650279540?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4345874748650279540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4345874748650279540&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4345874748650279540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4345874748650279540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/11/noite-feliz-parte-iv.html' title='NOITE FELIZ – PARTE IV'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8923431323005917513</id><published>2011-11-04T08:13:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T08:16:07.854-07:00</updated><title type='text'>O VENTILADOR E O VERÃO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevo sem salvar o nome do arquivo e pedindo para que, eventualmente, o computador trave por completo e leve com ele todas essas palavras de quem acordou meio confusa, aérea, e decidiu falar sem compromisso com o discurso. Vou falar que estou bem cansada disso de vocês todos sumirem e voltarem cheios de palavras lindas, gestos doces e programas ultra divertidos. Eu pareço aquela pessoas que está sempre aqui para vocês. Na verdade, essa repetição me deixa tão entediada que eu tenho vontade de afogar meu telefone na tristeza aleatória e desconcertante que vocês sentem quando ficam sozinhos, desamparados e sem chão. E eu podia evitar tudo isso porque eu tenho meus próprios planos e porque sofrer dá um baita trabalho. Mas não. Eu atendo, eu vou e ofereço meu ombro amigo, enquanto dobro o guardanapo compulsivamente, morrendo de vontade de fugir dali antes que vocês comecem a me deixar novamente aos poucos. E a verdade é que eu prefiro que vocês me deixem logo de uma vez, porque eu me acostumo com o barulho do telefone tocando várias vezes, assim como eu me acostumo com o barulho do ventilador à noite, no verão. E isso acaba comigo quando o verão vai embora. E vocês todos são mais ou menos como o meu ventilador e o verão. Vocês acabam comigo quando vão embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8923431323005917513?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8923431323005917513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8923431323005917513&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8923431323005917513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8923431323005917513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/11/o-ventilador-e-o-verao.html' title='O VENTILADOR E O VERÃO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6044545725806160397</id><published>2011-08-04T10:46:00.001-07:00</published><updated>2011-08-04T10:46:35.499-07:00</updated><title type='text'>REIS MAGOS, JESUS</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você chegará. Desligue o telefone e caminhe sem medo. Não será assaltado. Ninguém sabe que traz um computador na mochila, não será assaltado. Esse caminho não é ruim. É sujo. Mas você chegará. Converse com o homem que está no portão, pergunte se é perto. Dê o destino. Escute-o dizendo que não é distante - é distante, mas dá pra caminhar. Escute-o dizendo que é escuro - é escuro, mas dá para ver. Escute-o dizendo que é preciso ir pelo túnel - mas dá pra chegar. (Reparou nos dentes? Repare nos dentes feios que ele têm: dentes de cobre, de chocolate, de giz de cera marrom, não olhe para os dentes, olhe para os olhos, ele está lhe ensinando o caminho). Você decidirá: não caminhará: escolha um táxi. Sim, pegue um táxi porque é longe, é perigoso, você tem um celular e um computador no bolso, na mochila. Na esquina tem táxis. Não, não têm. Tem um, ali tem um: mas esse senhor chegou primeiro. Olhe ao redor: a rua tem pessoas fantasiadas de Reis Magos, de Jesus. O taxista também está fantasiado. Papa. Foi embora. Foi embora. Chame outro táxi, fique na esquina. Olhe ao redor, fique na esquina. Saia rápido, aqui é sujo, é fedorento, perigoso. Tente lembrar por que veio até aqui, não sei, não consigo, saia daqui, chame um táxi, não tem, não passa. À direita um casal se beija. O homem levantou o vestido da mulher, você verá a calcinha minúscula e uma tatuagem, ali mesmo, na bunda. Não olhe. Ele pode perceber. Saia logo. Não tem táxi. Outro casal se beija, escondido no portão onde o velho de dentes podres indicou o caminho. Desvie o olhar. Não deixe que reparem, aja naturalmente, encontre um táxi. Quatro adolescentes querem o mesmo que você. Um deles parece estar doente. Com o rosto ferido. Não. É uma mancha. Não olhe. É uma mancha horrorosa no lábio, embaixo do nariz. Não olhe. Eles estão na frente, antes de você na rua: pegarão o táxi primeiro. São quatro e não têm educação. São adolescentes. Você não conseguirá. Passou um porco verde com cabelo nas costas. Os jesus e reis magos não estão mais por aqui. O homem está comendo os próprios dentes. Ande até a outra rua. Cuidado, você tem um computador na mochila. Encontre um táxi, rápido. Olhe esse homem que caiu no chão. Ele não tem pernas. A calça sobra-lhe do joelho para baixo. A irmã dele o levantou. Ele te olha. Ele sorri. Você também sorrirá. Está sorrindo. Dá um soco no ar. Completamente molhado. Chove e você não sabia. Molhado ele. Você abrirá suas mãos e o cumprimentará. Ele quer te dar um abraço. Você o abraçará. Ele chora. Você escutará a mãe: ele vai morar sozinho, está feliz porque acaba de comprar um apartamento. Você o abraçará. Abrace-o. Você o apertará. Aperte-o. Escute o choro em seu ombro, seu peito, seu abraço. Você sentirá o seu choro. Saberá que essa alegria é maior que a casa própria: chora pelo seu abraço, por um desconhecido na rua que abraça um homem sem pernas, homem que não sabe falar, que passou a vida com abraços de mães, abraços de irmãs, abraços de tias sem abraços de amigos. Você dirá que desse jeito a gente vai cair e a mãe o ensinará a segurá-lo. Chama o filho pelo nome. Diz para ele: que abraço, Rafa, que legal. Eu me chamo Rafa também, você dirá. Também sou Rafa, você repetirá, impressionado com a coincidência de nomes. Ele enxuga as lágrimas em sua camisa e o beija no ombro. Você baterá em suas costas. Parabéns, Rafa. Boa. Parabéns. Ele passa para os braços da irmã. Agarrado em seus ombros, com o trapo de pernas arrastando pelo chão molhado. Caminham balançando os braços, despedindo-se. Então você saberá: está em dos lugares mais bonitos dessa cidade de loucos. Então perceberá: não chove mais. Esse táxi está livre, mas você caminhará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6044545725806160397?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6044545725806160397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6044545725806160397&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6044545725806160397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6044545725806160397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/08/reis-magos-jesus.html' title='REIS MAGOS, JESUS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3663031963606809188</id><published>2011-07-10T16:34:00.001-07:00</published><updated>2011-07-11T06:20:31.591-07:00</updated><title type='text'>CANTAVAM A MÚSICA DE WILLIE WONKA</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero igual ao último de Johnny Depp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que Diogo respondeu, quando o cabelereiro perguntou como queria o corte. Em seguida trouxe o notebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso. Quero ficar igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou lendo uma Quem enquanto o rapaz passava a tesoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Terminei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou no espelho e tomou um susto: estava igual a Johnny Depp. Não só o cabelo, mas os olhos, o nariz, a boca, as rugas, a barbicha. Ficou de pé: estava mais baixo também: como Johnny Depp!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na saída do salão foi parado pelo manobrista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, ei: você é aquele ator de Piratas do Caribe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi responder que Não e acabou dizendo No. E com a mesma voz de Johnny Dep!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O manobrista pediu autográfo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;But, my friend, I'm not Johnny Dep! My name is Diogo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diogo, não, dedica aí a Felipe. É meu filho. My son. É "son" que se diz, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu correndo, pegou um táxi. O motorista fez o percurso discorrendo sobre o aumento do preço do etanol, nem o gás está barato. Entrar no edifício foi uma luta. Seu Joaquim não queria liberar. E não entendia patavinas do que Diogo dizia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- It's my place! I live here! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrava as chaves, dizia o número da garagem, há quantos anos vivia ali. Eight years! Eight Years!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, ou o senhor se acalma ou vou ter que chamar a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a ponto de ligar para a delegacia quando a mãe chegou caminhando na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está tão magrinho, meu filho, que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- I was cutting my hair and now I'm looking like Johnny Depp!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala comigo em português, meu filho, você sabe que nunca fui boa com outras línguas. Só em francês, mas mesmo assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mom! Can't you understand? I'm in a strange body!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não quer subir? Vamos subir. O que faz aqui fora? Esqueceu as chaves? Você está tão bonito. Parece artista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram e ele correu para o banheiro. Tomou um banho demorado, esfregando sabão e xampu com força, para ver se voltava a ser o verdadeiro Diogo. Saiu enrolado na toalha e foi surpreendido por amigas da mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou ligar para minha filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mãe dizia que estava parecido com o falecido pai, mais novo. Uma senhora tentou puxar sua toalha. Outra não parava de tirar fotos com o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescente eufóricas, esposas atiradas e maridos que nem sentiam ciúmes invadiram a casa. Queriam uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;picture&lt;/span&gt; com o astro. Sua assinatura. Comentavam do filme do barbeiro do mal, de Edward Mãos de Tesoura, cantavam a música de Willie Wonka. A imprensa não demorou montar guarda na entrada do apartamento. Os jornais preparavam suas matérias: “Johnny Depp divuga novo longa no Brasil”; “Astro da Fantástica Fábrica de Chocolates estréia comercial da Garoto”; “Quem será a brasileira que trouxe o Johnny até aqui?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabia o que fazer. Ainda de toalha, assanhando os cabelos, insistia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- I'm Diogo! My name is Diogo! I'm not Johnny Depp!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3663031963606809188?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3663031963606809188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3663031963606809188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3663031963606809188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3663031963606809188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/07/cantavam-musica-de-willie-wonka.html' title='CANTAVAM A MÚSICA DE WILLIE WONKA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5984852199646820596</id><published>2011-04-07T05:56:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T06:58:19.712-07:00</updated><title type='text'>EU TE PROMETO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é um luxo ao qual eu não posso e nem quero me dar mais. Você passeia entre as suas certezas de homem e suas decisões de menino com uma frequência tão alta que meu pulmão revive em poucos segundos todas as dores que já acometeram o meu corpo e que eu te pedi tanto para você não me causar. Mas esses meus pedidos desesperados e honestos se perderam nesse grande buraco negro que você tem no coração, disfarçado nas suas palavras escolhidas a dedo e no seu discurso absolutamente irreparável, comparado a muitos outros que eu conheci. Você quer colo. Você quer ser amado. Você quer voltar pra alguém no final do dia. Você quer fazer esses programas que casais fazem aos domingos. Mas você não sabe como porque você não sabe dar colo, você não sabe amar, você não sabe voltar pra alguém no final do dia e você não faz a menor ideia do que os casais fazem aos domingos. Você está perdido na sua vontade de amar na teoria e na sua falta de talento para amar na prática. E quem sou eu para te ensinar? Eu não consigo conciliar minha vontade de ter colo com minha falta de tempo para dar colo. Eu não sei amar alguém com esse jogo que todo mundo se profissionalizou em jogar, menos eu. Eu não quero voltar pra qualquer um no final do dia, só pra dizer pra todo mundo que eu tenho pra quem voltar. Eu não me interesso muito pelos programas de domingo dos casais porque eu adoro meus próprios programas de domingo, fazer o quê. E, por fim, eu não sei amar com saúde, coisa que resulta em muita poesia e dor no peito quando respiro bem fundo. Mas, ao contrário de você, eu não te prometi nada. E, pra corrigir esse erro, eu vou te fazer sim uma promessa. Prometo que, daqui pra frente, quando a gente se cruzar de novo, eu vou ser uma tremenda de uma filha da puta com você, que é o que você merece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5984852199646820596?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5984852199646820596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5984852199646820596&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5984852199646820596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5984852199646820596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/04/eu-te-prometo.html' title='EU TE PROMETO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4420731053573006578</id><published>2011-03-03T07:16:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T07:29:50.607-08:00</updated><title type='text'>MEU BEM, VOU ALI COMPRAR CIGARRO</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma sexta-feira, logo depois do almoço. Ela assistia ao Vale a Pena Ver de Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu bem, vou ali comprar cigarro.&lt;br /&gt;- Que conversa.&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;- Você vai é pro carnaval, que eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha esse detalhe: era véspera do Sábado de Zé Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim, meu bem? Só vou no fiteiro da esquina. Já volto.&lt;br /&gt;- Volta na quarta-feira de cinzas. Com o pescoço marcado. Já conheço essa história. &lt;br /&gt;- Naquele ano foi diferente... eu realmente fui seqüestrado!&lt;br /&gt;- E o seu pescoço voltou todo arranhado.&lt;br /&gt;- Era a corda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Etevaldo passa a mão no pescoço, lembra dos bandidos, da pouca comida e de como conseguiu fugir, chegando em casa com uma regata do Eu Acho É Pouco e uma garrafa de batida de limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles não tinham água. Eu estava com sede! E a camisa eu roubei num varal! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marinalva – chamava-se Marinalva – tira os olhos do marido e volta-se para a televisão. Diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você for comprar cigarros, eu vou... fazer a unha. Durante cinco dias. Direitos iguais.&lt;br /&gt;- Mas eu não vou pro carnaval!&lt;br /&gt;- Então também não vai comprar cigarros. Se for, eu vou também.&lt;br /&gt;- Mas você nem gosta tanto de carnaval assim.&lt;br /&gt;- Posso gostar.&lt;br /&gt;- Eu só queria fumar um cigarrinho.&lt;br /&gt;- Se você for, eu faço as unhas. Durante cinco dias. Já falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam num impasse. A Globeleza dançava na TV. Marinalva mexia nos dedos, arrancando o esmalte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, se você não acredita em mim, tudo bem. Eu não vou no fiteiro.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Não fumo mais. Pronto. Se é pra provar que não vou pro carnaval, paro de fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou na poltrona, ao lado do sofá. Colocou os pés na mesinha de centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você fuma todos os dias.&lt;br /&gt;- Fumava.&lt;br /&gt;- Não fuma mais?&lt;br /&gt;- Fumo não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repórter mostra os preparativos para o Galo. O percurso, os trios. Marinalva se vira para o marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito em você, sim. Acredito. Pode ir comprar o seu cigarrinho.&lt;br /&gt;- Não vou, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela insiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, vai lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele está decidido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma propaganda anuncia um Carnaval de Ofertas. Outra também. Depois outra. Uma bandinha toca ao vivo no Fortim de Olinda, com passistas pulando sobre sombrinhas. Sai a programação oficial. Ela apanha a bolsa. Levanta-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De todo jeito, olha: preciso mesmo fazer as unhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4420731053573006578?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4420731053573006578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4420731053573006578&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4420731053573006578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4420731053573006578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/03/meu-bem-vou-ali-comprar-cigarro.html' title='MEU BEM, VOU ALI COMPRAR CIGARRO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-562101835038586036</id><published>2011-02-01T13:24:00.000-08:00</published><updated>2011-02-01T13:40:00.489-08:00</updated><title type='text'>CADERNO ABERTO</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terminado tem sempre razão. Porque quem desiste e encontra motivos é um covarde. E todo covarde é racional. Eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que esperam cinquenta anos: eu gosto dos Florentinos Ariza. O terminado tem sempre razão porque não desistiu. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. E quando liga às cinco da madrugada. E quando foge de comédias românticas. E quando insiste em não ouvir Cartola. Está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A mudar. A melhorar. A salvar. Quem desiste é um racional. É um covarde: enxerga defeito onde existe defeito. Encontra motivos. E todo covarde tem um milhão de motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de amor, todo homem deveria ser uma mulher. A mulher acredita no amor eterno, no amor único, e mais: nunca vai deixar de acreditar. O homem, não. O homem é um lúcido. Acredita, mesmo, que não deve chorar. Acredita, mesmo, que não deve lutar. O homem é um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. E você começa a reparar que a barriga dele está crescendo, a perna dela tem veias, ele se veste mal, ela sua no bigode. Começar a reparar numa celulite, numa preguiça para o banho. A se cansar do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Ele arrota muito. Ela deixa o sapato na sala. Estraga comida. É pirangueiro. Tem chulé. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é seu: você queria um amor cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. O amor rochedo - aquele que, ao invés de dar inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com estria, com ronco. Existindo com pagode, sertanejo. Existindo com bafo. Com peido. Com desculpas para não transar. O amor existe com dívidas, com liseu, sem férias. E mais: ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem tirar as suas máscaras. Vai ver, sei lá, que ele só existe depois de 20, 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-562101835038586036?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/562101835038586036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=562101835038586036&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/562101835038586036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/562101835038586036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/02/caderno-aberto.html' title='CADERNO ABERTO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5600190074795877054</id><published>2011-01-22T19:29:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T19:34:43.513-08:00</updated><title type='text'>MINUTOS</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o amor seja mesmo como catapora. Você tem uma única vez na vida e, pronto, nunca mais acontece de novo. Aí alguém vai dizer “Ah, eu tenho um sobrinho que já teve catapora duas vezes”. Bom, então reformulando: talvez o amor seja como a catapora que seu sobrinho não teve. Ou talvez eu esteja ficando velho e aí a pessoa começa a amar menos e se preocupar mais com trabalho, saúde e iptu. Seja como for, acho que desaprendi a amar. Acho que todas as pessoas nascem com uma cota de amor e eu, que sempre fui intenso com tudo na vida, acabei gastando a minha antes do tempo. Resultado? Quando eu disser que te amo, não acredite. Quando eu te chamar pra jantar, pra viajar ou pra tomar um vinho de noite e você, por alguns minutos, pensar “poxa, acho que ele está gostando de mim”, por favor não acredite. Quando eu disser que você tem um sorriso bonito ou que eu acho lindo como seus olhos ficam  apertadinhos toda vez que você acorda, blargh, é mentira. Falsidade em estado puro. Provavelmente eu nem vou chegar ao ponto de dizer isso, porque me tornei incapaz de qualquer demonstração de amor. De hoje em diante quero ser um cafejeste. Um cafajeste honesto, com toda certeza. Deixarei bem claro, já no primeiro dia, que meu único interesse será um beijo e uma noite de amor. Não quero saber seu signo, não quero conhecer seus amigos, não quero te pegar no curso de francês. De você, quero apenas 47 minutos. Afinal, depois que se conquista uma mulher que até então relutava em ceder, depois que se enfrenta sua insegurança, seu receio e toda sua resistência, o que mais se pode querer com ela? É chegado então o momento de partir para a próxima e para a próxima e para a próxima. Não vou amar mais com o coração, deixarei essa função para os rins. Não vou mais escrever cartinhas à mão, nem fazer viagens de surpresa. Não vou ter mais músicas de Chico no meu playlist. De agora em diante é só Wando e Calcinha Preta. É claro que isso só vai durar até o dia em que eu encontre alguém. Alguém que eu finalmente ame de verdade. E como o mundo costuma ser vingativo, vou passar dias sofrendo quando descobrir que tudo o que ela queria comigo, eram apenas 47 minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5600190074795877054?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5600190074795877054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5600190074795877054&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5600190074795877054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5600190074795877054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/01/minutos.html' title='MINUTOS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2221739823926344281</id><published>2011-01-07T04:38:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T11:16:16.445-08:00</updated><title type='text'>FIM,</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta a história que o príncipe, montado em um cavalo branco, derrotou a terrível bruxa, resgatou a princesa e seguiu por uma estradinha de terra batida, bem bucólica e romântica. E, para que não restasse nenhuma dúvida ao leitor, confirma-se, na última frase, que os dois foram felizes para sempre, seguido por um fim escrito na última página, em caixa alta e letra cursiva. A verdade é que, dois meses depois, ela olhava para ele, ainda deitada na cama, e achava ele um homem fisicamente lindo, mas bem superficial e pouco interessante. Ela gostava de filme iraniano, ele de blockbuster americano, principalmente os de guerra. Ela gostava de jazz, ele de música eletrônica, no volume máximo. Ela gostava de dormir com a janela aberta, ele de ar-condicionado. Ela também já não conseguia suportar aquela toalha molhada em cima da cama, que sempre acabava em brigas homéricas, em que ele acusava ela de ser neurótica por limpeza, igualzinha à mãe, coisa doída de se ouvir. Além disso, ela achava insuportável o jeito meio bipolar que ele tinha de gostar dela, variando momentos de carinho com surtos de cansaço e indiferença, culpa do trabalho, justificava ele, dois dias depois, após um silêncio mortal, impossível de se fugir nos 65 metros quadrado do apartamento. Do outro lado, não era diferente. Para ele, ela tinha deixado de ser aquela mulher linda, leve e agradável do começo do namoro, e se ocupava de culpar a TPM por tudo, até três vezes por mês, depois de gritar com ele e chorar copiosamente por uma coisa estúpida como uma toalha. Ele preferia assistir filmes de guerra, daqueles bem barulhentos, só para não morrer aos poucos com o oco que ocupava a casa nos dias de briga, enquanto ela mergulhava no pocinho do jazz e nos filmes difíceis demais de se entender depois de um dia de trabalho. Ele morria de calor, os lençóis que ela tinha comprado pareciam quentes demais, e o ar-condicionado ligado parecia uma boa saída para não dizer isso a ela e também uma boa desculpa para dormir abraçado com a mulher que ele ainda tentava amar, só Deus sabe como e até quando. E ela, que esperou tanto tempo pelo cara perfeito, descobriu que, às vezes, a princesa simplesmente não se apaixona pelo príncipe, mesmo depois de sonhar e esperar por ele a vida inteira. E que o príncipe, às vezes, também não se apaixona pela princesa, por mais perfeita que ela pareça ser. E os dois, juntos, descobriram que, às vezes, o fim, aquele mesmo, em caixa alta e letra cursiva, geralmente seguido de um ponto final, vem bem antes do clássico ‘e foram felizes para sempre’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2221739823926344281?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2221739823926344281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2221739823926344281&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2221739823926344281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2221739823926344281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2011/01/fim.html' title='FIM,'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4617660600081971974</id><published>2010-12-14T05:12:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T05:39:44.347-08:00</updated><title type='text'>NOITE FELIZ III</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que os primeiros presépios começaram a decorar as calçadas de empresariais e luzinhas foram colocadas nas varandas e nas sacadas das casas e apartamentos, Thiago decidiu entrar no Google e pesquisar como se construía uma lareira. Comprou tudo num impulso e começou com uma marreta derrubando o teto e subindo, tijolo aparente a tijolo aparente, uma larga lareira bem ali, onde antes ficava a televisão. Elvis, o cão, espiava, com a língua para fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, quando os cartões de natal começaram a chegar em sua caixa de e-mails ele foi para a floresta cortar lenha com raiva, pensando nas pessoas que atrasavam o trânsito para olhar a decoração natalina da cidade e a árvore gigante e horrorosa que construíram e, sobretudo, pensava nos Papais Noel adesivados nas vitrines das lojas ou, pior, fantasiados na frente das mesmas e balançando os sinos gritando Ho ho ho ou, pior, sentados nas praças dos shoppings esperando crianças o abraçarem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a véspera de Natal e Thiago serviu-se de uma boa dose de Jack Daniel’s, sem gelo porque Jack Daniel’s não se mistura com nada, e acendeu a lareira. Ficou tranquilo, sentado na poltrona, assistindo ao fogo consumir a lenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exatamente à meia noite Papai Noel caiu pela chaminé e, poucos segundos depois, estava rolando pelo chão, com a roupa vermelha em chamas, com a barba branca sendo queimada pelo fogo, com presentes que se espalhavam pelo chão e eram comidos por vermelhas labaredas carbonizando bonecas Barbie, Playstations e kits-maquiagem. Papai Noel debatendo-se e pedindo ajuda, não sabendo se salvava a si próprio ou aos carrinhos de controle remoto, as bolas de futebol, as sapatilhas de bailarina. Então Thiago tirou os sapatos e esticou os pés, para serem aquecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4617660600081971974?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4617660600081971974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4617660600081971974&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4617660600081971974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4617660600081971974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/12/noite-feliz-iii.html' title='NOITE FELIZ III'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5822657978564812969</id><published>2010-12-09T11:59:00.000-08:00</published><updated>2010-12-09T12:16:34.615-08:00</updated><title type='text'>COMO VOCÊ ESTÁ HOJE?</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delicada ante-sala me preparava para a sala propriamente dita. Sentei em uma das cadeiras floridas, aquecidas por um pequeno abajur e uma revista em inglês sobre Paris, e fiquei esperando a minha vez chegar. Olhei novamente para a revista e, como todo mortal de classe média do mundo, pensei que Paris pudesse resolver todos os meus problemas do momento. Talvez eu pudesse usar todo o dinheiro que eu ainda vou gastar com terapia com uma viagem para a França. Lá eu teria um subemprego simpático, sem a competição massacrante dos grandes escritórios, um apartamento onde eu chegasse cedo para manter minhas flores vivas e um amor que eu não tivesse preguiça física e emocional de manter porque eu não estaria sempre tão cansada do meu trabalho. Mas eu desisto de ir para Paris e continuo sentada esperando a minha vez. A minha vez de contar para uma estranha de sorriso simpático que eu sou apenas mais uma com nomes diferentes para contar as mesmas histórias, porque todos nós queremos desesperadamente ser normais, amados e aceitos, além de felizes, bonitos e bem-sucedidos, sem excessão. Nós queremos a felicidade pasteurizada, comum a todos, porque assim parece mais fácil e menos doloroso. Afinal, nós preferimos passar a vida inteira acertando apenas três números da loteria a passar uma vida inteira tentando batalhar pelas aclamadas seis bolinhas. Então nós deitamos em lindos divãs pretos estofados, com o nosso vácuo de alegria distraída, e imploramos uma vez por semana para alguém ajudar a gente a juntar todos os caquinhos que sobraram das nossas expectativas retas e das nossas expressões duras. E essa ajuda vem e tudo começa a fazer mais sentido e a gente começa a se sentir assim, mais comum, mais um na multidão, exibindo heroicamente nossa felicidade de muletas. E tudo isso faz muito sentido até eu sentar na minha própria cama e pensar ‘até quando’? Até quando eu (fique à vontade pra se incluir, se for o caso) vou sentar na frente de uma estranha de sorriso simpático e falar dos meus problemas, tão comuns à própria existência? Até quando eu vou sentar na frente de uma estranha de sorriso simpático e cair no choro, tão comum a qualquer um que é minimamente capaz de sentir dor? Até quando eu vou sentar na frente de uma estranha de sorriso simpático e chegar a explicações plausíveis, tão comum ao final de certos aprendizados? Até quando eu não sei, até porque eu ainda estou aqui, sentada na cadeira florida, lendo um livro sobre Paris, presa na ante-sala, prevendo o meu futuro quando entrar lá. Mas uma coisa eu posso dizer: um dia, depois de você ter segurado a minha mão por algum tempo, eu vou simplesmente soltar, num protesto silencioso por toda essa supervalorização em massa da zona de conforto. Porque não dá pra escolher sentir a dor pela metade sem escolher, também, viver a vida pela metade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5822657978564812969?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5822657978564812969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5822657978564812969&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5822657978564812969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5822657978564812969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/12/como-voce-esta-hoje.html' title='COMO VOCÊ ESTÁ HOJE?'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6329472703556333210</id><published>2010-12-03T05:44:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T05:51:40.271-08:00</updated><title type='text'>CARECA É O NOVO MULLET</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um motivo de justiça, o mundo será careca. &lt;br /&gt;É só olhar para trás que você percebe: eles realmente merecem.&lt;br /&gt;O mundo já foi cabeludo demais.&lt;br /&gt;O mundo já usou mullets, só para você ter uma ideia.&lt;br /&gt;E mullets, meus caros, são o exagero do cabelo.&lt;br /&gt;Uma afronta aos calvos.&lt;br /&gt;É como uma modelo ir à praia de Boa Viagem.&lt;br /&gt;Todos nós sabemos que Boa Viagem não tem estrutura para receber uma modelo, porque ela simplesmente eliminaria as outras mulheres.&lt;br /&gt;Não aos mullets e não às modelos em Boa Viagem.&lt;br /&gt;Vamos lá: imaginemos a vida de um careca nos anos 80.&lt;br /&gt;Ele colocava o seu All Star preto, sua calça jeans apertada na canela, vestia uma camisa preta e ia ao cinema, com a namorada.&lt;br /&gt;E o que estava passando na única sala?&lt;br /&gt;Máquina Mortífera, com Mel Gibson, no auge do seus mullets.&lt;br /&gt;Mel Gibson balançando a cabeleira enquanto pulava para matar bandidos.&lt;br /&gt;Não bastava ser ator, bonitão e matar bandidos.&lt;br /&gt;Ele tinha mullets.&lt;br /&gt;E eles balançavam!&lt;br /&gt;Aí o tempo mudou.&lt;br /&gt;Mullets viraram coisa de argentino e o brasileiro começou a cortar o cabelo como surfista.&lt;br /&gt;Menos o careca.&lt;br /&gt;O careca podia até surfar, ter a melhor prancha e pegar tubo, só que não ganhava ninguém numa boate porque faltava a pinta de surfista.&lt;br /&gt;Faltava o loiro-parafina.&lt;br /&gt;Mas, que alívio.&lt;br /&gt;Durante a Copa América de 2003, Ronaldo e Roberto Carlos rasparam os cabelos de todos os jogadores da seleção.&lt;br /&gt;Que alegria poder ver o time inteiro sem cabelo. &lt;br /&gt;Foi um dia de glória para o careca.&lt;br /&gt;Ele saiu na rua sem boné.&lt;br /&gt;Até Gonçalves, o cabeludo Gonçalves, ficou com o teto brilhando.&lt;br /&gt;Adeus, boina e chapéu panamenho.&lt;br /&gt;Adeus?&lt;br /&gt;Nada disso: alegria de careca dura pouco.&lt;br /&gt;Pouco mesmo.&lt;br /&gt;Porque Felipe Dilon chegou com seus cachos.&lt;br /&gt;Todo o Brasil usando cachos.&lt;br /&gt;Não existia mais cabelo ruim.&lt;br /&gt;Existia cabelo cacheado.&lt;br /&gt;E o careca tinha que se contentar em mostrar fotos da sua infância, dizendo Eu era bem cacheadinho.&lt;br /&gt;O careca andava com uma foto da sua infância na carteira.&lt;br /&gt;Chegou a fazer um álbum inteiro no Orkut.&lt;br /&gt;Mas calma.&lt;br /&gt;Calma.&lt;br /&gt;Isso vai mudar.&lt;br /&gt;Por um motivo de justiça, o mundo vai ser careca.&lt;br /&gt;Os cabeludos, coisa démodé, disputarão uma cadeira nos cabeleireiros, pedindo pra passar a zero, por favor.&lt;br /&gt;Ou então: Deixa só um tufinho aqui na frente.&lt;br /&gt;Ou ainda: Prepara uma coroa de frade mediana, do tamanho de um pires.&lt;br /&gt;Xampus serão vendidos, oferecendo uma “queda natural” para os seus cabelos.&lt;br /&gt;Metrossexuais comprarão cremes para deixar o couro cabeludo macio e cheiroso.&lt;br /&gt;A frase É dos carecas que elas gostam mais deixará de ser a maior mentira da humanidade.&lt;br /&gt;O mundo vai ser careca.&lt;br /&gt;Justiça!&lt;br /&gt;Justiça para os carecas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6329472703556333210?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6329472703556333210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6329472703556333210&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6329472703556333210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6329472703556333210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/12/careca-e-o-novo-mullet.html' title='CARECA É O NOVO MULLET'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3821367051023275780</id><published>2010-11-29T07:22:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T07:27:11.973-08:00</updated><title type='text'>NAS ENTRELINHAS</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas e escritores de quinta, destacando que o 'de quinta' é apenas um jeito charmoso de denominar a classe que escreve sem grandes pretensões burguesas, são a nata artística da virilidade dos homens. Têm o costume de ocupar as mesas dos bares sem aquela falsa despretensão indie, e fazem do chão sujo dos botecos um templo de adoração dos amigos garçons, da cerveja estupidamente gelada e, claro, de reverência às suas musas inspiradoras. Estas, ao contrário da maioria que se vê por aí, não se aventuram ao longo dos azulejos azuis em saltos doze centímetros ou em calças jeans 'dois números a menos, por favor'. Em compensação, têm a graciosidade estampada nos tênis infanto-juvenis, no cabelo quase sempre bagunçado e cansado do dia-a-dia, na maneira apaixonada com que defendem seus ideais pseudo-feministas e na revelação dos amores comunistas que vão fazendo ao longo da noite, de acordo com o adorável nível alcoólico. Não querem presentes caros, mimos exóticos, mensagens amorosas às oito da noite, mensagens desesperadas às cinco da manhã e e-mails com declarações de amor virtual. Querem a vivacidade dos poemas, a dor dos sonetos, a continuação das estrofes, a perdição dos trechos, a narração dos enredos, a descrição das crônicas e a simplicidade dos textos. Desejam, sem nenhum apego consumista, deitar por cima de papéis, abraçar bilhetes e escrever na parede um pedaço dele, na tentativa de aprisionar aquela poesia entre quatro paredes. E enquanto outras falam de borboletas, estas carregam na barriga frases, palavras, orações e letras. E diante de tanta poesia, se alguém vem me falar de preço, eu viro a cara, mudo de calçada e até finjo que desconheço. Porque não dá pra comparar a conta de um jantar romântico com a eternidade de um soneto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3821367051023275780?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3821367051023275780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3821367051023275780&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3821367051023275780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3821367051023275780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/11/nas-entrelinhas.html' title='NAS ENTRELINHAS'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1642327521821112769</id><published>2010-11-22T03:53:00.000-08:00</published><updated>2010-11-22T15:16:53.162-08:00</updated><title type='text'>SÉPIA</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/TOpaVqE0UfI/AAAAAAAAAF8/x1BWoTeoYl0/s1600/Picture%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 287px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/TOpaVqE0UfI/AAAAAAAAAF8/x1BWoTeoYl0/s400/Picture%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542341619551064562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu acordei com saudade. E, como de costume, comecei a ver minhas fotos. Das mais recentes para as mais antigas. Fotos da faculdade, das namoradas, dos churrascos, do colégio, dos aniversários. Vi fotos de todos os tipos, mas quando cheguei nessa aí de cima, parei quase que imediamente. Deve fazer pelo menos umas 2 horas que mal consigo tirar os olhos dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto é linda, não só porque eu era um belezura, mas pela composição, pela paisagem, pela harmonia. O tom marrom avermelhado da imagem, faz com que o mar se confunda com a própria areia e ai fica difícil dizer onde termina um e onde começa o outro. Mas pela minha cara isso não parecia ser lá uma grande preocupação. &lt;br /&gt;É claro que não consigo me lembrar de nada desse dia, mas tenho plena convicção de que eu era infinitamente feliz. Eu não tinha um computador, não tinha 50 e-mails por dia, não tinha ex-namoradas, não tinha lembranças saudosas. Enfim, eu não tinha nada que me deixasse triste. No máximo uma fralda apertada, uma fome inexplicável ou um sono gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei se eu estava tentando me levantar ou se tinha acabado de me abaixar ou, talvez ainda, se eu gostava ficar assim por horas e horas. Sei menos ainda se eu estava olhando pra minha mãe, pro meu pai, pro sol ou pra alguém que passou olhando pra mim como quem diz "olha que fofinho". Tudo o que sei é que dá pra ver a sombra de uma pessoa no cantinho inferior esquerdo da foto. Provavelmente eu também não estava com vergonha desse short ridículo que devia juntar um monte de areia e me deixar com uma assadura terrível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não sei que fim levou aquela mãe e aquela filha, lá no fundo da foto. &lt;br /&gt;Mas com certeza ela não estava feliz por ter que caminhar em pé de mão dada no sol quente. Eu sim, tinha liberdade. Eu sim, podia ir pra onde quisesse. Provalmente também, essa mesma menina hoje deve ser uma promotora de justiça que, depois de 3 divórcios, está criando os dois filhos sozinhos no sexto andar de um prédio qualquer. A mãe, coitada, se ainda for viva, deve ter como única diversão as aulas de hidroginástica para curar a artrite e a osteoporose. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, essa foto me fez sentir uma saudade terrível, uma nostalgia até difícil de explicar. Mais que isso, me fez sentir uma vontade enorme de estar, hoje, exatamente como naquele dia, naquela praia, com aqueles pensamentos. Mas infelizmente, nem tudo é tão possível assim. Me contento então em saber que um dia, naquela praia eu fui mais feliz do que nunca e que aquela sombrinha ali, no canto inferior esquerdo da foto, talvez seja da mesma pessoa que, agora, deve estar lendo esse texto toda cheia de orgulho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1642327521821112769?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1642327521821112769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1642327521821112769&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1642327521821112769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1642327521821112769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/11/sepia.html' title='SÉPIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/TOpaVqE0UfI/AAAAAAAAAF8/x1BWoTeoYl0/s72-c/Picture%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1928899901479687086</id><published>2010-11-12T10:08:00.001-08:00</published><updated>2010-11-12T10:08:36.858-08:00</updated><title type='text'>O MEU TRAVESSEIRO PELA SUA JANELA</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de muita coisa da minha infância, mas da Belina 87, não. E olhe que vivi a melhor viagem da minha vida dentro dela, espremido entre Artur, Mariana e Tia Marcinha, porque sim, naquele tempo se podia colocar quantas pessoas entrassem no banco de trás. E, se não coubessem mais, dava pra ir na mala também, naquele tempo, mas a nossa já estava entupida de mochilas, refrigerantes e sanduíches (pausa: a melhor lembrança dessas viagens eram os sanduíches que minha mãe preparava, de queijo e presunto, só queijo, só presunto, com manteiga, com requeijão, de atum.. eram mais disputados que Pipo’s). Saímos do Recife com destino a Belo Horizonte, parando no caminho por inúmeras cidades, como Barra de São Miguel, Penedo, Aracaju, Cachoeiras, Porto Seguro, Vitória, Ouro Preto, Tiradentes e Mariana, só para citar as que me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa Belina del Rey cor de areia que, além de conhecer o Brasil, eu conheci o tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas dentro do carro eram intermináveis. As paisagens eram as mesmas durante muito tempo. Eu nem sabia ler direito para ver a distância em quilômetros. Não tinha ar-condicionado. Nada de rádio. A humanidade estava feliz com VHS, nem cogitava criar o DVD, ainda mais para automóveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil acreditar, mas até mesmo três crianças com a mesma idade se cansam umas das outras e o repertório de brincadeiras dos meus pais e de tia Marcinha não aguentava a pressão Arraial d’Ajuda–Vitória do Espírito Santo. Brincar de “quantas bicicletas vocês conseguem contar” é divertido durante vinte minutos, no máximo por vinte e dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Belina parava de vez em quando no meio da estrada e painho precisava colocar água no radiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a famosa pergunta Falta Muito acontecia o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fazia calor, muito calor. Quem ficava na janela onde estava o sol segurava o choro ou oferecia algo de valor em troca, como o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem filhos? Não importa. Junte três crianças no banco de trás de um carro sem música. Abra os vidros e desligue o ar-condicionado. Agora diga: faltam oito horas. Depois experimente oferecer uns sanduíches que não sejam da McDonald’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí ontem, ou antes de ontem, eu estava vendo televisão e passou o comercial de um carro que vem com PlayStation. Era apenas um dos mil atributos do potente 4×4, mas, nessa parte, apareciam dois meninos com o joystick na mão jogando e olhando para uma televisão que ficava na altura do para-sol. Colocassem um Pinball na Belina 87 e eu seria feliz, feliz demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1928899901479687086?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1928899901479687086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1928899901479687086&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1928899901479687086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1928899901479687086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/11/o-meu-travesseiro-pela-sua-janela.html' title='O MEU TRAVESSEIRO PELA SUA JANELA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1395688173403202642</id><published>2010-10-18T07:19:00.000-07:00</published><updated>2010-12-09T13:57:12.710-08:00</updated><title type='text'>TODA MULHER JÁ FOI POSTE POR UM DIA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar tempo, você finalmente superou. E um dia não foi mais tão estranho encontrar com ele nos lugares. Seu corpo aprendeu onde colocar as mãos sem que elas parecessem perdidas no seu próprio bolso. Seus olhos aprenderam a não procurar por ele nas festas e a passar de relance por todas as mulheres que seguravam o braço dele, numa mistura de ódio e simpatia, e também aprenderam a não chorar toda vez que ele fazia você se sentir mais uma na listinha dele. Seu cérebro aprendeu que essas coisas do coração doem demais e que você precisa pensar umas trezentas vezes antes de se apaixonar por qualquer homem minimamente parecido como ele. Sua boca também aprendeu a não te xingar baixinho de estúpida quando aquilo tudo voltava como um filme na sua cabeça. Sim, você aprendeu, a duras penas, e quando nem a sua mãe colocava mais fé no seu adorável dedo podre para homens. Aí o tempo passa, você toca a vida, e aqueles encontros com ele são só mais uns encontros comuns, como todos os outros, até o dia em que você resolve, espontaneamente, se interessar por um primo de quarto grau, um amigo afastado ou um conhecido dele, porque o mundo é pequeno mesmo, fazer o quê. Azar o seu, parte pra próxima. Assim como um cachorro quando passeia na rua, ele vai fazer questão de marcar o território dele, ou o ex-território, que nesse caso é você. Como? Fácil. Segurando a sua mão, pegando no seu queixo, mexendo no seu cabelo ou usando qualquer outra estratégia milimitricamente calculada bem na frente do seu prospect, deixando bem claro que ninguém é de ninguém, mas só até o momento em que ele balizar alguma mulher que já foi dele com um sutil, mas significativo toque. E é nesse exato segundo, distraída com a pseudo delicadeza do gesto, que você se transforma numa mulher-poste. Aí não tem mais jeito. O cara que você nunca teve de verdade já era, o cara que te interessava já era e você também já era, marcada por uma coisa que nem existe mais, que você já superou e que ele também já superou, mas que ele é muito pouco homem para simplesmente deixar ir. E antes que você pense que eu ia poupar você - e eu - dessa terrível constatação, aqui vai ela, eternizada na grande lamentação existencial de um poste, após receber a visita de um cachorro: sim, ele mijou em você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1395688173403202642?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1395688173403202642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1395688173403202642&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1395688173403202642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1395688173403202642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/10/toda-mulher-ja-foi-feita-de-poste-na.html' title='TODA MULHER JÁ FOI POSTE POR UM DIA'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5640426539822392677</id><published>2010-10-13T14:51:00.001-07:00</published><updated>2010-10-13T14:51:54.751-07:00</updated><title type='text'>ENCONTRO ÀS CEGAS É MAIS CHARMOSO EM INGLÊS</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, ainda existiam legítimos blind dates, que é o mesmo que encontro às cegas, mas fica bem mais charmoso em inglês. Você estava lá, solteiro, com aquela cara de Me apresenta a alguma amiga, pode ser qualquer uma, não me importa se ela fuma ou se tem gases, só preciso conhecer alguém, e o seu amigo do escritório, preocupado, dizia, fingindo que não tinha lido a sua cara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;­— Tenho uma amiga que, ó, supimpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— No duro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pode confiar. Quer que eu te apresente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Abalou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Fulano ligava para a amiga que estava morrendo de medo de ser madrinha de cinco meninos e que já havia esquecido de conhecer um médico ou advogado, falando um pouco sobre você:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Olha, tenho um amigo pra te apresentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Jura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Palavra. Posso dar teu telefone pra ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pode sim. Ah, se pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí você marcava com a garota dizendo “Vou estar de colete azul e All Star vermelho”, e ela chegava, e vocês passavam horas buscando coisas em comum: signos, marca de chocolate, escola onde estudaram, filme do Indiana Jones preferido, melhor música da Legião Urbana, essas coisas que fazem as pessoas se convencerem de que são muito parecidas ou muito diferentes, mas que, na hora do desespero, é bom ser muito parecido e também é maravilhoso ser muito diferente. Tudo vale. Depois trocavam telefones, que nem começavam com o número três, e marcavam um outro dia para comer uma banana split ou passear de patins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, não. Hoje, não. Se Fulano diz que vai apresentar uma menina a você, no mesmo segundo você entra no Google, Facebook, Twitter e Orkut. Vê todas as fotos possíveis, buscando alguma em que ela esteja de biquíni. Sabe os lugares para onde ela viajou, os livros preferidos, as comidas. Se quiser, pode até baixar o currículo profissional dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí você vai pro encontro sem nem precisar dizer a roupa que está usando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E aí, Edvânia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo beleza, Vicentino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E aí, gostou do show ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah, foi bárbaro, mas você nem foi, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não pude ir porque…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Teve aniversário do sobrinho, eu vi. Tá grande o Rodolfinho, né? Um amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ele é o máximo. Tem quase a idade de Etelvina, sua prima, filha de Aracy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E amanhã? E amanhã? O casal se conhece através de um melhor amigo em comum na Fifth Life, mas querem quebrar o protocolo e se encontrar. Ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo bom? Que pergunta! É claro que sim, você acabou de ser promovida. Está ganhando doze salários-mínimos, conseguiu resolver o problema da acne, e faltam seis páginas pra terminar a monografia, que está difícil, mas você ainda tem vinte dias e conseguiu folga no emprego para a quinta-feira que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga adeus à insegurança de faltar assunto, de não saber que comida pedir, de esconder que está ficando careca, de sorrir com a mão na boca para não mostrar um dente quebrado, de se amostrar bem muito falando sobre as suas qualidades, de contar as histórias engraçadas que viveu e foi herói. O blind date está com os seus dias contados. Salvo, é claro, numa única e absoluta condição: ser cego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5640426539822392677?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5640426539822392677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5640426539822392677&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5640426539822392677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5640426539822392677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/10/encontro-as-cegas-e-mais-charmoso-em.html' title='ENCONTRO ÀS CEGAS É MAIS CHARMOSO EM INGLÊS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1007777794207368115</id><published>2010-10-05T06:01:00.001-07:00</published><updated>2010-10-05T12:20:02.758-07:00</updated><title type='text'>AQUELE NOSSO PÍER</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era um píer. Aliás, era sim. Apesar do tamanho e da simplicidade, cumpria sua função determinada pela regras da engenharia, sendo ‘uma passarela sobre a água, suportadas por estacas ou pilares, permitindo que marés e correntes flutuem quase desimpedidas’. Mas, para mim, não era apenas um píer. Era o lugar onde eu tinha escolhido passar um tempo, depois de abrir a caixa de força da minha cabeça e desligar alguns botões que há tempos não viam descanso. E nós dois estávamos ali, sentados no chão daquele píer gelado. Você tentando adivinhar as estrelas que se escondiam embaixo da noite nublada e eu simplesmente sorrindo do seu jeitinho adorável de apontar para o céu e fingir ser profundo conhecedor de constelações, só para me agradar, garantindo que cumpriria com louvor todos os detalhes românticos do meu antigo imaginário adolescente. Você e os seus olhos, que o famoso poeta descreveria como vertiginosamente azuis e que eu não descreveria com palavra nenhuma, porque elas são tão tímidas e limitadas. E também me lembro do jardim que você me arrastou para conhecer, enquanto tropeçávamos pelas calçadas. O jardim que tinha uma pequena mesa de madeira, com várias cadeiras em volta, e uma placa onde se lia algo que você traduziu como ‘particular’, apesar do portão aberto que permitia a entrada de qualquer um naquele lugar mágico, onde folhas de outono faziam as vezes de tapete, em uma mistura harmônica de laranja, amarelo e vermelho. Um lugar com uma beleza diferente de tudo que eu estava acostumada a ver e com uma perfeição que nem a noite conseguiu disfarçar, endossando as cores do outono na cor das casas que se dispunham em volta, como em um abraço apertado. E, antecipando a minha partida, eu já me despedia de tudo aquilo, sem você saber. Então deixei o tempo congelar lentamente, junto com os poucos graus que ilustravam aquele cenário. Depois de alguns segundos tentando me desconcentrar dos seus olhos azuis, o tempo finalmente parou. E lá estávamos nós, sentados naquela mesa de madeira. Eu, você e a minha liberdade que você colocou no seu bolso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1007777794207368115?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1007777794207368115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1007777794207368115&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1007777794207368115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1007777794207368115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/10/aquele-pequeno-pier_05.html' title='AQUELE NOSSO PÍER'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7458411130297444379</id><published>2010-09-21T13:12:00.001-07:00</published><updated>2010-09-21T13:12:59.249-07:00</updated><title type='text'>PRETA</title><content type='html'>por Andre Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês vão me dar razão quando eu disser que a senhora que conheci, há duas semanas no supermercado aqui do bairro, tinha um quê de insana. Na beira dos seus 70 anos, a curvada consumidora tinha uma fixação doentia por comprar lâmpadas queimadas. Passava horas e mais horas na frente do testador, colocando lâmpada por lâmpada até encontrar uma que não funcionasse. Não tinha outra, se a lâmpada tivesse queimada ia direto pro carrinho. Não tive coragem de perguntar o porquê dessa mania curiosa, até porque essa história nada tem a ver com o texto que vem a seguir. Só mencionei a tal senhora para que eu parece menos louco depois de vocês lerem o que vem adiante. Tenho sido constantemente rechaçado e discriminado pelo módico fato de ser apaixonado por remédios. Meus amigos estão me deixando de chamar para sair, já não recebo mais a convocação para as reuniões de condomínio  e tenho perdido dezenas de seguidores no twitter todos os dias. Assim como tem gente que gosta de lâmpadas queimadas e gente que assiste Raul Gil, eu gosto de remédios, porra. Na verdade, eu amo remédios. Faço questão de ir pra farmácia, mesmo sem ter nada pra comprar. Gosto pelo simples prazer de passear entre as prateleiras. Aquele leve cheiro de éter espalhado no ar, aquela luz branca intimista e aquele colorido mágico de tarjas azuis, vermelhas e pretas. É uma sensação que beira o indescritível. São tantas novidades. Tantos remédios novos para dor de cabeça, para gastrite, para insônia. A vontade que eu tenho é de sair com sacolas e mais sacolas. Acredito piamente (continuo adorando essa palavra) que depois de tomar um remédio, qualquer que seja ele, eu sempre serei uma pessoa melhor do que era antes. Não pode ser genérico, nem muito menos esses homeopáticos que, para curar uma simples dor de cabeça, você precisa tomar 12 gotinhas todos os dias durante uns 5 anos. Tem que ser remédio de verdade, desses com efeitos colaterais e tudo mais. Inclusive não posso ler uma bula que em 5 minutos já sinto todas as reações adversas. E aí, se tomo um remédio pra gastrite, logo começo a sentir dor de cabeça. Então, tomo o remédio pra dor de cabeça e começo a sentir uma dor no fígado. E graças a esse raciocínio, fico tranquilo por saber que nunca precisarei parar de tomar remédio. Inclusive o Google tem me ajudado muito nesse sentido. Se sinto uma dor na nuca e começam a aparecer manchas vermelhas no corpo, vou lá na busca e descubro milhares de resultados. Um mundo novo se abre em frente aos meus olhos. Passo horas me deliciando com todas aquelas possibilidades: faringite bacteriana, hérnia de hiato, síndrome do intestino irritável e assim vai. Claro que tenho consciência que exagero um pouco. Muitas vezes queria tentar ser um pouco menos hipocondríaco. E, é por isso mesmo, que vou deixar aqui a promessa. No dia que inventarem uma cura pra hipocondria, vou ser o primeiro a correr até a farmácia pra comprar o remédio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7458411130297444379?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7458411130297444379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7458411130297444379&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7458411130297444379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7458411130297444379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/09/preta.html' title='PRETA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-880316836735396861</id><published>2010-09-17T13:24:00.000-07:00</published><updated>2010-09-17T13:53:00.459-07:00</updated><title type='text'>É PROIBIDO FUMAR</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia proibiram o cigarro de vez.&lt;br /&gt;Digo, não de uma vez:&lt;br /&gt;Começaram tentando mostrar que fazia mal. &lt;br /&gt;Que dava câncer.&lt;br /&gt;Pulmão, garganta e sei lá mais onde.&lt;br /&gt;Ninguém acreditou.&lt;br /&gt;Ou quase ninguém: um a cada cem fumantes desistiu do cigarro.&lt;br /&gt;Mais ou menos isso.&lt;br /&gt;Aí disseram que fazia mal ao feto.&lt;br /&gt;Que dava mau hálito.&lt;br /&gt;E, novamente, pouca gente levou a serio.&lt;br /&gt;Aí disseram que causava impotência. &lt;br /&gt;Colocaram nas embalagens e tudo.&lt;br /&gt;Cigarros impotentes, homens de cabeça baixa.&lt;br /&gt;O cidadão ia comprar o cigarro e pedia:&lt;br /&gt;Me vê um do câncer aí, Legal. Ou uma enfisema. &lt;br /&gt;Alguns pararam do fumar na mesma hora.&lt;br /&gt;Outros adoraram ter a desculpa.&lt;br /&gt;É culpa do cigarro. &lt;br /&gt;É culpa do cigarro.&lt;br /&gt;Até que veio o baque maior.&lt;br /&gt;Proibiram o cigarro em lugares fechados:&lt;br /&gt;Todo mundo pra varanda.&lt;br /&gt;Aí proibiram o cigarro na varanda:&lt;br /&gt;Todo mundo pra rua.&lt;br /&gt;Aí proibiram o cigarro na rua:&lt;br /&gt;Todo mundo, pra onde mesmo? Como assim?&lt;br /&gt;Então você podia fumar em lugar fechado outra vez?&lt;br /&gt;Não, senhor.&lt;br /&gt;Só em casa, escondido da polícia.&lt;br /&gt;E dos filhos.&lt;br /&gt;Sobretudo dos filhos, educados pela sociedade a discriminar o fumante, desde cedo.&lt;br /&gt;Um amigo, pais de duas meninas, fumava trancado no banheiro, soprando na privada e dando descarga. &lt;br /&gt;Depois colocava desodorante no ar, exatamente como fazia quando começou a fumar, anos e mais anos antes, escondido dos pais.&lt;br /&gt;E teve o problema do tráfico.&lt;br /&gt;Senhores e senhoras subiam a favela para comprar Malboros, Carltons e Frees. &lt;br /&gt;Viciados vendiam celulares, sons de carro, aparelhos de mp3. &lt;br /&gt;Começaram a se endividar.&lt;br /&gt;E o tráfico começou a matar mais fumantes que o câncer. &lt;br /&gt;As blitz se esqueceram do problema do álcool e começaram a fiscalizar os fumantes.&lt;br /&gt;Uma pitada já dava cadeia.&lt;br /&gt;E uma multa enorme.&lt;br /&gt;Fumantes passivos eram presos por engano.&lt;br /&gt;Não dava nem pra dar uma disfarçada, fumando sem tragar.&lt;br /&gt;O Fumômetro pegava tudo.&lt;br /&gt;Ficou cada vez mais arriscado, mais divertido.&lt;br /&gt;Era a nova adrenalina.&lt;br /&gt;Nunca foi tão gostoso fumar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-880316836735396861?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/880316836735396861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=880316836735396861&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/880316836735396861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/880316836735396861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/09/o-nome-mais-obvio-pra-essa-cronica.html' title='É PROIBIDO FUMAR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3350379274083720245</id><published>2010-08-31T05:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T10:11:03.402-07:00</updated><title type='text'>A MÃO DELE NO MEU QUEIXO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sobrevive naquele momento em que eu estou com alguém e minha cabeça se distrai, deslizando meus olhos delicadamente para o lado esquerdo, enquanto a cabeça permanece imóvel, apenas fingindo acompanhar o que a outra pessoa está dizendo. O mesmo momento em que essa outra pessoa coloca a mão no meu queixo e pergunta, em uma caótica mistura de curiosidade e angústia, o que eu estou pensando, na tentativa de arrombar essa porta que eu coloquei entre ela e eu para finalmente entrar na minha cabeça, onde você está confortavelmente alojado. E isso viola minha liberdade de todas as maneiras que você conseguir imaginar. E essa pessoa não sabe, mas essa vai ser apenas a primeira das tantas vezes em que eu vou fazer isso, até encontrar alguém com quem eu queira passar mais do que meia hora em um restaurante ou até o dia em que você parar de sobreviver nesses segundos em que meus olhos procuram um ponto de fuga e ficam concentrados na sua estúpida e desnecessária existência dentro da minha vida. E, com sorte, um dia eu vou ficar parada na frente do microondas, vendo a comida girar, num balé interminável que me coloca em transe, e você não vai aparecer para me lembrar do quanto é um cara incrível, adorável e impossível. E a comida girando vai ser só mais uma comida girando durante cinco minutos na bandeja. E o timer vai alcançar a contagem de 3, 2, 1 e eu finalmente vou voltar a mim, sem sequer ter lembrado de você naquele espaço de tempo ocioso. E esses minutos preciosos vão ser de outro alguém, talvez daquela mesma pessoa que não vai mais precisar virar o meu queixo para me lembrar de que ela está logo ali, bem na minha frente, e não você, e não aquele lugar para onde eu fujo dentro da minha cabeça para encontrar você, rir das suas piadas tímidas, lembrar dos seus olhos, encarar a sua resignação ou para comparar você com os caras que eu conheço. Um dia isso ainda vai acontecer, eu espero, e a minha liberdade não vai ser mais violada pelos seus adjetivos e pela insegurança dos outros, que eu batizo de tempos em tempos com a minha falta de. Falta de vontade, falta de interesse, falta de atenção. Mas se nem assim, nem com o passar do tempo, nem depois de eu conhecer muita gente, você não fizer a gentileza de sair da minha cabeça, então eu quero sair dela, por favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3350379274083720245?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3350379274083720245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3350379274083720245&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3350379274083720245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3350379274083720245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/08/mao-dele-no-meu-queixo.html' title='A MÃO DELE NO MEU QUEIXO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4710045729812856911</id><published>2010-08-16T06:09:00.000-07:00</published><updated>2010-08-16T06:29:24.035-07:00</updated><title type='text'>TOSSE, TOSSE, TOSSE</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar doente já foi bom um dia. Ah, já foi. A gente tinha febre e deitava na cama, coberto até o pescoço por lençóis, enquanto o resto da família nos arrodeava com suco de laranja, biscoitos e gibis. Dependendo da temperatura e do tempo da doença, a televisão poderia, vejam só vocês, ser transferida para os nossos quartos. E televisão no quarto, naquela época, era coisa fina, tipo cinco estrelas. Ficar doente significava ter a mãe que faltava ao trabalho e passava o dia colocando a mão nas nossas testas, ajeitando as cobertas, perguntando se nos sentíamos melhor. Aí a gente colocava aquela cara de filho, olhando de baixo pra cima, e – tosse, tosse, tosse – soltava aquela tossezinha marota, que fazia a mãe se desesperar um pouco, ajeitar o travesseiro e trazer uma colherzinha de xarope que a gente fazia careta só de olhar, já que naquela época remédio tinha gosto de remédio e a gente precisava de um mimo pra poder suportá-lo: chocolate, guaraná Antarctica, um boneco Playmobil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é muito diferente. Remédio é comprimido e você toma com água, recebendo ordens da mãe por telefone porque ela está ocupadíssima no trabalho. A febre passa mais rápido, hoje em dia. É um comprimido a cada seis horas e pronto. Não tem mais essa de ligar pro primo do marido que é médico. Ninguém se desespera para encontrar uma farmácia que esteja aberta de madrugada, prometendo a você que volta logo. É só abrir uma prateleira na cozinha e lá estão todos: o já citado paracetamol, a dipirona e o ácido acetilsalicílico. Prefere qual? Nem escolhem mais por você dizendo: esse é de cereja, tem gosto de chiclete, pode tomar que é gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem também a operação, que antes era em maiúscula e hoje vem, tranquilamente, em letra miúda. Digo mais, essa é uma palavra que um dia vai ter abreviação. Vou ali fazer uma ope. Mas em outros tempos, meu amigo, era coisa séria. Só se falava Operação seguida de um sinal da cruz ou de três toques na madeira. A família vinha do interior, duas semanas antes da cirurgia. A turma, com terço na mão, arrodeando a cama do paciente; os vizinhos que passavam pra cumprimentar oferecendo ajuda. Qualquer coisa é só avisar, é só bater aqui na porta, pode contar com a gente. E havia os presentes. Roupas, livros, bolos-de-rolo, discos de Roberto Carlos. No dia da cirurgia, era uma confusão. Tanta flor, tanta família, tantos amigos, tantos discos do Rei que os corredores ficavam cheios. As pessoas precisavam se revezar na sala. Era necessário algum controle. Tipo um irmão que ficasse na porta para escolher quem entrava, igual a segurança de boate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pobre de quem não fosse visitar o paciente. Entrava sem escalas na lista negra. Persona non grata. E o paciente, que agora era o centro das atenções, secretamente adorava tudo isso. Por exemplo, deixava claro, bem à mostra, o braço com o soro injetado. Ficava com o corpo meio mole, a voz meio rouca, meio cansada. E fazia caras, fazia caretas, interrompia as conversas que tivessem qualquer tema que não fosse ele. Se alguém começasse a falar da novela, soltava um aaaai, bem assim, bem demorado. Aí imediatamente alguém saía correndo para chamar a enfermeira, enquanto milhões de mãos apertavam as suas carinhosamente, alisavam seus cabelos, buscavam um copo d’água. Muita gente virou ator profissional depois de uma cirurgia. Descobriram, deitados na cama do hospital, uma vocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias sem graça em que vivemos, você é operado e sai no mesmo dia. Não dá tempo nem de terminar uma cruzadinha, nem de ler a Veja. Sem contar que os amigos só se inteiram pelo Facebook. É difícil receber uma visita no hospital, hoje em dia. Ligam do celular, fazem uma piadinha. E o presente é um tapinha nas costas. No máximo. Fora isso, ninguém exibe mais, orgulhoso, uma cicatriz. É tudo na base da laparoscopia. Antes, não. Antes você tirava a camisa na praia, dando a maior pinta de que estava vivendo pela segunda vez. Antes você tinha um assunto para usar nas paqueras de bar, afirmando que ainda estava se recuperando de uma importante Cirurgia, com C maiúsculo, obviamente. Antes você ganhava um beijo da prima do interior, que dizia: É pra ver se você fica bom logo, primo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas amanhã vai ser pior. Ainda pior. Amanhã, depois de tomar uma pílula, a vesícula vai sair assim que você for ao banheiro fazer o número dois. Amanhã um comprimido efervescente vai desinflamar o apêndice. Se você pensa em adoecer, meu amigo, aproveite agora. Adoeça hoje. Amanhã vai ser complicado. Nem faltar ao trabalho você vai poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;texto originalmente publicado no www.shoppingrecife.com.br/30anos/blog&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4710045729812856911?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4710045729812856911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4710045729812856911&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4710045729812856911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4710045729812856911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/08/tosse-tosse-tosse.html' title='TOSSE, TOSSE, TOSSE'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-339015533331129943</id><published>2010-08-09T11:26:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T06:15:02.816-07:00</updated><title type='text'>O SILÊNCIO DO NOSSO CAPACHO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é aquela coisa que não é. Aquele pensamento cansado que incomoda no final do dia porque fica passeando há longos meses na minha cabeça, entre a existência e a não-existência, testando até quando a minha capacidade de compreender, logo eu, que acho que dois mais dois não faz o menor sentido emocional de existir. E às vezes penso que você é fruto da minha imaginação, e eu fico te recriando dentro da minha cabeça, até o dia em que você virar uma grande frustração, porque ninguém, nem mesmo você, vai conseguir ser tão perfeito quanto eu te adivinho, toda vez que eu te revejo e odeio cada parte minha que simpatiza com todas as partes de você. E você tem medo, talvez, e eu também tenho. Mas, confesso, com toda essa estranheza psicológica que você me causa, que tenho mais medo de virar aquele pó que a gente fica varrendo pra debaixo do tapete, até o dia em que ele vira uma coisa suja, impossível de limpar e de transformar numa coisa bonita, só porque chegou a hora apropriada. E não é só isso. Sabe quando a gente se vê? É estranho. Minha vida não para, não sinto borboletas na barriga, não fico com a mão gelada e meu corpo te reconhece, talvez porque ele já esteja tão acostumado a ver você na minha cabeça diariamente. Mas, de novo, você não foi e você continua não sendo. E eu tenho essa vontade de que não seja nunca, só pra me vingar secretamente de todo o espaço oco e gratuito que você ocupa dentro em mim. Mas aí eu te encontro e perco a raiva. E na sequência de tantas baixas que você vem me causando ao longo do tempo, perco as palavras, os argumentos, a vontade, a noção de tempo, o bom senso e, pela centésima vez, perco você, e você me perde. Até o dia em que eu cansar dessa angústia de ir e vir, de tocar e não tocar, de dizer e não dizer, nessa coisa que é e não é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-339015533331129943?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/339015533331129943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=339015533331129943&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/339015533331129943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/339015533331129943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/08/o-silencio-do-nosso-capacho.html' title='O SILÊNCIO DO NOSSO CAPACHO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3924564893634935484</id><published>2010-07-11T07:47:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T07:00:22.063-07:00</updated><title type='text'>A TRISTEZA LHE CAI BEM</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A angústia consumiu todo o seu peito, eufemismo de pulmão, e você desistiu de fazer poesia, porque você passeia pelo oito ou pelo oitenta com a mesma frequência com que vai ao parque correr. Você não sabe se corre de algum lugar ou para outro lugar, mas continua mesmo assim, até sua perna e seu tornozelo se machucarem, depois de desistirem de andar atrás dessa sua fé impregnada de náuseas sartreanas, que você tenta queimar na fogueira, acendendo vela branca para salvar a sua alma do buraco do ceticismo. Tem essa risada boba e esse jeito meio infantil de se vestir, coisa de espírito livre, mas revela um sorriso desenvergonhadamente sério, acompanhado por olhos extremamente confusos e cabelos bagunçados, que lhe conferem uma angústia quase adotiva quando anda pelas ruas na luz amarelada do final do dia. E como você adora essa luz. Fica trocando de calçada feito uma louca, a cada cinco metros, só para acompanhar a despedida do sol, enquanto você tenta desesperadamente distrair esse seu lado escuro e questionador com um pouco de claridade, porque você tem aquela história de ‘sentir uma insolação quase febril de inconsciência do resto do mundo’. E como você gostaria de um pouco de inconsciência, meu Deus. Talvez você dormisse mais. Talvez você sonhasse mais. Talvez você usasse menos ‘sim’ e ‘não’ e tentasse um ‘talvez’. E de uns tempos pra cá, alguma coisa em você mudou. E você anda por aí com essa alegria constante, até meio vendida, no meio de tantas perguntas a se fazer, a se responder, mas que você ignora fazendo crônicas estúpidas com conclusões estúpidas, tornando você mais uma em qualquer lugar que vai, apesar de não se importar, apesar de achar que não, tantos apesar de. E, imediatamente, eu lembro de você passando pela portaria de cabeça baixa, com o cabelo preto preso em um rabo de cavalo alto e alguns fios caindo nos olhos, cheios de resto de maquiagem preta, que insistem. Você ainda enjoada dos seus próprios erros de menina, procurando nos bolsos algum resto de poesia, enquanto atropela, pelo chão, alguns pedaços das suas próprias vontades, que você esqueceu em algum lugar. E tudo isso, toda essa intensidade, tinha uma certa beleza, sabe? A tristeza lhe cai bem. Porque a alegria, quando freqüente demais, corre aquele pequeno risco de se vulgarizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3924564893634935484?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3924564893634935484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3924564893634935484&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3924564893634935484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3924564893634935484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/07/tristeza-lhe-cai-bem.html' title='A TRISTEZA LHE CAI BEM'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4333494134395624950</id><published>2010-06-28T09:55:00.001-07:00</published><updated>2010-06-28T09:55:47.549-07:00</updated><title type='text'>SEGUNDO</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito provável que no dia 18 de fevereiro de 1980, lá em Natal, quando minha mãe estava deitada na mesa de parto prestes a dar luz à minha pessoa, o médico tenha se aproximado dela e dito baixinho “Dona Cristina, eu vou só aqui na sala ao lado fazer um partinho rápido e em seguida volto pra tirar seu filho daí”. É muito provável também que aí, nesse exato momento, tenha nascido essa síndrome que já me acompanha há tanto tempo: a triste realidade de ser sempre o segundo. Uma tormenta que, espero eu, não seja uma exclusividade minha. Definitivamente, algumas pessoas nascem nesse mundo para serem as segundas. E quis o destino que eu fosse uma delas. Na verdade não é só o destino, acredito que no fundo eu também queira isso. Se eu chegar no cinema e encontrar todas as bilheterias vazias, por exemplo, vou dar uma volta pelo shopping até que a fila comece a ter pelo menos uma pessoa. A mesma coisa na academia. Nunca vou para um aparelho se ele estiver vazio. Tenho medo de chamar muita a atenção das pessoas. Dificilmente vou ser o primeiro a dar em cima de uma menina linda na boate. Mesmo que a menina linda esteja olhando pra mim, mordendo os lábios e levantando sutilmente o vestido. Provavelmente eu nunca serei a pessoa que alguém mais amou na vida. Nem serei a pessoa mais legal, mais inteligente ou mais descolada que você já conheceu. Acredite em mim, no máximo, mas no máximo mesmo, eu serei a segunda. Bom, é isso. Preciso correr agora pra ver o jogo do Brasil. E espero muito que se ele não ganhar essa copa, que pelo menos fique em segundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4333494134395624950?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4333494134395624950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4333494134395624950&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4333494134395624950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4333494134395624950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/06/segundo.html' title='SEGUNDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8391912389440293915</id><published>2010-05-31T11:13:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T13:32:09.889-07:00</updated><title type='text'>LOVE IS NO BIG TRUTH</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, assim como a música, tudo que eu também tenho feito o dia inteiro é dormir e pensar em você. E eu estou tão exausta dessa obrigação de descansar que às vezes eu me pego despertando mesmo já estando acordada há tantas e tantas horas, como se o tempo não passasse nunca na minha janela. Isso porque  meu corpo desistiu de acompanhar a minha cabeça depois do décimo passeio que fiz hoje pelo supermercado, tentando achar nas prateleiras algum sentido para aqueles dias vazios ou tentando comprar, com o meu cartão de crédito, alguma coisa que me cause tanta alegria no estômago quanto a sua voz e os seus olhos. Mas a música corrige e repete, com uma melodia deliciosa, que o amor não é nenhuma grande verdade. Não, o amor não é nenhuma grande verdade. Com uma enorme flor branca nos braços, resultado de uma velha promessa que eu fiz e não consigo cumprir nunca, eu volto para casa discordando daquilo. É, eu discordo. Porque eu escuto a risada de Clara do outro lado da linha, enquanto ela brinca com os óculos de moldura vermelha, e eu me sinto tão viva que crio coragem de ser feliz sempre que a gargalhada debochada dela me pedir. Porque as palavras doces da minha mãe são o meu travesseiro, e esse jeito incorrigível que ela tem de botar fé no mundo é o que alimenta todos os dias o que sobra da minha poesia distraída. Porque eu decido ir para casa ver a minha família e, de repente, tudo faz muito sentido e eu perco essa expressão subliminar que me acompanha de segunda a sexta. Porque eu gosto de ouvir a sua voz e ela me acalma e eu sei que vai ficar tudo bem, porque você é o tipo de pessoa que sempre faz isso com os outros e porque eu sou o tipo de pessoa que sempre se apaixonaria por você, quantas vezes você quisesse. E, por fim, mas não por falta de outros argumentos, porque o amor, se não for uma grande verdade, é a única mentira que a vida precisa para ser muito, mas muito boa mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8391912389440293915?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8391912389440293915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8391912389440293915&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8391912389440293915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8391912389440293915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/05/love-is-no-big-truth.html' title='LOVE IS NO BIG TRUTH'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6090123883702710491</id><published>2010-05-03T19:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T19:40:35.785-07:00</updated><title type='text'>GPS FOLGADO É AQUELE QUE USA RETICÊNCIAS</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o meu sogro (que, por sinal, é muito gente boa, um ótimo pai e eu espero que esteja lendo isso) veio visitar a gente em Buenos Aires, passou três dias. Nada mais que isso. Nesses três dias, nenhum a mais que isso, levei ele para todo canto. E, naturalmente, me perdi um bocado. Eram voltas imensas, ruas e mais ruas da mais pura enrolação, que já virou minha marca pessoal. Pegava a direita ao invés da esquerda, perdia a entrada da rua porque estava conversando, esquecia do endereço, essas coisas. Resultado: ganhei a fama de ser o sujeito mais sem noção de norte, sul, leste e oeste do mundo. E, de presente, um gps.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas semanas seguintes eu e Cecília entrávamos no carro e pá: direita, esquerda, siga 750m e pumba: bandeirinha de chegada (lembrete: eu não sou mamão, o gps realmente mostra uma bandeirinha de chegada). Além de tempo, economizava gasolina e a péssima música argentina tocando no rádio. É o famoso dois coelhos com uma cajadada só. Mas um dia eu coloquei o destino Av. Antartida Argentina 1325 e achei estranho quando ele me mandou parar na Libertador 3421, bem em frente a uma banquinha de revista. Tudo bem, o gps sabe mais que todo mundo. É super atualizado, tem satélites. É mais inteligente do que eu e Cecília juntos. Se jogasse Master seria o campeão, aposto. De última, a prefeitura trocou o nome dessa rua e ainda não mudaram a placa, foi o que pensei. Daí desliguei o carro pra descer. Foi quando escutei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moço, pra chegar na Avenida Antartida, como faço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhei. Eu conhecia aquela voz. Era a mesma voz que me mandava reduzir a velocidade quando eu ultrapassava 60 km/h (opa, acertou quem se antecipou e já sabe que era o gps). Era o gps! Falava com o homem da banquinha de revista que, por sinal, respondeu numa boa. Duas para direita e uma pra esquerda. Sem erro. O gps falou Gracias e seguimos caminho. Chegamos rápido, inclusive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a primeira dele. Outra foi quando eu percebi que tinha passado várias vezes pelo mesmo lugar e ele nunca me dizia onde era, nunca colocava a bandeirinha de chegada. Perguntei se ele tava de sacanagem e ele disse que adorava aquela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem umas casas lindas, estilo colonial. Olha só essa varanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda me mandou morar por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele seu AP não tem nem garagem… sinceramente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um gps folgado. Usava reticências e tudo. Assobiava pras meninas na rua. Pedia pra eu trocar de música, gritando Basta de tanto samba! Ou então cantava meus sambas e esquecia de me dizer pra onde ir. Era um gps folgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam essa. Coloquei o endereço Juan B Justo, esquina com a Pedro Calderón de La Barça, porque tinha que visitar uma produtora que fica aí. Sabe o que ele fez? Deu a direção dessa mesma rua, mas em Córdoba. Como, Córdoba? Eu tô em Buenos Aires (e atenção, esse parentêses não tem nada a ver com o texto, é só pra mandar um abraço pro meu amigo Tarta). Tentei outra e outra vez e ele insistiu em Córdoba. Quando eu já ia lá pela quarta tentativa, ele falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos viajar um pouquinho, pegar estrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diz no trabalho que ta doente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Córdoba fica a mais de 1.000 km daqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então… diz que tá com a gripe suína. Eles te dão dez dias fácil…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma reta só. Vamos. Fico calado a maior parte da viagem, é só você não ultrapassar o limite de velocidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já falei que não. Preciso ir na Juan B Justo, aqui na Capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente nunca viajou. Vamos. Deixa de ser careta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisti outra vez e ele insistiu em Córdoba, outra vez. Desliguei. Guardei no porta luvas - por pouco não jogo pela janela. Agora preciso saber onde fica a Juan B Justo, esquina com a Pedro Calderón de La Barça. Alguém aí, por um acaso, saberia me dizer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6090123883702710491?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6090123883702710491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6090123883702710491&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6090123883702710491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6090123883702710491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/05/gps-folgado-e-aquele-que-usa.html' title='GPS FOLGADO É AQUELE QUE USA RETICÊNCIAS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6502259417802583977</id><published>2010-04-22T05:42:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T05:44:52.153-07:00</updated><title type='text'>PEDIDO</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou uma pessoa muito de televisão. No máximo, me dedico a um ou outro seriado. House quase sempre. The Tudors vez ou outra. 30 Rock quase nunca. Acontece que por um novo posicionamento na minha vida profissional, estou chegando em casa ainda a tempo de ver William Bonner e sua digníssima esposa. Confesso que tenho me assustado com a sensação de a mídia estar confabulando para um grande caos mundial. É avião que cai, morro que desaba, terra que treme, vulcão que explode e toda espécie de desgraça mundo afora. E aí, quase como uma defesa do subconsciente, acabo indo dormir pensando sobre como será minha morte. Sem querer entrar em mais detalhes sobre o assunto, mas já aproveitando a oportunidade, eu gostaria muito de fazer um pedido ao moço lá de cima, na esperança, é claro, de que ele leia esse blog. Seja lá como acontecer, por favor, me dê 30 segundos antes de eu morrer. 30 segundinhos. Nem mais, nem menos. Mas vamos às condições. Esses 30 segundos não podem ser de desespero, ok? Tipo procurando a saída de emergência ou levando eletrochoques no peito. O acordo é esse: eu não posso morrer de uma hora pra outra, sem ter consciência de que vou morrer, mas preciso de 30 segundos de intervalo entre eu saber que vou morrer e minha morte propriamente dita. 30 segundos de silêncio. De tranquilidade total. Como nos filmes, quando uma bomba explode e, de repente, tiram totalmente o audio para mostrar o ator em estado de catarse total. Ou quando o mocinho que também é lutador de boxe leva um murro enorme, cai no ringue e começa a ver imagens da namorada, do mestre que morreu e por aí vai. Pronto, é exatamente isso que eu quero. Ainda não parei pra pensar no que vou fazer com meus 30 segundos. Não sei se vou lembrar de quanto tinha 5 anos e minha mãe me pegou fazendo xixi no telefone. Não sei se vou lembrar de você que dormiu do meu lado no dia que eu bati o carro. De você que me fez ir num culto evangélico assim do nada. Ou de você que me deu aqueles pratos quadrados. Talvez acabe pensando em coisas insignificantes. Do filme que eu precisava devolver na locadora. Do iogurte de pêssego que deixei na geladeira pra tomar no final de semana. De ligar pra TV a cabo e dizer que eu também quero assinar o HBO. Não importa. Eu preciso, por favor, desses 30 segundos. É um direito meu. É um momento para eu ter medo e dizer “poxa, não podia ser agora” ou ter paz e pensar “tudo bem, já valeu a pena mesmo”. E então, estamos de acordo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6502259417802583977?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6502259417802583977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6502259417802583977&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6502259417802583977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6502259417802583977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/04/pedido.html' title='PEDIDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-329994147915172898</id><published>2010-04-06T15:04:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T06:45:27.318-07:00</updated><title type='text'>VOCÊ BEM QUE PODIA SER ABDUZIDO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que você incorpora essa atitude insuportável, tentando minimizar as minhas complexidades humanas a pequenos estereótipos existencialistas de filme de cineasta sueco, eu tenho vontade de me afogar na xícara de cafezinho ou de abrir meu casaco de mulher-bomba e me detonar ali mesmo, só pra não ouvir os seus absurdinhos de gente absurdinha. Ou me transporto pra um computador e imagino a gente brincando de Call of Duty. Fico em dúvida entre a metralhadora e outra arma, mas acabo escolhendo a granada, só pra ver esse seu ego inflado chovendo em cima de mim, junto com todos os seus outros pedacinhos aparentemente seguros e certos de si. E, por algum motivo inimaginável, isso me acalma muito mais do que contar até 10. Até porque da última vez eu parei no 599 e você ainda estava lá, filosofando sobre coisas que realmente me entediam. Mas, pra ser honesta, isso não acontece sempre. Às vezes eu simplesmente faço promessas estúpidas, como assistir toda a odisséia aquática de Jacques Cousteau ou aprender japonês em linguagem de sinais, mas só se você parar de falar logo. Ou penso em escrever para a Ana Maria Braga e sugerir um intercâmbio com o Louro José, mas a Ana alega que não gostaria de acordar às 5 horas da manhã do seu lado. E, conhecendo o seu humor, eu entendo. E o pior é que eu gosto de você e daquele seu lado doce, carinhoso e inquestionável. Mas, no meio disso tudo, sempre tem aquele momento em que eu gostaria muito de realizar aquele seu sonho vulgar de ser astronauta pra poder te mandar pra Plutão, que até deixou de ser planeta, mas que continua sendo minha referência de lugar longe, só pra finalmente tirar férias prolongadas desse seu jeitinho arrogante de gostar muito de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-329994147915172898?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/329994147915172898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=329994147915172898&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/329994147915172898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/329994147915172898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/04/voce-bem-que-podia-ser-abduzido.html' title='VOCÊ BEM QUE PODIA SER ABDUZIDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-101786730946929121</id><published>2010-03-23T15:19:00.001-07:00</published><updated>2010-03-24T09:44:01.770-07:00</updated><title type='text'>JÁ É DIA 24, MARI, E EU ESTOU LONGE DE VOCÊS</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é dia 24, Mari, e eu estou longe de vocês. É dia 24 e tenho o rosto enfiado na janela, espiando os edifícios à minha frente. São várias luzes acesas, onde vejo famílias reunidas ao redor de uma mesa. Nessas mesas, Mari, eu vejo muita comida, Coca-Cola, vinho, salgadinhos, sanduíches, queijos, presuntos. Atrás dessas mesas, Mari, vejo árvores de Natal. Com presentes, com luzes que piscam, com enfeites. Já é dia 24, Mari, e eu estou longe de vocês. Fecho os olhos e deixo de espiar por uns segundos as salas do outro lado da rua. Fecho os olhos, Mari, e olho para a nossa sala. A sala do nosso apartamento em Casa Forte. Estamos nós dois, estão mainha e Tuca. Estamos os quatro sentados na cozinha, beliscando coxinhas e melando torradas em algum patê. Bebemos cerveja, eu e Tuca. Bebem vinho, vocês duas. Nossa mãe está feliz como em todos os domingos em que junta os filhos, mas hoje está um pouco mais feliz, porque é uma noite especial.  É dia 24, Mari. A gente janta, com cuidado para não encher demais a barriga, porque depois ainda tem a casa de vovô, com painho e os dois bilhões de tios e primos. Depois de comer, seguimos pra árvore de natal, que tem uma decoração nova a cada ano, com coisas do mundo inteiro. Anjinhos, bolinhas, Papais Noel em miniatura, bengalas e luzes que piscam o tempo inteiro, inclusive durante o dia. Fecha os olhos também, Mari, e tenta lembrar da música que tem as luzes da nossa árvore. Nossa mãe está feliz, Mari, entregando os presentes, recebendo os presentes, explicando os presentes. Tuca como sempre compra algo para cada um e, como sempre, abraça mainha como se ainda fosse criança, quase tão feliz quanto ela. Nossa mãe está sorrindo, Mari, tentando esquecer que é mais um natal que passa longe dos pais e dos irmãos, que estão em Fortaleza, São Paulo e Brasília. É o primeiro natal que passo longe dos meus pais e dos meus irmãos, Mari. Por isso tenho o rosto enfiado na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria esse natal? Será que Tuca compraria presente pros três? Será que mainha compraria o mesmo pra mim e pra ele, no eterno esforço de não causar ciúmes em dois filhos que têm a mesma idade? E tu, Mari, teria passado o dia fuçando as embalagens, tentando descobrir o que cada um vai ganhar? Agora, depois do jantar, vamos os filhos para a casa de vovô, onde tudo continua bem parecido também: os tios e primos gritam o nome de algum tio ou primo quando alguém começa o amigo secreto dizendo "A minha amiga secreta..."; a mesa redonda com um milhão de comidas me vai encher a barriga e me impedir de tomar muita cerveja, empachado; os presentes, depois de dados, ficarão em cima dos sofás da sala ou dentro dos carros que chegaram cedo e conseguiram vaga no jardim. Mas sabe de uma coisa? Eu não me divirto mais na casa de vovô desde que vovó não distribui mais os seus presentes, do lado da árvore, com as sete tias repetindo o que ela fala. Rudrigo! Cadê Rudrigo? Presente de vovó para Rudrigo! Rudrigô! Eu não me divirto mais. No último ano, empachado, voltei cedo pra casa. Saí em silêncio e me sentindo culpado. Acontece que simplesmente não conseguia mais me divertir com aquela árvore cheia de enfeites e presentes, mas vazia sem vovó. Voltei cedo pra casa e, por sorte, painho também. Ficamos os dois conversando na varanda. Com certeza ele sente mais a falta dela do que eu e também não quis esperar a noite terminar. Ficamos na varanda, pai e filho conversando sobre qualquer coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu não tenho mais varanda, Mari, tenho o rosto enfiado na janela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-101786730946929121?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/101786730946929121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=101786730946929121&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/101786730946929121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/101786730946929121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/03/ja-e-dia-24-mari-e-eu-estou-longe-de.html' title='JÁ É DIA 24, MARI, E EU ESTOU LONGE DE VOCÊS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7037594812938720131</id><published>2010-03-13T15:36:00.001-08:00</published><updated>2010-03-14T03:39:07.222-07:00</updated><title type='text'>FILMINHO</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero de verdade que esse tipo de coisa não aconteça apenas comigo.&lt;br /&gt;Só assim eu vou me sentir uma pessoa menos problemática.&lt;br /&gt;Acontece que desde os 13 anos, eu penso num troço esquisito.&lt;br /&gt;Fico imaginando que de alguma maneira a minha vida está sendo assistida lá em cima. &lt;br /&gt;É como se existisse uma sala de cinema com uma plaquinha escrita “André Muhle” na frente. &lt;br /&gt;E aí vão entrando meus amigos e parentes que já tenham morrido, &lt;br /&gt;todos com sacos enormes de pipoca e copões de refrigerante. &lt;br /&gt;Tem também aquele povo que não me conhece, mas que vai assistir mesmo assim &lt;br /&gt;na esperança de ocupar melhor suas tardes de quarta feira. &lt;br /&gt;É meio mórbido, eu sei. Mas é assim e pronto. &lt;br /&gt;Por outro lado, isso me ajuda em vários pontos, principalmente quando estou sozinho &lt;br /&gt;em algum lugar. Sabe quando você pensa “poxa, queria que tivesse mais alguém aqui pra eu dividir isso”?&lt;br /&gt;Então, eu não penso assim. Porque sei que a platéia está todinha lá com os olhos &lt;br /&gt;vidrados na tela. Talvez até com óculos 3D, já que agora tá na moda. &lt;br /&gt;Bom, o que eu quero dizer e não to conseguindo até agora é que pensar assim &lt;br /&gt;faz eu querer, sempre, deixar minha vida menos enfadonha e monótona. &lt;br /&gt;Assim a platéia não pega no sono nem fica olhando pro celular de 20 em 20 minutos. &lt;br /&gt;Semana passada eu tava vendo aquele filme Transformers e uma cena me chamou a atenção.&lt;br /&gt;Logo no início, quando pela primeira vez o robô gigante se transforma num carro e abre&lt;br /&gt;automaticamente a porta para os mocinhos do filme entrarem. &lt;br /&gt;Enquanto a menina bonitinha parece hesitar, o que é bem plausível, &lt;br /&gt;o garotão vira pra ela e pergunta assim “Daqui a 50 anos, você vai querer dizer &lt;br /&gt;que entrou ou que não entrou nesse carro?”. &lt;br /&gt;Imediatamente ela pulou pro banco de passageiros. &lt;br /&gt;Sempre que escuto comentários do tipo “tem que ser muito louco pra fazer &lt;br /&gt;uma coisa dessas”, “tem que ter muita coragem pra ir morar naquele fim de mundo” &lt;br /&gt;ou “só uma pessoa sem juízo abriria mão de um futuro tão promissor”,&lt;br /&gt;eu tenho a plena convicção de que estou no caminho certo. Juro. &lt;br /&gt;Talvez porque toda vez em que cogite seguir o caminho mais óbvio, mais seguro, &lt;br /&gt;eu me lembre da platéia lá de cima. De como eles devem estar torcendo pelas cenas de&lt;br /&gt;emoção, de suspense. Entre um sapato preto e um verde, eu vou sempre preferir o verde.&lt;br /&gt;Entre um país comum e outro onde eu vou me perder, eu vou preferir o segundo. &lt;br /&gt;Entre abrir uma porta onde do outro lado eu sei que está uma loira sensual de lingerie&lt;br /&gt;e outra porta onde o que está por trás é um grande mistério, um suspense,&lt;br /&gt;é claro que eu vou abrir a porta da loira, até porque eu não sou idiota. &lt;br /&gt;Bom, é isso. Resumindo tudo isso então: dá próxima vez que você se deparar com algum robô enorme&lt;br /&gt;se transformando num carro, não pense duas vezes, abra a porta e entre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7037594812938720131?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7037594812938720131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7037594812938720131&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7037594812938720131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7037594812938720131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/03/filminho.html' title='FILMINHO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6914646577035510258</id><published>2010-03-04T07:15:00.000-08:00</published><updated>2010-03-04T07:23:12.796-08:00</updated><title type='text'>EU AVISEI PARA VOCÊ NÃO ABRIR ESSA GAVETA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha aquela certeza que a gente coloca dentro do bolso, rezando para que ele esteja devidamente furado, no tamanho exato para que algo escape enquanto as pernas vão embora correndo. Aquela certeza que a gente coloca na última prateleira do armário, lá em cima, empurrando para trás todas as outras coisas que você só usa uma vez por ano, e olhe lá. Aquela certeza que a gente enfia debaixo dos cinco travesseiros da cama, impossibilitando qualquer busca quando a cabeça desiste do dia e se deita. Aquela certeza que a gente enfia no capacho da porta, impedindo que ela sequer entre em casa junto com você, pelo  menos naquela noite, por favor. Aquela certeza que a gente empurra na despensa com as costas, até ela encontrar um cantinho milimétrico entre o chocolate amargo e o chá verde. Aquela certeza que a gente afoga no banho, debaixo da água fria e corrente, pra ela entrar pelo ralo e ir embora de vez, quem sabe. Aquela certeza que a gente joga na bolsa no meio de um monte de treco e só acha três meses depois, quando ela começa a ficar maior que você. Aquela certeza que a gente enfia debaixo do sofá, seguido de um arrepio nos ombros, um movimento que varia entre vergonha, estranheza e repulsa, porque faz você parecer errada, confusa e perdida. Aquela certeza que não dorme, não come, não se distrai, não muda de casa e não sai de você. Aquela certeza que a gente tem quando uma coisa parece perfeita, mas, no final das contas, não cabe no seu dia, não encontra um lugar no seu ombro, não faz cócegas na sua alma, não arruma uma vaga na segunda, não torce pela sexta-feira, não comprime a sua cabeça e nem fica no seu telefone. Então sabe toda essa minha certeza de que te falei? Um dia desses, por descuido seu, ela escapou da gaveta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6914646577035510258?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6914646577035510258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6914646577035510258&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6914646577035510258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6914646577035510258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/03/noite-em-que-certeza-escapou-da-gaveta.html' title='EU AVISEI PARA VOCÊ NÃO ABRIR ESSA GAVETA'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1483877832617887835</id><published>2010-02-19T07:41:00.000-08:00</published><updated>2010-03-01T11:22:26.770-08:00</updated><title type='text'>FALTA MUITO POUCO PARA EU COMPRAR MINHA PASSAGEM DE VOLTA</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo, estou falando de meses, eles vão começar a falar Cara, Bacana e Legal. Logo em seguida, comprarão os tênis da Nike, desses que vêm com molas e, quando a gente menos esperar, terão brilhos em suas camisas, além de muitas cores. Em pouco tempo as pessoas vão se desejar Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite e dizer Até Logo, quando forem se despedir. Não sei se a 10 vai ser de Pelé, mas a 9 está garantida para Luis Fabiano. Os dez por cento virão dentro da conta e Propina vai se chamar Gorjeta. Na Plaza Dorrego, na Florida e na feirinha da Recoleta as escolas de samba desfilarão suas mulatas, seus pandeiros, tambores e chocalhos, com um chapéu panamá para arrecadas uns trocadinhos depois. Algumas ruas vão mudar de nome, mas isso não vai ser tão rápido nem tão simples assim. Em cinco ou seis anos a Avenida del Libertador vai virar Rui Barbosa, a Santa Fe será a Juscelino Kubischek e o famoso bairro de San Telmo terá seu nome definitivamente cambiado, digo, mudado para São Telmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próximos edifícios serão construídos com jardins e, em cada jardim, um playground colorido divertirá as crianças – nada de praças. Os cachorros serão mais brabos, mais poodles, mais histéricos e terão que ser carregados em coleiras. Onde hoje ficam os Bosques de Palermo em pouco tempo – pouco mesmo – estará um shopping – o maior da America Latina. Em trinta por cento dos muros das cidades terão pixadas frases comunistas, contra todo e qualquer presidente, ainda que seja ele um comunista. E isso não vai demorar. Porque na Plaza Belgrano as cartomantes já falam Sorte, Dinheiro e Marido sem sotaque. Na Plaza Serrano, alguns garçons se viram ao escutar Capitão, Companheiro, Mestre, Parea, Chefe, Camarada, Cumpade e Irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as padarias terão coxinhas. Com catupiry nas melhores. Os sucos congelados de cajá, cajú e maracujá ocuparão finalmente um espaço nas prateleiras dos supermercados chinos. Depois as estradas serão ampliadas para receber as centenas de ônibus que invadirão o país com câmeras, bonés e camisas da Lacoste e levarão sacolas e mais sacolas da Florida, das Galerías Pacifico e dos outlets da Córdoba -  que serão ampliados em trinta por cento. O tango não será substituído pelo samba, mas seu Jorge fará sucesso com uma versão remixada dos dois ritmos. Ao invés de tomarem mate num sábado à tarde, tomarão cerveja. Bem gelada e dentro de uma camisinha. Comendo coxinha. Os isonôs finalmente serão vendidos e lotarão as malas dos carros, as varandas das casas, as bordas das piscinas. Gelos serão vendidos por todos os lados, o Fernet com Coca será abolido, o vinho ficará um pouco mais caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vai ser fácil no começo, mas depois de algum tempo – ainda não se sabe quanto – os mullets serão cortados – sim, isso vai acontecer - e substituídos por penteados espetados por gels. O hot dog, que atualmente é chamado de Pancho, será Cachorro Quente ou Dogão e terá tomate, cebola, milho, ervilha, batata palha e queijo ralado. Catchup, maionese e mostarda. Andres Calamaro gravará um disco de Caetano, Charly Garcia vai cantar bossa nova e o axé vai continuar do mesmo jeito, porque já é muito famoso por aqui. Boca e São Paulo vai ser o clássico dos clássicos. O Sport continuará sendo o campeão brasileiro de 87, mas alguns taxistas discordarão. Os voos serão todos diretos: Cabrobó Buenos Aires sem vírgulas e sem escalas. Vinte e um de abril, sete de setembro, doze de outubro, dois de novembro, quinze de novembro e oito de dezembro serão feriados nacionais. A praça Brasil, que hoje é abandonada, marginalizada, em pouco tempo será revitalizada e entrará nos guias com shows de Ivete Sangalo, todos com faixinha na cabeça, cerveja Brahma, loló e pulando com seus tênis de mola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1483877832617887835?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1483877832617887835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1483877832617887835&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1483877832617887835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1483877832617887835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/02/cabrobo-buenos-aires-sem-escalas.html' title='FALTA MUITO POUCO PARA EU COMPRAR MINHA PASSAGEM DE VOLTA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6036755210988382143</id><published>2010-02-09T10:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T10:04:34.523-08:00</updated><title type='text'>ELES</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm a malícia, a malandragem, o jeitinho sem querer de pisar na bola, como criança quando quebra um vaso, só pra ver se parte mesmo. E nós partimos, partimos mesmo. Em duzentos pedaços, colados, trincados, suados, recolocados. Amamos beijos, abraços, promessas. Promete o mundo que prometo acreditar, meu bem, minha casa, meu quase nada. Abre os braços, a vida, o caos, o lapso, vai que eu abraço. Minto eu, mentes tu, mas mentimos juntos. Mente pra mim. Minto pra mim também. Juro. Amamos ser enganadas, letradas na arte de amar, erradas. Apostamos alto, sempre. No pôquer, na loteria, no amor. Uma chance em um milhão. Vai que acertamos. Apostamos hoje, amanhã e depois, mesmo com o vaso sem um pedaço. Ou dois, ou três ou quatro. Amamos com fé, com alma, mas sem corpo fechado. Mutilado, cansado, sofrido, estendido no chão depois de morrer de vocês. Somos as outras. As outras, das outras das outras, até vocês fecharem o círculo passando por todas, com o nosso amor espalhado em bocas, com nossa dor zombada por outras. Mas abraça, beija, pede desculpa e faz graça. Em troca reclamo, te chamo, te amo, me engano. E, mais uma vez, faço do meu coração tua casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6036755210988382143?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6036755210988382143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6036755210988382143&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6036755210988382143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6036755210988382143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/02/eles.html' title='ELES'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1764804346444551910</id><published>2010-01-18T17:09:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T17:17:39.261-08:00</updated><title type='text'>POR BEM</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por bem ou por mal, algumas coisas vão acompanhar nossas vidas para sempre. Por bem, elas servirão de inspiração para uma série de outras coisas. Por mal, elas ficarão nos fazendo sentir culpados por nossos erros e tropeços. Seja como for, é sempre melhor se concentrar nas primeiras. Hoje eu estou terminando a minha mudança. E acreditem, mudar de apartamento é como mudar de namorada. Você começa a comparar algumas questões como espaço, barulho e economia. Na grande maioria das vezes você termina por descobrir que não fez um bom negócio. Nem com a namorada, nem com o apartamento. Comparação é assim. As coisas ruins se sobressaem às coisas boas. Entre as caixas com os enfeites das prateleiras e os sacos plásticos com roupas e cartas antigas, encontrei uma dessas coisas que vão acompanhar minha vida para sempre. Um livro de capa cinza, todo desgastado, com a orelha se rasgando e as bordas se estufando. O Apanhador no Campo de Centeio. A última vez que o li, eu devia ter uns 18 anos. E lembro bem que ao final de cada releitura, marcava um “x” na última página. Para minha surpresa eu já tinha lido 7 vezes. Em se tratando de um livro, é coisa pra cacete. Foi um dos livros mais simples que já li na vida. E nunca consigo me esquecer daquele parágrafo do capítulo 16. O personagem do livro é um garoto cheio de problemas que foi expulso do colégio e tudo mais. Na última visita que ele fez pela escola, a um museu de história natural em Nova Iorque, ele diz assim:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;"Mas a melhor coisa do museu é que nada lá parecia mudar de posição. Ninguém se mexia.  A gente podia ir lá cem mil vezes, e aquele esquimó ia estar sempre acabando de pescar os dois peixes, os pássaros iam estar ainda a caminho do sul, os veados matando a sede no laguinho, com suas galhadas e suas pernas finas tão bonitinhas, e a índia de peito de fora ainda ia estar tecendo o mesmo cobertor.  Ninguém seria diferente. A única coisa diferente seríamos nós.  Não que a gente tivesse envelhecido nem nada. Não era bem isso.  A gente estaria diferente, só isso. Podia estar metido num sobretudo, dessa vez. Ou o outro garoto, companheiro de fila da visita anterior, não tinha vindo porque estava com caxumba e a gente teria outro companheiro. Ou então a gente tinha ouvido o pai e a mãe da gente terem a maior briga no banheiro. Ou então a gente tinha acabado de passar, na rua, por uma poça d'água com um arco-íris de gasolina dentro dela. Quer dizer, a gente estaria diferente, de um jeito qualquer - não sei explicar direito, mas o negócio é assim mesmo."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditem, eu escreveria isso na minha lápide. Sempre que viajo pra algum lugar, tento me concentrar nas coisas que não vão mudar nunca: uma árvore, um poste, uma pedra na calçada. Fico pensando que quando eu voltar lá, daqui há uns 40 anos, minha vida vai ser tão diferente. Filhos, netos, ex-mulheres. Mas a bendita da pedra vai continuar lá. Talvez um pouco mais desgastada, mais acabada, mas ainda assim, a mesma pedra. Isso dá uma tristeza estranha. Uma angústia. Uma amargura. Sei dizer não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1764804346444551910?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1764804346444551910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1764804346444551910&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1764804346444551910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1764804346444551910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/01/por-bem.html' title='POR BEM'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-750320924814236299</id><published>2010-01-10T13:56:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T08:37:15.537-08:00</updated><title type='text'>ENQUANTO ELE NEGAR</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito não vai aguentar o aperto no peito. Vai se entregar quando descobrir o passo atrás que se despedia sem querer deixar, tropeçando no paralelepípedo o soluço da bebida, enquanto o braço dela corrigia o erro, segurando o dele bem forte. Vai equilibrar o cotovelo na mesa, apoiar o queixo na mão e fazer do bar da esquina sua segunda casa, tentando matar no gole a verdade que não desce, que amarga, que engasga. Vai lembrar do sorriso leve, mas vai recriar na cabeça a expressão triste, porque assim talvez ela sinta saudade, porque assim talvez ela não tenha tocado a vida, porque assim talvez ela espere. Vai procurar seu cabelo bagunçado nos lugares, caçar seu cheiro nos cantos, enquanto a outra reclina a cabeça no seu ombro roubado, investindo num eterno amor vulgar de cinco minutos. Vai batucar sonho no banco, disfarçando a saudade no meio do samba, mas o coração bate mais forte, ele sabe, ele sente, ele prefere não ouvir. Vai esfregar as palmas no rosto, apertar com força as pálpebras, que escondem por debaixo aquele olhar que procura a porta e sai do lugar correndo, deixando o corpo pra trás, velado por todas as outras mulheres que nem fazem seu tipo. Vai lembrar dos diálogos como um mantra e vai desejar morrer logo, só pra não sofrer morrendo aos poucos, porque assim ele para de lembrar dela de uma vez e ela para de sofrer por ele tantas vezes. Vai bater no ombro, beliscar o braço, fechar a porta no dedo e agradecer cada segundo em que a cabeça se distrai e foca em outra dor que não aquela. Vai procurar no tórax o lado certo do coração, ficando em dúvida entre o esquerdo e o direito, e vai descobrir lá mesmo, num pedaço abandonado do recinto, que ama a mulher que nunca disse que amou. O sujeito não vai aguentar o aperto no peito. Ele não vai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-750320924814236299?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/750320924814236299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=750320924814236299&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/750320924814236299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/750320924814236299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2010/01/dor-do-sujeito.html' title='ENQUANTO ELE NEGAR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3302081699634423895</id><published>2009-12-23T12:12:00.001-08:00</published><updated>2009-12-28T10:02:20.463-08:00</updated><title type='text'>NOITE FELIZ (II)</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 2009 as árvores de natal ficaram vazias, com luzes que deixaram de piscar à meia noite, com bolinhas que caíram ao piso e se partiram em mil e com galhos que se desmancharam no chão e se transformam em grama cortada. No ano de 2009 as meias penduradas nas chaminés de todo o mundo ficaram sem doces, sem surpresas e se sujaram a ponto de não poderem mais ser utilizadas nos pés depois. No ano de 2009 os coros das igrejas cantaram Rolling Stones, com um solista que pulava os degraus e gritava com a garganta. Os presépios caíram como um dominó e se espalharam pelo chão, alguns chegando a invadir a calçada. No ano de 2009 os padres beberam mais vinho do que o normal e trocaram a sua música clássica por um samba de Zeca Pagodinho, sem usar batina. Nesse mesmo ano, o de 2009, os amigos secretos continuaram sendo secretos e os inimigos secretos ficaram com seus próprios presentes. Os perus dançaram a conga, comemorando o fato de continuaram vivos, e se abraçaram certos de que passariam o ano novo tomando champanha francês. Sim, alguns perus chamam champanhe de champanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 2009 Thiago entrou pela chaminé da casa do Papai Noel enquanto ele vestia a calça vermelha sobre sua samba canção branca de bolinhas também vermelhas e o enforcou com o cinto preto, que estava sobre a cadeira, enquanto dizia: quero ver você fazer ho, ho, ho agora! Depois matou cada um dos seus duendes, soltou as renas e queimou na fogueira o pó que fazia elas voarem. Na mesma fogueira, jogou todos os presentes, alimentando as chamas com as cartinhas mal escritas de milhares de crianças e em diversos idiomas. Depois subiu no trenó, brincou um pouco na neve e voltou pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3302081699634423895?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3302081699634423895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3302081699634423895&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3302081699634423895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3302081699634423895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/12/noite-feliz-ii.html' title='NOITE FELIZ (II)'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2712414932287122294</id><published>2009-12-16T05:33:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T05:55:19.411-08:00</updated><title type='text'>GEORGE H.</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você dá aquele sorrisinho tímido de canto de boca nos primeiros segundos da música, eu olho pra tela do computador com a cabeça inclinada, em estado de graça, e peço baixinho pra um dia encontrar alguém que faça isso de um jeitinho tão apaixonante quanto você. E mesmo não sendo um dos Beatles preferidos da maioria esmagadora, você é o meu, porque desde aquele dia virei refém do exato segundo 00:07 em que você começa a cantar Here Comes The Sun, enquanto mulheres histéricas vão ao delírio com seu tipinho bagunçado e desleixado. E eu me contorço de ciúmes. E chego a te amar por alguns minutos, sempre, e te daria casa, comida e roupa lavada se todos os dias de manhã eu pudesse virar pro lado só pra ouvir você me chamar de “little darling” e dar aquele sorrisinho de canto de boca irresistível. E a minha sala, meu coração, minhas letrinhas, meus livros, minha alegria e toda a minha poesia distraída se alimentariam só dele, porque eu tenho certeza que ninguém precisa de muito mais do que isso pra ser feliz nessa vida. E recentemente decidi que nenhum cara bonito, inteligente, bacana e educado vai me conquistar facilmente, a não ser que tenha um sorriso escondido igualzinho ao seu e me ganhe nos primeiros sete segundos. Mas é tão difícil que eu fico vagando por aí, procurando em lugares fechados, barulhentos e com cheiro de cigarro o seu sorriso que ninguém tem e a sua música que ninguém canta, fora eu, que odeio os dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2712414932287122294?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2712414932287122294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2712414932287122294&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2712414932287122294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2712414932287122294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/12/george-h.html' title='GEORGE H.'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8081339913273335759</id><published>2009-12-13T04:35:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T04:45:46.611-08:00</updated><title type='text'>VOCÊ</title><content type='html'>por André Muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você que sempre anda cinco centímetros acima do chão. &lt;br /&gt;Que desce as escadas como se estivesse num comercial de Shampoo.&lt;br /&gt;Que nunca precisou fazer terapia pra esquecer um amor não correspondido.&lt;br /&gt;Você que adora o romantismo nos filmes, mas foge dele na vida real. &lt;br /&gt;Que está sempre com o olhar fixado acima do nível do mar.&lt;br /&gt;Que foi a rainha do milho aos 7 anos, foi a Miss Teen aos 14 &lt;br /&gt;e ganhou o concurso da Garota Camisa Molhada aos 23.&lt;br /&gt;Você que sempre ouviu dez vezes mais “sim” do que “não”.&lt;br /&gt;Que consegue descontos só com um sorriso.&lt;br /&gt;Que não fica feia nem em foto de passaporte.&lt;br /&gt;Que sempre deixa as pessoas segurando a porta do elevador.&lt;br /&gt;Você que faz o Wando parecer um poeta incrível.&lt;br /&gt;Que entra na curva sem ligar a seta porque acha &lt;br /&gt;que todo mundo tem obrigação de saber que você vai dobrar.&lt;br /&gt;Que não come nem o alface nem o tomate do filé com fritas.&lt;br /&gt;Que pensa que seu cabelo é o seu bem mais valioso.&lt;br /&gt;Você que tem os olhos tão claros, a boca tão vermelha &lt;br /&gt;e a pele tão leitosa. É, você tem tudo isso mesmo.&lt;br /&gt;Que só bebe caipirosca de frutas vermelhas, &lt;br /&gt;Que nunca retorna uma ligação, ou melhor,&lt;br /&gt;Que passou três meses para anotar meu nome no seu celular.&lt;br /&gt;Você que sabe que seus filhos vão ser lindos, &lt;br /&gt;independente de quem seja o pai. &lt;br /&gt;Você que não sofre.&lt;br /&gt;Que não chora.&lt;br /&gt;Que não vive.&lt;br /&gt;Você que não se apaixona,&lt;br /&gt;Faça um grande favor pra mim, vai pra merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8081339913273335759?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8081339913273335759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8081339913273335759&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8081339913273335759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8081339913273335759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/12/voce.html' title='VOCÊ'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5002467395460395297</id><published>2009-12-07T03:13:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T05:22:16.840-08:00</updated><title type='text'>PARA SEMPRE</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada no vestiário, ela trocava a roupa do dia pelo maiô preto, que fazia um contraste incrível com seus cabelos brancos e curtos. Carregava no rosto uma alegria sincera, envolvida pelas fortes rugas dos olhos, que se comprimiam toda vez que saudava de um jeito simpático as jovens moças de expressão reta, como se estas já carregassem nas costas mais de sessenta anos de batalha. Lá fora, em um banheiro de porta entreaberta, estava o homem que era seu, sentado em uma cadeira de rodas, de sunga, sem camisa, tentando achar nas frestas do azulejo alguma esperança, enquanto aguardava sua amada o vir buscar. Logo em seguida, ela saía, colocava as mãos na cadeira e subia a rampa que dava na piscina aquecida. Ela não precisava de fisioterapia, mas ele precisava dela. Precisava da companhia daquela mulher que conhecia seus cantos, seus poros, suas dores. Precisava daquelas mãos delicadas que empurravam não apenas a cadeira, mas ele próprio, que o davam coragem de ser forte só mais uma vez, preso em um corpo que já não respondia mais como antigamente. Precisava daquela mulher que andava logo atrás dele na piscina, dando várias voltas, impedindo que parasse por causa do cansaço. E ela simplesmente ia, sem sequer sentir, como se o próprio estar já fosse mecânico. Ia porque não sabia fazer outra coisa senão continuar indo. Precisava daquele homem frágil, sentado, porque ele fazia ela acordar todos os dias do ano. Precisava daquele homem porque ele tinha os olhos mais doces do mundo, e mesmo depois de décadas juntos, aquele olhar ainda causava cócegas lá no fundo da sua alma. Precisava daquele homem andando na sua frente, na piscina, porque só assim ela sabia em que direção seguir. Os dois precisavam um do outro, desesperadamente, tateando as bordas dos seus corpos enrugados e tentando se achar no meio das ondas que se formavam na superfície. Precisavam quando as mãos paravam de segurar, quando a oração parava de pedir, quando o olho parava de implorar, quando a perna parava de sentir, quando o peito parava de pular e quando a vida, contrariando o resto do corpo, insistia em seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blog pessoal: eusouurgente.blospot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5002467395460395297?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5002467395460395297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5002467395460395297&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5002467395460395297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5002467395460395297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/12/para-sempre.html' title='PARA SEMPRE'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3187337830654235685</id><published>2009-11-24T06:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T06:01:42.556-08:00</updated><title type='text'>SE EU QUERO VER SCRUBS, TODOS TÊM QUE VER TAMBÉM</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristô-aristô-bô. Desde que me tornei invisível que não tenho vergonha de nada. Falo e escrevo o que vem na cachola. Uso a palavra cachola também. Sempre que me der na telha. Que vida boa é a de ser um rapaz invísivel. Viram onde botei o acento? Invísivel. E não paro de sorrir. Nunca mais paro de sorrir. O único tchan é que tem que ser baixinho, pra não chamar atenção. Às vezes rio alto, mas é quando finjo ser um fantasma. E digo mais: que divertido é brincar de poltergeister. Um dia entrei no meio de um aniversário e saí levantando o bolo, acendendo e apagando as luzes, jogando as almofadas do sofá pra cima, dançando com as garrafas de coca-cola e cantando Companhia do Pagode. Se você não leu meu último texto, eu me chamo Tavinho. Os outros me chamam Otávio. Na verdade, eu não me chamo Tavinho com muita freqüência, mas desde que li os comentários que adotei esse apelido. Meu nome é Tavinho. Que alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar a vocês que eu, Tavinho, passei muito tempo no elevador nesses últimos dias , apertando todos os botões e depois saindo. Às vezes apertava o alarme também. E quando tinham apenas duas pessoas, soltava um peidinho, pra cada um pensar que tinha sido o outro. Lembram que foi isso que me fez ficar invisível? Pois bem. Também fiz coisas que sempre foram proibidas para todo mundo, como pisar na grama de todos os lugares e entrar em salas com uma placa que diz Acesso Restrito aos Funcionários. Querem saber? Não tem nada demais. Nadinha demais, meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acham que parei por aí? Seu neca. Necas de pitibiriba. Fui para vários shows de graça, que eu não sou besta nem nada. E pro camarote, obviamente. Ainda entrei em uns camarins, mas como não sou muito fanático de ninguém, de nenhuma banda, ia apenas pra dizer que tinha ido. Só posso dizer a vocês que peguei na bunda de Ivete Sangalo e realmente é bem durinha. Uh, tererê. Também alterei a hora do despertador de muita gente e mudei o canal da televisão.  Se eu quero ver Scrubs, todos têm que ver também. Espirrei alto e sem colocar a mão. Sujando tudo. Tirei catota e ainda fiz bolinha. Cocei o que andava coçando. Dormi no ônibus quando tive sono, sem vergonha porque dava aquelas cabeçadas ridículas. Só não cantei enquanto dirigia porque ia ser muito estranho um carro andando sozinho. Alto lá: isso é mais uma coisa que eu devo fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, calma. Não vamos dar com o burros n’água. O que realmente é interessante é que descobri que posso ler os emails de muita gente. Inclusive pegar a senha pra ver com calma depois. Posso ir onde quiser e espiar as pessoas. Algum filósofo disse que quando a gente tem poder, a gente abusa do poder. E ser um filho da pí é bom, viu? Principalmente quando ninguém sabe quem você é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso estou lançando um serviço. Detetive Tavinho S.A. A Sociedade Anônima mais anônima da história. Investigo o que você quiser com total e absoluto sigilo. E me escondo melhor que Bin Laden. Podem mandar a Cia atrás de mim. Sua namorada chegou com cheiro de Azarro em casa? Tá morrendo de vontade de conhecer o próximo capítulo da novela das oito? Quer saber quem realmente vende mais barato, o Hiper ou o Carrefour? Deixa um comentário. Detetive Tavinho S.A. Mais anônimo, impossível. Esse é o meu slogan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3187337830654235685?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3187337830654235685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3187337830654235685&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3187337830654235685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3187337830654235685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/11/sociedade-anonima-mais-anonima-da.html' title='SE EU QUERO VER SCRUBS, TODOS TÊM QUE VER TAMBÉM'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3603188834070101851</id><published>2009-11-09T03:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T03:51:01.541-08:00</updated><title type='text'>FOI UM CHORO TÃO SINCERO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segurado com as pontas dos dedos, despejado na gola encharcada da blusa, engasgado como o de criança, desesperado como se fosse o último, mergulhado em poucas palavras, perdido naquela larga avenida, pulado no peito, caído no pescoço, pingado nos braços, escorrido na perna, marcado pela tinta do rímel preto, escondido na manga dos ombros, afagado pelos cabelos, misturado com a água do copo, testemunhado pelo porteiro, comentado pelos seguranças, abraçado pela cama, sentido pelo telefone, interminável como as missas, soluçado pelos cantos, aberto para o mundo, exposto na grade da janela, apontado pelos vizinhos, triste como uma prece, apoiado nas paredes, feito de água, de sódio, de sal, de açúcar, de doce, de dor, engolido pela boca, aspirado pelo nariz, eternizado nas olheiras, exposto como ferida aberta, espalhado pela casa, escutado pelos outros, manchado no lençol, fincado naquele dia, relembrado no seguinte, repetido no outro, mergulhado na pia, secado no vento, refletido no espelho, cansado na barriga, pintado de vermelho no olho, semeado na alma, plantado nos poros, cultivado pelo tempo, germinado na pele, esculpido nas bochechas, jogado do queixo, canalizado pelas coxas, tremido nos pés, agachado na cozinha, apoiado no banheiro, apertado na respiração, acalmado pelos conselhos, silenciado nas conversas, continuado na manhã seguinte, pelo céu, com chuva, e cicatrizado na última noite, no leve gesto da mão fechando de vez a torneira do rosto. Porque se a lágrima é o sangue da alma, então que o destino da lágrima também seja o de ser refém do corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3603188834070101851?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3603188834070101851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3603188834070101851&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3603188834070101851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3603188834070101851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/11/foi-um-choro-tao-sincero.html' title='FOI UM CHORO TÃO SINCERO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-804951312497127154</id><published>2009-11-02T14:33:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T09:39:47.852-08:00</updated><title type='text'>ESQUECEU O COMPUTADOR ABERTO PORQUE QUIS</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou nervoso. Muito nervoso. Desses de suar nas mãos e nos sovacos. E, quando a situação é muito forte, no cabelo. Minhas têmporas ficam encharcadas. Você sabe o que é uma têmpora, não é? Pois bem, a minha fica encharcada. Eu sou nervoso. E fico nervoso com coisas pequenas, como uma fila de supermercado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquela fila de caixa rápida? É nela mesmo. Fico olhando, quase sem piscar, para o numerozinho vermelho que aparece no visor. Sempre atento a qual caixa devo ir. Não quero parecer um mamão, desligado do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em filas de aeroporto é pior ainda. Porque não existe essa tela. Você tem que ficar ligado numa moça, geralmente bonita, que vai levantar o dedo e gritar baixinho: Próximo, por favor. Fico atento porque não quero correr o risco de ser um Lucas Silva e Silva para a moça bonita do aeroporto. Principalmente porque também fico nervoso na frente de moças bonitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por isso que, lá pelos quatorze anos, tive a ideia de criar um botãozinho mágico, que seria vermelho e ficaria no bolso direito da minha calça. É só apertar e, puft, desaparecer. A ideia surgiu depois de uma vergonha muito grande que passei: tropeçar no meio do Shopping Center Recife. Cá entre nós, depois de amendoim no dente e soluço que não termina, tropeção em público é a coisa mais ridícula que um ser humano pode passar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da época da escola – e da faculdade – lembro que o terror do meu dia era a hora da chamada. Para não demorar a responder, comecei a decorar os nomes que vinham antes do meu. E olhem que me chamo Otávio. Sou tão tímido que nunca tive amigos a ponto de ganhar um apelido. No trabalho todo mundo me chama de Otavio. Só eu mesmo me chamo de Tavinho. Aliás, nem eu me chamo de Tavinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais namorada porque sou incapaz de jantar com os sogros. Era terrível ficar mudo, só concordando com o que diziam. Balançando a cabeça para dizer sim ou não. Se me ofereciam algo, eu dizia sim. Se perguntavam se eu queria mais, eu dizia que não. E ficava com o sorriso ligado no automático. Sem contar o quanto eu suava. De ficar molhado. Aí eu poderia falar algo como Tá calor, né? Mas evitava. Se eu pudesse evitar, eu evitava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tá bom. Tá bom de tanta introdução porque vocês já entenderam o meu problema. Passaria a tarde inteira escrevendo sobre minha timidez, mas não posso porque jajá o dono desse computador pode aparecer e, com certeza, vai achar estranho essas palavras aqui escritas. Vou direto ao assunto: consegui ser invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra da história do botão mágico? Tá aqui no meu bolso. Mas você não consegue ver o meu bolso porque eu sou invisível. Mais ou menos como aquele comercial da Nokia, só que de verdade. Isso aconteceu há uma semana, quando soltei um pum no elevador e, logo em seguida, entrou a menina do décimo nono. Você sabe o que é ter um cheiro ruim durante dezenove andares, mais o pilotis e o estacionamento? Agüentei até o quinto andar. Depois desapareci. Ela não percebeu direito que eu sumi porque minha natureza já é meio discreta. Eu acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que estou invisível há uma semana. E decidi ficar assim para sempre. Só vou no trabalho para tirar a cadeira do chefe do lugar. No ônibus, fico apertando o botão o tempo inteiro. E sempre tem alguém que leva a culpa por mim. Também tenho ido a boates, coisa que nunca fiz, e passo a noite imitando Michael Jackson, dançando o Break e fazendo o robozinho. Tudo sem ter vergonha. Posso voltar a ser visível quando quiser, mas andei pensando e a minha vida assim é bem mais divertida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou tratando de descobrir o que posso fazer. Entrar no vestiário feminino certamente é uma opção. Mas enquanto isso, encontrei esse computador dando sopa e descobri que o dono tem um blog. Agora que sei a senha, podem se preparar que vai ter mais textos. E ai desse Rafael Moreno se ele tentar mudar uma vírgula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-804951312497127154?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/804951312497127154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=804951312497127154&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/804951312497127154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/804951312497127154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/11/esqueceu-o-computador-aberto-porque.html' title='ESQUECEU O COMPUTADOR ABERTO PORQUE QUIS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1245618484535845929</id><published>2009-10-26T15:55:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T12:17:11.677-07:00</updated><title type='text'>ACASO</title><content type='html'>Por André Muhle (pronuncia-se “múli”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três em cada três amigas me disseram.&lt;br /&gt;Minha psicóloga disse.&lt;br /&gt;Meu fisioterapeuta disse.&lt;br /&gt;Até o porteiro aqui do prédio disse também:&lt;br /&gt;“Ah seu André, amor é um bicho complicado.&lt;br /&gt;Quanto mais você procura, menos você acha.&lt;br /&gt;Eu mesmo só encontrei a Marleide, quando já tinha desistido.&lt;br /&gt;É assim que funciona o negoço”.&lt;br /&gt;(Acreditem, ele falou assim mesmo com cecidilha).&lt;br /&gt;Olhei em livros, sites especializados, filmes da Maryl Streep&lt;br /&gt;e realmente parece existir um consenso universal.&lt;br /&gt;O amor da vida de alguém só aparece quando&lt;br /&gt;esse alguém não está mais procurando amor nenhum.&lt;br /&gt;Soa como uma frase de biscoito chinês, mas são tantos&lt;br /&gt;argumentos a favor que estou tentado a acreditar.&lt;br /&gt;É como a Fadinha dos Dentes, que só entra na casa da pessoa &lt;br /&gt;se ela estiver realmente dormindo. E nem adianta fingir. &lt;br /&gt;Tem que ser dormindo de verdade.&lt;br /&gt;Ou aquela lenda de que é só botar uma aliança&lt;br /&gt;no dedo que começa a chover mulher.&lt;br /&gt;Você parou de procurar, tei buff, elas aparecem. Aos montes.&lt;br /&gt;É o que eu chamo de Teoria da Expectativa Reversa ou,&lt;br /&gt;o bom e velho acaso, como é cientificamente conhecido.&lt;br /&gt;Você pára de pensar na cois, e tei buff de novo, ela acontece.&lt;br /&gt;Até hoje os filmes de terror se aproveitam muito bem disso.&lt;br /&gt;É extremamente comum que as cenas mais assustadoras&lt;br /&gt;sejam sempre precedidas de cenas calmas e bucólicas.&lt;br /&gt;Especialmente de lagos, gansos e montanhas com gelo em cima.&lt;br /&gt;Bom, onde eu quero chegar com tudo isso?&lt;br /&gt;A partir de amanhã eu vou fazer uma experiência na minha vida.&lt;br /&gt;Comecarei a aplicar a Teoria de Expectativa Reversa &lt;br /&gt;em diversas áreas, que não sejam o amor.&lt;br /&gt;Assim vou parar de jogar na megasena pra ver se finalmente eu ganho. &lt;br /&gt;Vou parar de esperar o fim de LOST pra ver se ele finalmente termina. &lt;br /&gt;Vou deixar de torcer pela vaga no estacionamento pra ver se ela aparece. &lt;br /&gt;Vou parar de olhar pro céu pra ver se finalmente vejo uma estrela cadente.&lt;br /&gt;E como eu não consigo deixar de falar no assunto, &lt;br /&gt;também vou parar de esperar por você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1245618484535845929?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1245618484535845929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1245618484535845929&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1245618484535845929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1245618484535845929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/10/acaso.html' title='ACASO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4807757497611169139</id><published>2009-10-19T04:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T04:55:44.884-07:00</updated><title type='text'>O HOMEM BUFÊ</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os tipos de caras que a gente encontra por aí, nenhum me dá mais preguiça emocional do que o homem bufê. Como identificar um? Fácil. Ele serve de tudo, mas não é especialista em absolutamente nada. É o clássico feijoada com strogonoff e salada. Coloca a maior banca de que sabe demais, de música erudita a punk rock, de blockbusters a curtas iranianos, de best-sellers a clássicos da literatura, de pintores renascentistas a artistas conceituais, enfim, uma lista longa de A a Z dos mais diversos assuntos. Um chato inseguro, fantasiado de estudante de curso de filosofia, sempre preocupado em exibir seu repertório de voraz consumidor dessa cultura in box. É o tipo de cara que lê a orelha de um livro, decora a sinopse de um filme, memoriza a crítica de uma peça e ouve os primeiros quinze segundos de uma música. Ele sabe de tudo um pouco, mas não sabe muito sobre nada. Em um hospital, assumiria mais ou menos o papel do clínico geral. Conhece um pouco de pulmão, um pouco de coração, um pouco de cada área, mas no final da consulta encaminha você pra alguém que realmente entende do assunto. A única diferença é que esse tipo de homem nunca estuda o suficiente pra passar em medicina, por exemplo. Livro de anatomia? Ele leria até a página cinco, só pra ter uma ideia. Então fique à vontade e faça o teste: o que o homem bufê sabe sobre poesia? ‘O Soneto da Felicidade’. Sobre Nietzsche? ‘Deus está morto’. Sobre Woody Allen? ‘Pegou a enteada’. Além disso, sobram no seu vocabulário palavras empregadas de modo genérico e vago, como ‘releitura’, ‘artsy’, ‘coletivo’, ‘experimental’, ‘estética’ e ‘colagem’. E ele ainda faz aquela cara de natureza morta em shows e exposições, simulando um possível encantamento dos sentidos. O homem bufê, na minha opinião, é um bombardeio de clichês culturais e aquela típica despreocupação com o guarda-roupa representa apenas o seu tão desejado passaporte para a cultura. Grosseiramente falsificado, mas que ainda engana muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4807757497611169139?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4807757497611169139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4807757497611169139&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4807757497611169139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4807757497611169139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/10/o-homem-bufe.html' title='O HOMEM BUFÊ'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6463715756542911755</id><published>2009-10-09T12:08:00.000-07:00</published><updated>2009-10-11T13:35:25.462-07:00</updated><title type='text'>TODA MULHER QUER FAZER AS PAZES</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raiva. Isso era o que devia sentir. Raiva, porque tinha razão. Aquela briga era sua. Havia gritado mais alto do que ele. Aquela briga era sua. Era sua porque havia gritado mais alto do que ele e batido com força a porta do quarto. Sempre fazia isso quando brigavam. Virou as coisas na estante procurando um livro, uma revista, qualquer coisa, enquanto mentalizava a cafeteria, escolhendo o lugar onde sentaria, o doce que pediria, quanto tempo ficaria antes de voltar para casa. Era imprescindível que voltasse depois dele, que agora estava no banheiro. Escutava o barulho da água caindo na pia e adivinhava que estava escovando os dentes sem fechar a torneira, mais uma vez. Tinha a impressão de que fazia de propósito pelo simples fato dela ser simpatizante, ainda que pouco ativa, do Greenpeace. Iria sair, estava decidida. Mas, antes de calçar as sandálias, deixou-se cair na cama e se enrolou nos lençóis na esperança de que ele, ao vê-la assim, triste, mirando infinitamente a parede, de costas para a porta, sentisse pena e deitasse com ela, ainda que virado para o outro lado, ainda que mudo, mas que deitasse com ela, só de jeans que era como estava antes de bater a porta do banheiro, com força também, e abrir a torneira, deixando a água cair só para irritá-la. Podia ouvir a água caindo na pia e até mesmo escutar a escova de dentes passando com força sobre os seus dentes. Ficou ali, na cama, esperando por ele com um olhar triste para a parede, que é como fazem as mulheres quando querem as pazes. Ficou ali sendo vitima, sendo pequena, sendo indefesa, sendo arrependida, ofendida. Descobriu que só se ganha uma briga quando se faz as pazes. E a raiva passava rápido com ela. Não conseguia brigar por muito tempo, desde pequena. Ainda mirando a parede, sentiu a porta do quarto se abrir e os passos dele, barulhentos, irritados, caminharem até a cama para, pouco depois, virarem para o guarda-roupa. Ouvia gavetas abrindo e quase conseguia ver as mãos dele retirando a camisa, que estava pendurada em um cabide. Depois as mesmas mãos encontraram sapatos e calçaram seus pés. Ia sem meias. E nunca andava sem meias. Em momento nenhum ele olhou a cama novamente e, quando fechou a porta, o fez devagar, silenciosamente. Ela continuou mirando o branco da parede. No fundo sabia que em pouco tempo ele voltaria. Conseguia vê-lo chegando no bar, pedindo uma cerveja, um copo e amendoins. Conseguia vê-lo fumando com força. Puxando com força a fumaça, deixando que o cigarro o fumasse. Conseguia vê-lo olhando o movimento das ruas. Desamarrando e amarrando os sapatos como fazia sempre que estava entediado. Conseguia vê-lo lendo o jornal rapidamente porque nunca teve paciência para ler jornais. Depois pediria outra cerveja e só a terminaria para não estragar, porque uma e meia era o seu limite, o seu costume. Foi mais ou menos nesse momento em que ela dormiu. Muito tempo depois acordou, com a boca seca. Com o quarto escuro. Com o rosto ainda voltado para a parede. Com a sala vazia. Percorreu todos os lugares da casa, até mesmo a despensa e a área de serviço, que é o que se faz quando se procura algo que já se sabe que não vai encontrar. Percorreu então sinais de seu regresso: um cigarro apagado, o controle da televisão atrás do sofá, os sapatos jogados na entrada da casa. Nunca havia demorado tanto. A essa hora já estaria na oitava cerveja. Impossível, porque ele só bebia uma e meia. Era o seu limite, seu costume. Entrou no banheiro mais uma vez e depois voltou para a cama. Enrolada no lençol, mirando a parede, esperou o sono voltar enquanto tentava esquecer que ele havia saído de vez, que ele não voltaria, que ele não estava tomando cerveja, que ele já havia terminado o jornal porque no banheiro faltava o único que era seu naquela casa, faltava o único que ele havia levado em seis meses de relação, que era a escova de dentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6463715756542911755?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6463715756542911755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6463715756542911755&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6463715756542911755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6463715756542911755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/10/toda-mulher-sempre-quer-fazer-as-pazes.html' title='TODA MULHER QUER FAZER AS PAZES'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5557620969980051988</id><published>2009-09-28T05:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T11:12:22.018-07:00</updated><title type='text'>COMO DIRIA A NINA, FEELING GOOD</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que esses seus olhos doces me bagunçam. E agora que deixei de viver a vida de uma poetisa, fico catando palavras ou poemas que tenham restado no fundo dos meus bolsos, junto com as moedas e os sonhos, só para descrever esse seu jeito tímido que fica invadindo minha memória às quatro e trinta e dois da tarde. Mas você tem uma calma que não combina com essa passionalidade de escritora, então desisto de ser a menina que um dia vai querer pichar coisas lindas no muro do seu prédio para ser a mulher que adoraria ver a chuva escorregar na janela junto com você e a Nina Simone, sem precisar falar absolutamente nada importante ou inteligente. Mas agora eu sou muito pouco louca até mesmo para gostar de algo que pareça tão certo. Agora eu só penso em comer direito, dormir cedo, ir pra academia, tomar sol e aproveitar o final de semana. Agora eu só quero correr, correr todos os dias, correr feito uma louca, correr de todo mundo e depois correr de volta para o meu cantinho. Agora eu peço silêncio para todos os homens descartáveis, calando as rimas que relatam seus estragos irreparáveis e abro mão deles para que sigam diretamente para os braços das próximas mulheres. Agora eu agradeço porque, de alguma forma, tudo faz muito sentido no final do dia, e eu consigo ser uma pessoa inteira e feliz, sem precisar ficar me procurando embaixo do tapete, atrás da cama, ou ficar pensando no que vou fazer comigo quando me descobrir pra valer. Agora não tropeço em poesias que ficaram pelo caminho junto com meus pedaços ou gasto meu dia arrumando paciência para tantas bobagens emocionais. O que posso afirmar é que, de todas essas coisas que eu fui, que eu sou e que eu ainda vou ser, só uma permanece: um sorriso de canto de boca. Isso mesmo. Você é o feliz proprietário de um adorável sorrisinho de canto de boca, que fica insistindo no meu rosto durante vários quarteirões, enquanto a chuva arrasta pelas canaletas essa vontade de me jogar no seu colo junto com meus vinte e poucos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5557620969980051988?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5557620969980051988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5557620969980051988&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5557620969980051988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5557620969980051988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/09/como-diria-nina-feeling-good.html' title='COMO DIRIA A NINA, FEELING GOOD'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5029606009743092939</id><published>2009-09-22T15:27:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T15:30:30.548-07:00</updated><title type='text'>PROMESSA</title><content type='html'>por andré muhle (o primeiro das fotos ali embaixo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se eu abrir o biscoito e tirar o recheio?&lt;br /&gt;- Não adianta. Sempre sobra uma melequinha.&lt;br /&gt;- Mas é tão pouquinho, seu padre.&lt;br /&gt;- Promessa é promessa.&lt;br /&gt;- O que Deus vai ganhar se eu deixar de comer chocolate?&lt;br /&gt;- Você fez uma promessa. E prometer é abrir mão de uma coisa para conseguir outra. &lt;br /&gt;- Mas eu não entendo por que é pecado comer chocolate?&lt;br /&gt;- Não é pecado comer chocolate. Pecado é quebrar uma promessa que, no seu caso, foi não comer chocolate.&lt;br /&gt;- Se em vez de chocolate, eu tivesse dito beterraba, a promessa também funcionaria?&lt;br /&gt;- Você ama beterraba?&lt;br /&gt;- Blargh, detesto.&lt;br /&gt;- Então não adianta. É preciso que seja um sacrifício.&lt;br /&gt;- Sexo!?&lt;br /&gt;- Por favor senhorita, isso aqui é casa de Deus!&lt;br /&gt;- Os cientistas ingleses provaram que o prazer de comer chocolate se compara ao de fazer sexo. Eu passo dois anos sem transar e pronto, vai ter sido um sacrifício do mesmo jeito.&lt;br /&gt;- Você já prometeu que seria chocolate. Agora é tarde.&lt;br /&gt;- Mas na hora da promessa, eu falei “chocolate” tão baixinho, padre. Mal deve ter dado pra escutar lá de cima.&lt;br /&gt;- E você pediu para que santo, minha filha?&lt;br /&gt;- Pedi pra santo nenhum não.&lt;br /&gt;- Complicou mais. O pedido foi encaminhado direto pro Homem.&lt;br /&gt;- Olha sua santidade, eu vim aqui na maior religiosidade pra ver se o senhor aliviava minha dívida, mas tô vendo que nossa conversa não tá evoluindo. Não teria como o senhor chamar o Bispo, o Cardeal ou alguém com mais influência lá em cima? &lt;br /&gt;- Todos são iguais perante Deus.&lt;br /&gt;- Então por que o senhor também não tem um Papa-Móvel blindado?&lt;br /&gt;- Desculpe...eu preciso me preparar pra missa. Mas antes, por favor me diga, qual foi o motivo da sua promessa?&lt;br /&gt;- Vestibular. Se eu passasse pra Veterinária de primeira.&lt;br /&gt;- E você passou?&lt;br /&gt;- Ainda nem fiz a prova, mas já tô arrependida da promessa. &lt;br /&gt;- Hahahahaha. &lt;br /&gt;- Padre, o senhor está rindo? Isso não é anti-ético?&lt;br /&gt;- Filha, esqueça que eu sou um padre e escute um conselho de amigo.&lt;br /&gt;- Sou toda ouvidos.&lt;br /&gt;- Você está em dúvida entre duas coisas que, na minha opinião, não deviam nem ser comparadas. Afinal, o que é um simples chocolate diante de um concurso que vai definir o futuro da sua vida?&lt;br /&gt;- O senhor tem razão. Ano que vem eu faço vestibular de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5029606009743092939?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5029606009743092939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5029606009743092939&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5029606009743092939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5029606009743092939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/09/promessa.html' title='PROMESSA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7186583884422958169</id><published>2009-09-17T06:19:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T06:23:13.836-07:00</updated><title type='text'>TWITTER</title><content type='html'>Gente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente aderimos ao Twitter!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos nos encontrar por lá também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vai: twitter.com/elessabemdemais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André, Ritinha e Rafa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7186583884422958169?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7186583884422958169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7186583884422958169&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7186583884422958169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7186583884422958169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/09/twitter.html' title='TWITTER'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-760966603181718250</id><published>2009-09-13T17:46:00.001-07:00</published><updated>2009-09-13T17:57:23.339-07:00</updated><title type='text'>PARA CONSTRUIR UMA BOMBA D’ÁGUA VOCÊ PRECISA DE UM CANO, UM CABO DE VASSOURA, UMA TAMPINHA DE REFRIGERANTE, UM PEDAÇO DE HAVAIANAS E UM PREGO</title><content type='html'>Por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano o carnaval foi bem pouco depois do fim das férias. Por isso meus pais liberaram a gente da escola e, com isso, ganharam muitos beijos, muitos abraços. Até então, essa história de faltar aula para ir à praia me parecia uma daquelas coisas que só aconteciam nas outras famílias. E acontecia mesmo, porque os pais de todos os meninos da rua, Netinho, Hugo, Nico e Buba, Thiago e André, Felipe, Erick e Sandrinho, fizeram o mesmo. E também tinham os irmãos “El” - Samuel, Ismael, Ezequiel e Jeziel – que já moravam por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: uma semana inteira, mais o carnaval, para continuar nossas programações das férias, que eram basicamente andar de bicicleta o dia inteiro, tentando se equilibrar sem as duas mãos, subindo e descendo ladeiras, pedalando o infinito caminho que levava até a fábrica de cimentos Poty. Ou catando mangas, cocos e jambos pelas ruas, para depois vender na praia a uns adultos - na maioria, nossos tios ou amigos dos nossos pais. Também podíamos pegar onda de moribugui, pescar com vara, rede ou facho e entrar no mangue para caçar caranguejos, mas aí já tinha que se meter na lama até os joelhos e enfiar os braços nas tocas, coisa que ninguém nunca teve coragem de fazer, mas, tudo bem, porque a gente continuava fingindo conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tinha também o futebol. Não importava o nosso destino, alguém sempre andava com uma bola. Futebol manhã, tarde e noite, mudando de acordo com a maré. Meu pai  havia construído um campinho no terreno de trás da casa, com grama, barras grandes,  de madeira, e uma grade alta, ao redor do campo, para que a gente não tivesse que pular o tempo inteiro o muro do vizinho. Mas jogar na praia também era bom, porque a areia de Maria Farinha é molhada, durinha. O problema são as pedras e os sargaços. Mas tudo bem, nunca vi uma ferida durar muito tempo no corpo de uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse carnaval alguém chegou com uma grande novidade, a bomba d’água. Descobrimos como se fazia e essa foi a grande atividade do dia. Acho que nem jogamos futebol nem nada. Fomos correndo ao armazém Atol, comprar cano, cabo de vassoura e sandálias havaianas. Depois catamos tampinhas de refrigerante e nos juntamos na nossa garagem, onde Sting, que trabalhava lá em casa, esperava com prego e martelo. Fizemos as bombas, umas quinze, e começamos uma guerra entre a gente, que durou pouco, até alguém sugerir ganhar as ruas para molhar ônibus e carros que passassem na avenida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no caminho que encontramos o pessoal da Mobilete. Uns filhinhos de papai com bicicletas de cinqüenta marchas, fapinhas e hotmachines, contra quem jogávamos futebol sempre e, contra quem, sempre, brigávamos durante o jogo inteiro – uma vez soltaram os cachorros e tudo. Enfim, eles estavam vindo e todos procuramos esconderijos: atrás do muro, de uma planta, em cima de uma árvore, onde fosse. Os da Mobilete eram poucos. No máximo cinco. E cada vez chegavam mais perto. Nós continuamos escondidos, calados, esperando o primeiro agir. Foi Ismael. Com um pulo ele alcançou o meio da rua e tcha, tcha, tcha, molhou todos. Saímos de onde estávamos e completamos o ataque. Era muito engraçado ver aqueles riquinhos correndo, caindo das bicicletas de alumínio, humilhados. O ataque foi rápido, porque a gente ia a pé e tinha pouca carga nos baldes, mas rimos de doer a barriga e voltamos para casa, para juntar mais água ou talvez jogar futebol. Todos se sentindo um Rambo ou o Último Ninja Americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogamos bola, brincamos com Kelly, uma vaimaraner linda que fazia parte da família, e ficamos por ali, sentados na palhoça, bastante tranqüilos. De repente algo cai na grama e explode. Antes que descobríssemos o que era, outros seis objetos voadores não identificados começam a cair em todas as partes da casa. Demorou um pouco até notarmos que eram ovos e que vinham das mãos dos riquinhos, que passavam com seus fapinhas e suas mobiletes motorizadas, sujando o quintal inteiro, as plantas, as paredes, o campinho, a piscina, o carro do meu pai. Em menos de treze segundos, todos buscamos nossas armas e corremos para o muro. Guerra. Ficávamos abaixados e, quando eles passavam, metíamos água em seus rostos, seus peitos e em suas bicicletas importadas. Claro que ganhamos umas ovadas nas camisas, nos braços e nas pernas, que doíam. Por isso perdíamos. E feio. Mas a luta não podia terminar. Sempre tinha alguém de nossa equipe correndo com o balde para a torneira e regrassando com ele cheio. Não precisava de ninguém para dizer qual era a hora certa de atacar e o momento preciso de ficar abaixado. Brigávamos com força, com palavrões, com guinchos de água, da água que chegava em baldes, o tempo inteiro. Mas perdíamos. E feio. Até que fui para trás de uma árvore, com o balde nas mãos e mijei. Eu não perderia aquela briga. Mijei mesmo. Depois carreguei minha bomba d’água e segui silencioso para o muro. Ninguém sabia de nada. Só eu. E com muita calma esperei o momento preciso: mirei no rosto de um deles e tchaaaaa. Com a língua ele deve ter sentido o gosto, ou talvez foi o cheiro, ou a temperatura, sei que gritou para todos do seu bando e disso nunca vou esquecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É xixi! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito também serviu para a nossa equipe, porque em poucos segundos todos abaixavam as calças e mijavam nos baldes enquanto alguém corria até a cozinha e voltava com garrafas e mais garrafas d’água. Era um revezamento de mijões, uns bebendo água, outros enchendo o balde e uns terceiros correndo até muro para o ataque. Eles continuaram jogando ovos, nós continuamos jogando água amarela. Aí eles foram embora, xingando, gritando, chorando. E nós, vitoriosos, comemoramos. A alegria era grande, todos lembrando de alguma cena, fazendo elogios, rindo da maneira como eles correram, fugiram, em suas mobiletes, seus fapinhas, seus patinetes motorizados, suas bicicletas  coloridas. Éramos ninjas, guerreiros, estrelas da Sessão da Tarde. Éramos os donos de Maria Farinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois meus pais chegaram e os donos de Maria Farinha tiveram que limpar o jardim inteiro. Nunca foi tão bom limpar um jardim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-760966603181718250?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/760966603181718250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=760966603181718250&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/760966603181718250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/760966603181718250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/09/para-construir-uma-bomba-dagua-voce.html' title='PARA CONSTRUIR UMA BOMBA D’ÁGUA VOCÊ PRECISA DE UM CANO, UM CABO DE VASSOURA, UMA TAMPINHA DE REFRIGERANTE, UM PEDAÇO DE HAVAIANAS E UM PREGO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3395434373462756678</id><published>2009-09-02T19:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T08:50:25.369-07:00</updated><title type='text'>SEGUNDOS</title><content type='html'>por André Muhle (pronuncia-se "Múli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei de 5 segundos para te ver aquele sábado na praia.&lt;br /&gt;Depois, precisei de mais 10 pra não parar mais de te olhar.&lt;br /&gt;Em 30, você parecia ser a pessoa mais linda que já vi na vida. &lt;br /&gt;Durante 3 minutos me preparei e fui para o seu guarda-sol. &lt;br /&gt;Foram 35 minutos de conversa e até hoje lembro cada palavra.&lt;br /&gt;Bastaram 3 semanas para perceber que queria você para sempre.&lt;br /&gt;Em 8 semanas, eu tinha vontade de te pedir em casamento. Juro.&lt;br /&gt;9 meses e eu queria ter um filho com você. Melhor, uma filha.&lt;br /&gt;Com 1 ano, eu pensava que passaria mais 12 décadas ao seu lado.&lt;br /&gt;2 anos e 3 meses e eu morreria se você partisse.&lt;br /&gt;2 anos e 6 meses e eu não morreria, mas ainda sentiria sua falta.&lt;br /&gt;Em 3 anos, eu comecei a me sentir só. Você ficou fria e distante.&lt;br /&gt;Mais 3 meses e a coisa não melhorava. Nem parecia que iria.&lt;br /&gt;Em 2 semanas comecei a sentir raiva de você. Foi estranho.&lt;br /&gt;Em 3 dias te chamei pra conversar. Não tinha outra solução.&lt;br /&gt;35 minutos de conversa e concordamos que era o fim.&lt;br /&gt;Por 3 minutos, a gente chorou.&lt;br /&gt;Por 30 segundos, ficamos calados.&lt;br /&gt;Por 5 segundos, a gente deu o último beijo.&lt;br /&gt;Agora faz 3 meses. &lt;br /&gt;E me parece que não importa quanto tempo leve, &lt;br /&gt;eu nunca mais vou conseguir esquecer você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3395434373462756678?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3395434373462756678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3395434373462756678&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3395434373462756678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3395434373462756678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/09/segundos.html' title='SEGUNDOS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-56671331137891434</id><published>2009-08-21T07:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T15:59:07.299-07:00</updated><title type='text'>NÃO SEI SE CORTAZAR TEM ACENTO</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol entra pela janela exatamente na altura dos seus olhos. Se fosse um pouco mais alto não se incomodaria, mas se incomoda,  mas não faz esforço para tirar o sol do rosto, não quer fechar a cortina. Nada parece ser capaz de levantá-lo do sofá. Este, parece ter mil braços que o agarram e prendem-no ali o dia inteiro. O tempo inteiro. Às vezes a televisão está ligada e alguém que passe pela casa pode pensar que ele está entretido. Conversa. A televisão está desligada para ele. São apenas imagens que fazem barulho. O pior é pensar que chegou um dia a ser esportista. Nada que rendesse uma medalha, ou algo assim, mas tinha uma bicicleta, chegou um dia a ter uma bicicleta, um par de patins. Também já teve amigos e jogou futebol nas quartas-feiras. Hoje, não lembra de ter amigos, não liga pra eles, não recebe telefonemas, não recorda a quem deu a bicicleta, ou se jogou-a na rua ou se ainda está guardada em alguma quina da casa, lá pela área de serviço, perto dos patins. Faz algum tempo que não joga futebol. Poderia muito bem se esforçar um pouco, vestir uma calças, cortar o cabelo, mas é difícil. Enquanto Alice não voltar para casa, vai continuar sentado, geralmente deitado, olhando para esse quadro estúpido que ela deu para ele há alguns anos, com um campo de flores da Holanda e uma holandesa, de cabelos loiros, claro, e um vestido marrom, com um avental branco na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, pensa sempre e, às vezes, fala disso na hora do almoço, é que ela pediu a verdade e quem deseja ouvir a verdade precisa estar preparado para ela. Quem deseja ouvir a verdade precisa estar preparado para ela, repete, às vezes. Alice, obviamente, não estava. E o problema, ainda maior, é que ele duvidava que um dia estaria. Mesmo assim esperava. Sentado, deitado, naquele sofá, esperava. Com o sol fechando-lhe os olhos, esperava. Com a tevê fazendo barulho, esperava. Acontece que hoje, justo hoje, quando o almoço será feijão preto com bife de molho, o seu prato preferido desde que tem oito ou nove anos de idade, justo hoje, que também teria farofa de jerimum, coisa que não existe aqui, ele decidiu dar uma volta. Primeiro precisou se alongar. Em seguida trocou de roupa – era demais pedir que tomasse banho. Colocou aquela calça jeans que já anda meio desbotada, mas que ele nunca conseguiu tirar do corpo por muito tempo. Colocou aquela calça jeans, com uma camisa preta e um casaco, acho que cinza. E saiu, sem tomar banho e sem se despedir de mim. Nunca foi de se despedir mesmo, eu não iria me chatear justamente agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube, depois, por amigos, que caminhou pela Santa Fé até chegar no Jardim Botânico, sem nem ao menos olhar as tantas vitrines que existem por lá.  Por ali andou se escondendo dos gatos, pois nunca conseguiu perder esse medo que possui desde a adolescência, até encontrar um banco tranqüilo, ou seja, sem gatos por perto, imagino, e quedou-se a olhar as árvores, os pássaros, as fontes sem água por causa do inverno, os estudantes de botânica que passam horas frente às plantas, com seus cadernos e suas câmeras fotográficas, atentos às placas com os nomes das árvores em latim. Também não levou seu iPod, seu mp3, não sei, e, portanto, não escutou aquele artista africano que tanto escutava antes de Alice, junto com Alice, que era mais fã do que ele. Ficou ali por um tempo, me disseram uns amigos, até que, cansado do Jardim Botânico, caminhou até a Plaza Itália, onde comprou esses livros que agora estão em cima da mesa de jantar, que ainda carrega o seu almoço frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou esses livros, mas não tenho ideia se chegou a ler alguma página, sei que tem um de um escritor chamado Cortazar. Não sei se tem acento. Mas enfim voltou pra casa, de noite, com esses livros e umas empanadas, que colocou na geladeira. Já era noite, eu estava vendo a novela, mas me levantei e fui pro meu quartinho. Já era noite e, por isso, pensei que jantaria as empanadas. Mas agora vejo, agora que já é dia outra vez, vejo que voltou ao sofá e que não comeu as empanadas, nem o almoço que fiz com tanto capricho. Está deitado no sofá, com a televisão ligada do mesmo jeito. Daqui da cozinha eu consigo ver, está passando um filme antigo, em preto e branco. Ele não assiste. Acho que vai demorar a sair de casa outra vez, pois quando acordei vi que a janela está com as cortinas bem fechadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-56671331137891434?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/56671331137891434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=56671331137891434&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/56671331137891434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/56671331137891434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/08/nao-sei-se-cortazar-tem-acento.html' title='NÃO SEI SE CORTAZAR TEM ACENTO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-526953036840356896</id><published>2009-08-17T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T10:31:25.510-07:00</updated><title type='text'>ATÉ LOGO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é tocar alguma coisa. Uma coisa que às vezes é macia, mas que às vezes fere, até ferir tantas vezes que um dia o machucado fica tão grande que é preciso parar e cuidar da mão. Escrever acontece. E em alguns períodos acontece com tanta frequência que é preciso dar um passo atrás, antes que se adoeça do oco que se sente entre a linha um e a linha dois. E existe o cansaço físico de transformar letra em sentimento e sentimento em letra, porque é impossível equilibrar a limitação das palavras com a adorável ilimitação da vida. Escrever adoece. O pulmão, o coração, o peito e qualquer parte sensível que não aguente o sufoco de vibrar numa rima e morrer na outra, repetidamente. Escrever é uma troca. E sempre faz bem para os dois lados, mas não é saudável usar o ombro de quem lê para enxugar as lágrimas de quem escreve. Por isso, é preciso respeitar a ausência, sem achar que a falta da coisa escrita é a falta da própria pessoa que escreve. É preciso absorver o vazio, sem precisar recorrer à última gota de poesia, porque esta nunca se deve tirar do sangue que passeia no corpo. E, por fim, é preciso aceitar, com doçura, o silêncio, sem nenhum sentimento de perda, mas acreditando que, com ele, se ganha outra coisa. Outra coisa que engrandece. Outra coisa que não está escrita. E que nem precisa estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eventualmente eu volto a escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-526953036840356896?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/526953036840356896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=526953036840356896&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/526953036840356896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/526953036840356896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/08/ate-logo.html' title='ATÉ LOGO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7228132041363785127</id><published>2009-08-11T06:20:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T07:06:01.489-07:00</updated><title type='text'>LIVRO</title><content type='html'>Caro leitor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você conhece o blônicas.zip.net? Não? Então o que você ainda está fazendo aqui, neste humilde blog? Enfim, a notícia boa é que, há dois anos, eles convidaram 40 leitores para participar do livro “Blônicas – a vez dos leitores”. E, finalmente, o bendito ficou pronto! A parte estranha? Por acaso, André e Ritinha foram parar nessa edição. Mas não se preocupe, outros 38 escritores fazem o projeto valer a pena. O livro ainda não está à venda no site, mas isso vai acontecer. Pelo menos eventualmente. Mas uma coisa é certa: André vai comemorar tomando vinho e escutando Radiohead, e Ritinha fazendo uma dancinha ridícula enquanto ouve jazz sábado de manhã.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crônicas você encontra aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://elessabemdemais.blogspot.com/2007/11/so.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://elessabemdemais.blogspot.com/2008/09/domingo-no-dia-de-televiso.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/SoF6GPBo6jI/AAAAAAAAAAM/bzal61fiD0Y/s1600-h/-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/SoF6GPBo6jI/AAAAAAAAAAM/bzal61fiD0Y/s320/-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368706478333553202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7228132041363785127?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7228132041363785127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7228132041363785127&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7228132041363785127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7228132041363785127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/08/eba.html' title='LIVRO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_OerMni3EhuY/SoF6GPBo6jI/AAAAAAAAAAM/bzal61fiD0Y/s72-c/-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7511574946978935115</id><published>2009-08-05T11:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T06:42:13.046-07:00</updated><title type='text'>O PEQUENO INSTANTE DE UM DIA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me perturba, perturba meu sono e perturba minha fome com suas conversas. Eu não consigo dormir direito, fico me remexendo na cama. Acordo toda errada, toda confusa, toda despedaçada e chego a passar meia hora encarando a fumaça do chuveiro, com o olhar lá longe, em qualquer lugar do mundo, menos onde devia estar. Demoro a encontrar uma roupa, detesto todas e escolho qualquer uma. Tomo café da manhã quase me jogando na cama de novo, perco a hora e entro no elevador ajeitando o cabelo que eu esqueci de ajeitar porque não lembrava o que fui fazer na frente do espelho. Gasto quinze minutos tentando tirar o nó do meu cordão, meio aérea, e esqueço a vida lá fora, as pessoas lá fora e tudo que acontece à minha volta. Subo as escadas do trabalho totalmente inconsciente, sento na minha mesa e só fico pensando em coisas que não fazem o menor sentido, totalmente desconexas, sem chegar a conclusão alguma. Não consigo juntar duas palavras, formar uma frase completa ou ter uma conversa decente com ninguém, porque a verdade é que nem me apetece falar nada. Fico ouvindo as mesmas músicas dezenas de vezes, talvez para não pensar, mas não faz a menor diferença, porque nem pensar eu consigo direito, são só alguns pedaços de várias coisas aleatórias. Tento escrever um poema, uma crônica, um pensamento ou tirar alguma poesia de mim, mas o esforço é ridículo e quando percebo já se passaram duas horas e o computador continua em branco. Meu relógio funciona, mas às vezes para, e de vez em quando volta, e eu nunca tenho noção de hora. Ando na rua e ela parece vazia, e parece que eu vou flutuar, mas volto e, inconscientemente, me puxo de volta. Sento no restaurante de óculos escuros, completamente na minha, e saio ainda mais na minha do que entrei, depois de odiar a comida, achar o suco azedo e o lugar frio. É como se você desse um pause na minha vida. Suas falas passeiam pela minha frente como um filme, que eu fico assistindo vinte e quatro horas, imóvel. E, por um dia inteiro, não sei quem eu sou, não sei o que eu quero, não sei em quem acredito. Você nunca erra. Você fala a coisa certa. Você me entende. Você me arranca, pedacinho por pedacinho, das minhas próprias mãos. E eu não sei o que fazer com o que sobrou de mim. E deixa eu te dizer. Você me perturba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7511574946978935115?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7511574946978935115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7511574946978935115&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7511574946978935115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7511574946978935115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/08/o-pequeno-instante-de-um-dia.html' title='O PEQUENO INSTANTE DE UM DIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7119834751255480969</id><published>2009-08-02T10:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T10:57:25.265-07:00</updated><title type='text'>ÚLTIMO</title><content type='html'>por andré muhle (pronuncia-se "múli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometo que esse vai ser o último. O último domingo que alguém vai me ver almoçando sozinho no Shopping. Ou melhor, o úlltimo domingo que alguém vai me ver almoçando sozinho no Shopping e pensar “Ow, tadinho, deve ser recém-divorciado”. Também vai ser o último domingo que eu não tenho um peixe, um cachorro ou um filho. O último que eu fico triste de ver as atualizações recentes do meu orkut e perceber que todo mundo está se casando e tendo filhos. O último domingo que eu vejo Gugu no SBT, até porque agora ele vai pra Record mesmo. O último que eu como Hot Pocket da Sadia no jantar ou passo na Subway as 10 da noite. O último domingo que eu deixo para escrever um texto de última hora, com o fantástico já terminando e a inspiração indo embora junto com ele. O último domingo que eu abro aquela gaveta tão temida. Aquela fechada há quase dois anos, onde eu guardo suas fotos, suas cartas e o par de meias que você esqueceu da útlima vez que esteve lá em casa. Você estava tão zangada que nem se preocupou em perder tempo na hora de colocar os sapatos, mesmo sabendo que ia ficar com calos horríveis. O último domingo que eu tirei o telefone do gancho para ligar para você, mas só consegui digitar os sete primeiros números. Graças a Deus, esse foi o último. Porque agora que você reapareceu na minha vida eu prometo que o próximo domingo será o primeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7119834751255480969?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7119834751255480969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7119834751255480969&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7119834751255480969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7119834751255480969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/08/ultimo.html' title='ÚLTIMO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3658621962004107818</id><published>2009-07-27T05:49:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T11:01:27.634-07:00</updated><title type='text'>VULGARIZANDO AMORES</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor passa pelos meus olhos com uma freqüência tão desconcertante que, de repente, me pego amando várias pequenas coisas que se debruçam ao longo do meu caminho. O jeito doce da Diana Ross de dançar e balançar os ombros com as Supremes, dentro de um vestidinho azul adorável, enquanto regula a mão direita num movimento lateral suave, que eu tento imitar em baladas e jantares pessoais. Minhas meias engraçadas com um pequeno pompom bem atrás, que fazem com que eu me sinta um pouco como a Pipi Longstocking, e eu quase bato um pé no outro, achando que elas podem produzir algum tipo de magia escondida. O cheiro que fica no hall do elevador aos domingos, quando meus vizinhos juntam a família e fazem uma receita com um cheiro entorpecedor de frango com batatas, fazendo com que eu me transporte automaticamente para casa. A música ‘Miss Otis Regrets (She Unable To Lunch Today)’, do Cole Porter, e a música ‘I Love You (But You’re Green)’, dos Babyshambles, só porque elas têm esse nome incrível, que cavam um sorriso de canto de boca em mim toda vez que leio. O momento em que Elliot se convida, no filme Hannah and Her Sisters, para acompanhar Lee à próxima sessão dos Alcoólatras Anônimos, porque ele quer desesperadamente ficar perto dela, nem que seja numa dessas reuniões. Os trechos ‘I like my body when it is with your body’, e ‘Nobody, not even the rain, has such small hands’, do E. E. Cummings, porque eu sinto uma vontade louca de conhecer alguém bacana toda vez que leio esses poemas. As fotos em que Clara desafia a máquina fotográfica e a pessoa por trás dela, arregalando os olhos com uma expressão de quem pensa ‘De novo? Como vocês, humanos, são bobos’, porque eu tenho certeza que ela veio de algum lugar muito maior do que tudo isso aqui ou saiu direto de algum conto de Clarice Lispector ou de Isabel Allende. As dez ligações diárias que eu recebo do meu pai perguntando se tá tudo bem comigo, eufemismo de “filha, checa os pulsos, os batimentos cardíacos e os reflexos cerebrais, só pra eu dormir tranqüilo hoje”. Aqueles olhos doces. O jeito adorável e desajeitado que os homens têm de tirar a camisa puxando ela por trás, deixando o cabelo todo bagunçado. A palavra em inglês ‘rainbow’, só porque é gostosa de dizer mesmo, e às vezes me acalma, como um mantra super secreto. George Harrison rindo no segundo sete da música ‘Here Comes The Sun’, implacável em todos os meus dias de chuva. Os pássaros e as borboletas da parede do meu apartamento, porque às vezes eu desconfio que eles voam enquanto eu durmo no quarto. As ombreiras, as roupinhas cafonas e as performances do Brandon Flowers, dos Killers. O delicioso sotaque inglês do Pete Doherty na exata hora em que ele canta ‘and to lie to you, rather than hurt you?’, em ‘Music When The Lights Go Out’. Todas as fotos do Henri Cartier-Bresson, o quadro ‘Rain, Steam and Speed’, do William Turner, e o quadro ‘Composition IX’, do Kandinsky. Quem tira os óculos do dia-a-dia e enxerga a menina por trás de todos esses clichêzinhos de escritora de cabecinha ferrada. E tantas outras coisas e pessoas que vou amar hoje, amanhã e depois. Até o dia em que não couber mais tanto amor dentro do meu corpo. Ou pelo menos até o dia em que deixar de amar esses detalhes e criar coragem pra amar alguém por inteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3658621962004107818?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3658621962004107818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3658621962004107818&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3658621962004107818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3658621962004107818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/07/vulgarizando-amores.html' title='VULGARIZANDO AMORES'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7573155167840724395</id><published>2009-07-20T05:37:00.001-07:00</published><updated>2009-07-20T05:41:46.146-07:00</updated><title type='text'>JOAQUIM AMAVA LILI</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava como um bicho. Faminto, com sede, bravo, feroz. Amava com medo, com raiva, com receio, com desespero. Amava além do suposto permitido por ele mesmo. Amava com perigo. Com fogo. Com veneno nas veias, na bebida, no sangue. Amava com o coração batendo forte, com o pulso rápido, a pressão lá em cima. Amava com saudade. Amava com carinho. Amava com calma, sabendo que também amaria amanhã. Amava com raiva, com choro, com lágrimas que nunca caiam. Amava com dor, com o coração de vidro quebrado, partido como um copo atirado ao chão. Amava com tristeza. Amava com solidão. Amava com ciúmes. Amava querendo não amar, preferindo ficar sozinho. Amava esperando, olhando o telefone, tomando banhO, deixando a barba e o cabelo crescerem. Amava com frases duras que era para ser segredo amar assim. Amava com vontade de ligar o tempo inteiro. Amava sem telefonar. Amava conservando o seu amor por dentro. Conservando a angústia só para si. Amava com os ouvidos atentos. Amava com a boca preparada, esperando um beijo. Amava com os braços fechados, com a mão no bolso, displicentemente: amava disfarçando. Amava se assustando. Amava enfurecido com tanta exclusividade. Com vontade de não amar. Amava querendo troco. Amava com o canto dos olhos. Amava nos olhos. Amava na boca dela, no cheiro dela, no sexo dela. Amava nos peitos dela. Amava no pescoço, por trás da orelha, nas sobrancelhas, no cílios, nos dedos dos pés. Amava quando acordava. Amava com o peito ardendo, queimando, querendo pular pra fora. Amava com o peito diminuindo, doendo, se escondendo em outros órgãos. Amava escrevendo. Amava ouvindo música. Amava em cenas de filmes. Amava em frases. Em matérias de jornal. Amava em comerciais. Amava enquanto escolhia uma cueca. Amava cheirando o lençol. Amava conversando. Amava ouvindo. Amava ela sorrindo. Amava quando a boca dela virava para baixo e também quando os olhos fugiam dos seus. Amava quando a fazia triste. Amava quando ela dormia e enquanto ela dormia. Amava em suas calcinhas, amava em suas próprias camisas, roupas masculinas, amava em suas perebas, mordidas de mosquitos. Amava em suas gírias. Amava em sua ausência de banhos, amava em seu perfume, amava no cheiro do seu cabelo. Amava sem passado. Amava com as cortinas fechadas, o lençol dividido, amava com  os quatro travesseiros da cama. Amava com frio. Amava com grude em seu corpo. Amava em seus óculos de grau. Amava em blitz, em cinemas, em todos os bares. Amava em cochilos. Amava no pôr do sol daquela praia, no rio batendo no mar, os dois assistindo na rede da varanda. Amava sem esperança. Amava sem alegria. Amava com um nó na garganta. Amava um dia bom, um dia ruim. Amava com dúvidas. Amava com vontade. Amava tenso. Amava precisando, mas evitando dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7573155167840724395?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7573155167840724395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7573155167840724395&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7573155167840724395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7573155167840724395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/07/joaquim-amava-lili.html' title='JOAQUIM AMAVA LILI'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7865262758783346576</id><published>2009-07-04T08:07:00.000-07:00</published><updated>2009-07-04T09:14:31.277-07:00</updated><title type='text'>LICENÇA, QUE EU VOU PARTIR</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo meu quarto, os sábados com cerveja a partir das onze da manhã, a gaveta com chave onde ficam os meus documentos, noventa e sete livros e mais tantos emprestados por aí, deixo alguns cds que nunca passei para mp3, o sofá ao lado da janela que eu abria com os pés, me esticando um bocado, os canais da net com o controle remoto quebrado e com pilhas sempre fracas, deixo minhas meias, duas calças, algumas camisas que Tuca certamente fará proveito, minhas casas da Torre e de Casa Forte, meus almoços de domingo com minha querida madre, meu terno que custou uma nota e só foi usado duas vezes, a gravata que tanto demorei para escolher, meu quadro da Quilmes, outros com Mundo, Mundo, Vasto Mundo, de Drummond e O Poeta É Um Fingidor, de Pessoa, deixo o quadro que Mari me deu, de Picasso, e que ocupa o lugar principal do meu quarto, porque veio com dedicatória e um beijo em alemão, deixo o quadro que Vovó pintou e me deu pouco antes de falecer, que é o bem mais valioso que tenho na vida, deixo a segunda gaveta com recibos antigos, cadarços de sapatos, brinquedos da minha infância – peão, badoque, bolas de gude –, ainda na gaveta, deixo pastas que não sei por que continuam ali, camisinhas vencidas, um caderno antigo, de quando eu tinha dezesseis anos e escrevia umas músicas muito melosas durante as aulas, deixo os lençóis rasgados, coisa de casa sem mulher, o travesseiro pequeno que Cecília usava até roubar o grande de mim, deixo o miúdo de galinha que dona Severina cozinhava em grandes quantidades, o sarapatel, a charque desfiada, o escondidinho, o arrumadinho, o bode guisado, o prato feito, a goiabada cascão, os sucos de cajá, goiada, acerola, maracujá e mangaba, o meu pandeiro de couro, que ficou no carro de alguém, o tamborim sem baqueta que, de tão pouco uso, virou objeto de decoração, deixo o chorinho da Chesf, os sambas do Fiteiro, o terrível repertório da banda Chitara, local de tanta reclamação, braços cruzados e, mesmo assim, de alguns dos melhores momentos que tive com a turma, deixo, com saudades, as Chitaretes e, principalmente, a equipe de Olinda, deixo a minha cama de casal, o controle do ar que ficava do lado, a caixa de tênis onde juntei quase quatrocentos reais de moedas, deixo o meu carro com Pedrinho e, com ele, deixo também a minha vaga na Ampla, deixo o cafezinho de Renatinha, que só durou até antes da fusão com a Ponto, minha sala de reunião que chamo de minha porque passava o dia lá, solitário, deixo o parque da Jaqueira e a vontade de caminhar que nunca tive, inclusive, deixo meu tênis de caminhar na casa do Tarta, bem como uma camisa que comprei no Chile,  deixo as conversas de amanhecer o dia com Marcota, com Cartola e Chico Buarque escrevendo aquilo que a gente tentava dizer, deixo o caboclinho, o break e o axé, as promessas de A gente precisa se ver mais vezes, conversas inacabadas que não vingarão pelo msn, amizades recentes que talvez sejam interrompidas, deixo as pessoas que se encontra em supermercados e shoppings centers, os primos, o Natal, o São João, os aniversários e os domingos na casa de vovô, que agora tem blog e tudo, deixo a pelada da segunda feira, minhas lojas preferidas, o sorvete da Fri-Sabor, que segue forte com seu hífen, deixo a banca de revista do Carrefour, a Piauí, a Bravo e a Super Interessante, as havaianas que esqueci de colocar na mala, os perfumes que não usava, mas estavam no banheiro, a mesa de vidro lá de casa, a vista da varanda, meu ventilador barulhento, marca-páginas espalhados pela prateleira, deixo minhas ilustrações com dedicatória sincera para os amigos que me visitaram um dia antes da viagem e, sem saber, me acalmaram um bocado, deixo o carangueio, as cervejas de seiscentos mililitros, a Skol e a Bohemia, o caldinho de feijão, o sururu, o marisco, a ostra e o aratu, o vinagrete, o Boi no Bafo, os almoços semanais com Leo, as colagens do To Ligado Boe, deixo o pessoal que estudou comigo no Lubienska e na faculdade, com encontros que demorarão ainda mais para acontecer, deixo a quadra de futebol lá do prédio onde não joguei mais que vinte vezes, a piscina que só entrei duas, a minha vaga na garagem, deixo a casa cor de Mangueira, verde e rosa, lá de Maria Farinha e, dentro dela, deixo toda a minha infância de bicicleta, pés descalços, jogos de bola, volley, speddy e frescoball, Maria Sanduba, pescarias e guerras de bomba d’água no carnaval, deixo o Parú, a Coroa do Avião, nossa lancha que nunca mais andei, do mar, deixo as praias em geral, com o peito apertado, deixo o jacaré, o caldo, o boto, o sal que gruda no corpo, a Casa de Banhos, a vista da ponte do Cabanga sobre o Capibaribe, Cão Sem Plumas que nunca cansei de olhar, deixo o coração e porta retratos vazios, porque as fotos de Tuca, Mari, Mainha e Painho vieram comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Deixo os versos que escrevi, &lt;br /&gt;As cantigas que cantei,&lt;br /&gt;Cinco ou seis coisas que eu sei&lt;br /&gt;E um milhão que eu esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo este mundo daqui,&lt;br /&gt;Selva com lei de cassino;&lt;br /&gt;Vou renascer num menino,&lt;br /&gt;Num país além do mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Licença, que eu vou rodar&lt;br /&gt;No carrossel do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu puder viver&lt;br /&gt;Tudo o que o coração sente,&lt;br /&gt;O tempo estará presente&lt;br /&gt;Passando sem resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora que eu for partir&lt;br /&gt;Para as nuvens do divino,&lt;br /&gt;Que a viola seja o sino&lt;br /&gt;Tocando pra me guiar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Licença, que eu vou rodar&lt;br /&gt;No carrossel do destino...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7865262758783346576?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7865262758783346576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7865262758783346576&amp;isPopup=true' title='38 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7865262758783346576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7865262758783346576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/07/licenca-que-eu-vou-partir.html' title='LICENÇA, QUE EU VOU PARTIR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7872604864280481300</id><published>2009-06-30T14:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T14:21:32.393-07:00</updated><title type='text'>PARA CLARA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você foi a primeira a nascer, mas já chegou com a manha das caçulas, pescando sorrisos com olhares doces e enchendo nossas vidas de música e de risadas, desconfiando do seu alto poder diante de tanta gente boba de amor. Não pude te conhecer logo, quando você fez bico na maternidade e decidiu ficar lá mais um tempo, mas era certo que estava apenas descansando sua alegria frágil antes de receber tantos cheiros, apertos e beijos. E quando te conheci, algum tempo depois, já de roupa colorida e olhos pretos curiosos, você só não me partiu em duzentos pedaços pequenos porque eu tinha que te segurar bem forte nos meu braços. Você me ganhou no primeiro segundo e me ganha cada dia que eu vou pra terrinha e acordo cedo, coisa que nunca fiz, só pra te pegar no colo e decorar cada parte perfeita do teu rostinho de princesa antes de voltar pra casa. Dizem que você se parece comigo quando criança e eu faço questão de também achar, carregando uma certa glória por você poder se lembrar da sua tia não pelas raras visitas, mas pelas vezes em que você se olha no espelho, brincando de ser boneca que anda e que fala. Também rezo todos os dias pra você não crescer com pressa, pra poder aproveitar bem muito o castelo que a gente construiu com um dragão bravo na porta só pra zelar teu sono e te proteger dos pesadelos. E me apavoro de saber que você já está correndo feito uma doidinha, porque agora já pode fugir sorrateira dos nossos abraços apertados demais e do nosso jeito bobo de te amar incondicionalmente. Enquanto isso, vou ensaiando daqui de longe os “não” que nunca vou conseguir te dizer e toda a poesia que ainda vou escrever pra falar do amor que esse teu berço guarda, como uma caixinha de música que guarda uma bailarina cansada de dançar o dia inteiro. E quando penso que você é a nossa menina, sei que me engano. Não é você que é a nossa menina, nós é que somos todos seus, minha linda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7872604864280481300?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7872604864280481300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7872604864280481300&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7872604864280481300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7872604864280481300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/06/para-clara.html' title='PARA CLARA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-641750304636142045</id><published>2009-06-24T18:43:00.001-07:00</published><updated>2009-06-24T18:44:52.640-07:00</updated><title type='text'>APESAR</title><content type='html'>por André Muhle (pronuncia-se "múli".)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei assoviar. Também não sei fazer bola de chiclete, nem muito menos piscar um olho só. Minha orelha esquerda é 1,6 centímetros mais pra cima do que a outra e tenho uma cicatriz de quase dois palmos no antebraço direito. Tenho gastrite moderada, gengivite crônica e uma hérnia de hiato que, em outras palavras, é quando um pedacinho do estômago passa pra cima da válvula que controla a entrada e a saída da comida. Já tive 16 cáries, não consigo beber whiskey e fico assustado em qualquer lugar com mais de 55 pessoas. Tenho uma enorme aversão a tudo que contém chocolate preto. Isso inclui bolos, biscoitos e milkshakes. Eu checo umas 4 vezes seguidas se o alarme do carro foi ativado e umas 6 se o despertador do celular está corretamente programado. Não me seco direito quando saio do banho e adoro, mas adoro mesmo qualquer música do Raça Negra. Quando eu acordo, meu cabelo parece um gato persa levando um choque elétrico. Mas ainda tem coisa pior antes disso. Eu durmo na vertical e acordo na horizontal, chuto qualquer pessoa que esteja por perto e tenho uma dificuldade gigante de dormir de conchinha. Sem falar que eu também ronco e fico dando uns pulinhos a madrugada inteira. Não sei dançar forró, repito os mesmos pratos no restaurante e sou mais nerd do que deveria ser. Fico com a pele irritada toda vez que faço a barba, meus olhos sempre acordam vermelho e, não sei porquê, mas acho que sou levemente bipolar. Por falar nisso, é bom dizer também que sou extremamente hipocondríaco. Se eu achar que vou ter dor de cabeça, já tomo na hora duas aspirinas fortes. Sou ansioso, nervoso, perfeccionista e não sei fazer baliza direito. Tenho o nariz grande, a barriga saliente e estou com rompimento dos ligamentos do músculo da virilha. Eu trabalho tanto, tanto, mais tanto que eu estou escrevendo esse texto sábado a noite, aqui, no trabalho. Mas, se ainda assim, você topar, eu topo também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-641750304636142045?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/641750304636142045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=641750304636142045&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/641750304636142045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/641750304636142045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/06/apesar.html' title='APESAR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-9221399138992187233</id><published>2009-06-19T17:33:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T16:21:34.794-07:00</updated><title type='text'>MARIA AMAVA JOAQUIM</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Joaquim, eu te amo.&lt;br /&gt;- Eu também, Maria.&lt;br /&gt;- Sou louca por você.&lt;br /&gt;- Ô, Amiga, eu também.&lt;br /&gt;- Quero esfregar meu corpo no seu.&lt;br /&gt;- Ta doida?&lt;br /&gt;- Eu te amo com todo meu coração, meu corpo, minha alma.&lt;br /&gt;- Santa mãe.&lt;br /&gt;- Eu quero estar nua do seu lado.&lt;br /&gt;- Nossa Senhora.&lt;br /&gt;- Dormir de conchinha, Joaquim.&lt;br /&gt;- Calma, mulher. Você sabe que Raimundo é meu amigo. Meu amigo do peito.&lt;br /&gt;- Raimundo é um bundão. Eu quero ficar com você.&lt;br /&gt;- Espera. O que ta acontecendo com vocês? &lt;br /&gt;- Ele só quer trabalhar. &lt;br /&gt;- Trabalhar?&lt;br /&gt;- Me deixou aqui, sozinha, pra ir pro Recife. Sozinha, Joaquim!&lt;br /&gt;- Ele fez isso por vocês, Maria. Pra vocês casarem.&lt;br /&gt;- Fez pra ser gerente, aquele bundão.&lt;br /&gt;- Não fala assim dele, vai.&lt;br /&gt;- Vem ficar comigo, Joaquim. &lt;br /&gt;- Não dá, Maria. Me desculpa.&lt;br /&gt;- Mas eu te amo.&lt;br /&gt;- Você já bebeu demais.&lt;br /&gt;- Olha o meu corpo, Joaquim. Não é você que sempre falou que eu poderia ser bailarina do Gugu?&lt;br /&gt;- Você é muito bonita. Sabe disso.&lt;br /&gt;- Não é você que dizia que queria ter um cabelo igual ao meu?&lt;br /&gt;- Seus cabelos são lindos mesmo. Sedosos, brilhantes.&lt;br /&gt;- Então, vem ficar comigo.&lt;br /&gt;- Não, Maria. Você sabe que não.&lt;br /&gt;- Joaquim, olha só isso daqui. Olha o meu decote.&lt;br /&gt;- Peraí, Maria. Pára com isso. Raimundo é meu amigo.&lt;br /&gt;- Sente isso aqui. Coloca a mão.&lt;br /&gt;- Você bebeu demais. &lt;br /&gt;- Coloca a mão aqui, Joaquim.&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus. Melhor eu ir embora.&lt;br /&gt;- Aqui, Joaquim.&lt;br /&gt;- Vou chamar um táxi.&lt;br /&gt;- Não, vem ficar comigo. O Raimundo não vai saber nunca. Ele só pensa na Insinuante de Casa Forte.&lt;br /&gt;- Ele quer juntar dinheiro pra vocês casarem, criatura.&lt;br /&gt;- Ele é um bundão.&lt;br /&gt;- Não fala assim do Raimundo.&lt;br /&gt;- Vem ficar comigo.&lt;br /&gt;- Não posso.&lt;br /&gt;- Não pode ou não quer?&lt;br /&gt;- Táxi! &lt;br /&gt;- Por causa do Raimundo? Ele nunca vai saber de nada.&lt;br /&gt;- Não é só por causa de Raimundo.&lt;br /&gt;- Você não me acha bonita?&lt;br /&gt;- Você é muito bonita. Tem uma pele linda.&lt;br /&gt;- Então por que não vem ficar comigo?&lt;br /&gt;- Táxi!&lt;br /&gt;- Vou entrar nesse carro com você. Vou tirar a roupa aqui na rua.&lt;br /&gt;- Se cuida, Maria.&lt;br /&gt;- Joaquim! Eu vou tirar a roupa aqui na rua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(acompanhe também os outros textos da série "Quadrilha", de julho de 2008 e abril de 2009).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-9221399138992187233?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/9221399138992187233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=9221399138992187233&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/9221399138992187233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/9221399138992187233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/06/maria-amava-joaquim.html' title='MARIA AMAVA JOAQUIM'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1141420661378398109</id><published>2009-06-15T05:24:00.001-07:00</published><updated>2009-06-15T05:24:34.394-07:00</updated><title type='text'>COMO QUEM RESPIRA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o minuto, é o instante, é o seguinte, é a hora,&lt;br /&gt;que passa, que vira, que muda, e o resto é mais, é menos,&lt;br /&gt;depende da hora, do tempo, do segundo,&lt;br /&gt;mas é tudo tão sonho, pesadelo, escuro, sossego.&lt;br /&gt;São planos, papéis, lençóis, travesseiros,&lt;br /&gt;enganos, puros, humanos, erros, adoráveis consertos,&lt;br /&gt;portas e linhas tortas, mas minhas, só minhas, importa?&lt;br /&gt;É o vento, é o poema, é o beijo, chorado, apertado, soluçado,&lt;br /&gt;é a despedida com um lenço na mão, que segura, feito peneira,&lt;br /&gt;as palavras, como areia, que vão caindo no chão.&lt;br /&gt;É o talvez, é o pode ser, é o sim que não cai,&lt;br /&gt;segurado pelos braços, pelos pés, atados,&lt;br /&gt;pela dúvida, pelo vai, pelo não vai,&lt;br /&gt;mas se duvida, não toca, então sai, só sai.&lt;br /&gt;É a loucura sem a doidice de vez,&lt;br /&gt;cada vez, dessa vez, mais uma vez, quantas vezes?&lt;br /&gt;Dois, só nós dois, sem eles, sem vós, nós.&lt;br /&gt;Um passo atrás e estamos sós.&lt;br /&gt;É a cama, é a lama, é o céu de pijama,&lt;br /&gt;ama, não engana, não brinca, e vou, e volto,&lt;br /&gt;e sumo, e te adoro, e te amo, e te odeio, e te xingo e te gosto.&lt;br /&gt;São sorrisos, conversas, borrachas, papéis,&lt;br /&gt;brancos, azuis, coloridos, perdidos&lt;br /&gt;no incrível preto, amarelo, roxo, rosa, verde, infinito.&lt;br /&gt;Madrugadas sem volta, só de ida, sem vinda,&lt;br /&gt;linda, louca, viva, mas perdida, eternamente perdida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1141420661378398109?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1141420661378398109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1141420661378398109&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1141420661378398109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1141420661378398109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/06/como-quem-respira.html' title='COMO QUEM RESPIRA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2480822570369033039</id><published>2009-05-29T22:21:00.000-07:00</published><updated>2009-06-01T19:46:43.924-07:00</updated><title type='text'>SHARAPOVA</title><content type='html'>por André Muhle (proncuncia-se "Múli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você abrir qualquer Cláudia, Contigo ou Marie Claire,&lt;br /&gt;e procurar pela palavra "rotina", vai perceber que&lt;br /&gt;quase em 100% dos casos, ela vem junta de expressões como:&lt;br /&gt;"fim do casamento", "preciso de um amante" ou &lt;br /&gt;"não sei mais o que fazer, por favor me salvem".&lt;br /&gt;Mesmo que você nunca tenho lido nenhuma das três revistas,&lt;br /&gt;(e eu espero muito que esse seja seu caso), &lt;br /&gt;sabe bem do que estou falando.&lt;br /&gt;Para 93,72% das pessoas, "rotina" é sinônimo de coisa ruim.&lt;br /&gt;Existem 1674 livros com a frase "Saia da rotina e vença".&lt;br /&gt;3 em cada 7 mulheres usam a pobre da rotina como desculpa &lt;br /&gt;para se separarem dos maridos.&lt;br /&gt;Mas, apesar de todos esses números impressionantes, &lt;br /&gt;eu acredito que poucas coisas na vida &lt;br /&gt;sejam tão belas quanto a rotina.&lt;br /&gt;Eu dormir com a Sharapova todos os dias, por exemplo, &lt;br /&gt;seria uma rotina.&lt;br /&gt;E quem em sã consciência chamaria isso de uma coisa ruim?&lt;br /&gt;A rotina é um bem necessário ao ser humano.&lt;br /&gt;Kurt Cobain e Sylvia Plath se mataram por falta dela. &lt;br /&gt;Mas vamos voltar ao exemplo da Sharapova.&lt;br /&gt;Aquela tenista loira, russa, alta, loira, &lt;br /&gt;das pernas grossas, rica, loira&lt;br /&gt;simpática, elegante e loira.&lt;br /&gt;Se eu durmo com a Sharapova todos os dias, &lt;br /&gt;isso vira uma rotina, certo?&lt;br /&gt;E exatamente por virar uma rotina, eu talvez, &lt;br /&gt;acabe não dando o valor que merece.&lt;br /&gt;Afinal eu dormi com ela ontem, vou dormir hoje &lt;br /&gt;e, provavelmente, também dormirei amanhã.&lt;br /&gt;Mas no dia que eu passar a não dormir com a Sharapova &lt;br /&gt;eu sentirei uma falta enorme dela e, quase certeza, &lt;br /&gt;vou valorizá-la de uma forma que nunca tinha feito antes.&lt;br /&gt;É pra isso que serve a rotina.&lt;br /&gt;Pra que a gente só saiba o que é ruim &lt;br /&gt;depois de perder o que era bom.&lt;br /&gt;Ter minha mãe em casa, todos os dias, era um rotina para mim.&lt;br /&gt;E agora, que já não tenho mais isso, &lt;br /&gt;parece que a amo cada vez mais.&lt;br /&gt;É a falta da rotina que faz ex namorados sofrerem por tanto tempo. Até que a solidão, que até então era novidade, passe, com o tempo, a ser a sua nova rotina. E aí, quando estiverem novamente namorando, sentirão falta do tempo &lt;br /&gt;em que eram solteiros.&lt;br /&gt;É difícil de explicar, mas juro que é assim que acontece.&lt;br /&gt;O mais triste de tudo é que a gente só percebe o valor da rotina&lt;br /&gt;depois que ela deixa de ser, obviamente, uma rotina.&lt;br /&gt;Quando você vai morar no exterior por exemplo,&lt;br /&gt;você não sente falta do Cristo Redentor, do Masp&lt;br /&gt;ou muito menos do Morro do Careca.&lt;br /&gt;Sente falta do suco que sua mamãe fazia no café da manhã. &lt;br /&gt;Sente falta do buraco na rua que,&lt;br /&gt;todos os dias, você caia com o carro.&lt;br /&gt;Mesmo estando cansado de saber que ali tinha um buraco.&lt;br /&gt;As coisas pequenas, quando viram rotinas, se tornam enorme.&lt;br /&gt;E, ao contrário da Cláudia, da Contigo e da Marie Claire,&lt;br /&gt;eu prefiro acreditar na rotina como sendo algo essencial &lt;br /&gt;para nossa evolução e para nossa vida. &lt;br /&gt;Pra terminar, um trechinho de um comercial que vi dia desses:&lt;br /&gt;A ideia é a rotina do papel. O céu é a rotina do edifício.&lt;br /&gt;O início é a rotina do final. A escolha é a rotina do gosto.&lt;br /&gt;A rotina do espelho é o oposto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2480822570369033039?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2480822570369033039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2480822570369033039&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2480822570369033039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2480822570369033039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/sharapova.html' title='SHARAPOVA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3377470525388964092</id><published>2009-05-21T06:30:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T09:47:14.395-07:00</updated><title type='text'>LIFE IN PLASTIC</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres de lingerie cereja, minúscula e com renda entram nos bares depois dos ventiladores industriais, com seus cabelos esvoaçantes destacando seus cortes de cabelo “igualzinho ao da Gisele, moço, por favor”. Elas chegam sempre aos bandos, inseguras demais pra decidirem sozinhas se querem beber caipiroska de uva ou caipisakê de frutas vermelhas, enquanto enrolam compulsivamente os cachos dourados no dedo indicador, pedindo com voz de menina-do-papai a ajuda do garçom, que a esta altura já se perdeu no decote da dita cuja. São praticamente iguais, e três copos de cerveja depois, nenhum homem consegue distinguir a Lê, a Rê e a Fê, mas eventualmente vai levar uma das três pra casa, provavelmente a primeira que sofrer de falta de ar por causa da calça jeans apertada. Todas têm cara de paisagem, a maioria do tipo “final de semana em Punta”, e quando o assunto é viagem, dão aquela risadinha cúmplice e sacana entre si porque suas histórias homéricas sobre compras e vômitos em bolsas falsificadas são simplesmente impagáveis, mas jamais são reveladas, porque até o último segundo, elas vão fazer os homens acreditarem que são boas demais pra eles. Dão gritinhos irritantes e a experiência de sentar numa mesa ao lado delas é quase espiritual, porque você precisa sair do corpo pra suportar tanta futilidade e chilique junto. Livros: só os para-didáticos, que foram obrigadas a ler durante o ensino fundamental. Jornal: suja as mãos de preto e “ah não, eu acabei de fazer as unhas”. Revistas: variam entre Vogue, pra distinguir branco de off-white, e Marie Claire, pra responder o teste “High ou high-low?”. Algumas são até legais, é verdade, mas o instinto de bando é sempre mais forte e prevalece acima de qualquer coisa. Elas adoram as baladas com música muito alta, talvez pra não denunciar seus cérebros atrofiados, depois de tantas horas marinados na vodka com energético. Têm como trabalho e diversão de vida seduzir: seduzem o manobrista, o garçom, o porteiro, o faxineiro, os playboys, os hippies, os indies e os namoradas da amigas. Elas não acrescentam nada nas conversas e estão sempre ocupadas demais se equilibrando nos saltos altos ou retocando o glitter que aumenta o volume dos lábios, porque todas querem ter a boca da Angelina Jolie, o cabelo da Gisele, as pernas da Adriana Lima, a inteligência emocional da Lindsay Lohan e o QI da Paris Hilton. Por isso, eu afirmo: longa vida às calcinhas brancas, beges, pretas, coloridas, de esquerda, mas cheias de personalidade. Mulheres de lingerie cereja, minúscula e com renda são como itens de decoração: ficam ótimos na estante da sala, mas não passam de lindos objetos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3377470525388964092?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3377470525388964092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3377470525388964092&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3377470525388964092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3377470525388964092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/life-in-plastic.html' title='LIFE IN PLASTIC'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7214766694588446176</id><published>2009-05-15T05:59:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T06:45:48.749-07:00</updated><title type='text'>ANTES DA NOSSA DESPEDIDA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E teve aquele momento. Aquele momento na praia em que eu percebi que te amava, ou te amava mais do que pensava, porque a gente tinha brigado e eu não queria fazer mais nada por nós dois. Mas só de ficar perto de você naquele momento, eu senti uma dor muito grande perto do peito, dor mesmo, como uma pontada, um efeito colateral que acusava a sua perda. E eu fiquei alguns minutos parada, tentando examinar de onde vinha aquela dor, tentando entender como eu podia te amar tão inconscientemente, a ponto de um pedaço doer só de prever a sua falta. E eu não sabia como agir. Porque ao mesmo tempo em que descobri que te amava, também descobri que você tinha me traído ao ocupar silenciosamente alguns cantos dentro de mim, sem que ao menos eu percebesse, sem que ao menos eu pudesse impedir tudo aquilo de acontecer. Eu te encontrei dentro de mim, eu te vi lá dentro, misturado com meus planos, meus sonhos, minhas vontades e meus medos. Você fazendo parte daquilo tudo. Você pulando dentro de mim como um órgão vivo. Você percorrendo todos os meus cantos. Aquilo tudo sentindo a sua falta se você partisse. E me senti tão feliz e tão impotente ao mesmo tempo, enquanto você me encarava, tentando entender porque, de repente, eu tinha começado a olhar para o nada, quando na verdade eu olhava para dentro, tentando cavar todo aquele sentimento. Só pra ter coragem de te dizer que você era todo lindo, que eu te amava sem saber e que meu corpo precisava do seu abraço porque ele era tão forte que colava todos os meus pedacinhos, me deixando inteira, me tornando uma coisa só, me dando sentido, me fazendo sentir completa. E eu não expliquei nada. Eu só te abracei, mas dessa vez foi pra colar todos os seus pedacinhos que eu tinha partido com os meus gestos, as minhas palavras e o meu jeitinho de quem não se importa. E eu te colei inteiro, caco por caco, parte por parte. E você não falou mais nada. E eu não falei mais nada. Porque você me amava. E eu te amava de volta. E o resto são sempre só palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7214766694588446176?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7214766694588446176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7214766694588446176&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7214766694588446176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7214766694588446176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/antes-da-nossa-despedida.html' title='ANTES DA NOSSA DESPEDIDA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2440288075918458480</id><published>2009-05-12T04:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T14:49:00.687-07:00</updated><title type='text'>O GRANDE PROBLEMA DO HOMEM É O MICROFONE</title><content type='html'>por Rafael Moreno  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema do homem é o microfone. Dê a ele um microfone – e a isso me refiro a dar atenção, voltar olhos e ouvidos, ok, vocês entenderam – e ele falará qualquer besteira. Só falará besteira. Talvez uma coisa interessante aqui ou ali, mas de fato, resumindo, juntando tudo e colocando num pote, sairá apenas besteira.  Ah, como o ser humano fala besteira. Em agências de publicidade isso acontece o tempo inteiro sem parar. Dê um microfone para um atendimento e espere. Ele destruirá a sua linda e trabalhosa campanha com mil receios e argumentos bundões. Nos primeiros minutos eles te escutam, ou fingem bastante bem. Na verdade, estão juntando argumentos, fazendo uma lista na memória, lembrando de tudo o que o cliente pode talvez quem sabe não gostar. E jogam isso devagarzinho para você, começando com um “sabe o que eu acho?”. Derrubam tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa não é só deles. Admito. Boa parte desse despreparo e desse incrível medo de ousar, vem do cliente. Estes têm o microfone ligado no volume máximo. Falam o que querem, mudam o que querem, criam na hora uma frase que você demorou cem frases para fazer. Todo mundo é redator, todo mundo é diretor de arte. O cliente tem o maior microfone do mundo. E nem vou perder linha desse texto falando sobre o “profissional de marketing”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Domingão do Faustão os convidados têm microfones espetaculares. O próprio Faustão tem um incrível. Mas os convidados, quando precisam falar sobre temas delicados, como guerras, fome, células-tronco ou até temas mais simples (mas não menos complexos), como o ciúme, a paixão, a traição, falam umas asneiras que me doem os ouvidos. Doem mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também as tias das namoradas. As tias das namoradas merecem um parágrafo porque usam você como platéia. Como os maridos não as escutam mais e elas precisam de um espectador masculino, sobra para você, que é legal a maior parte do tempo e quer o melhor para a sobrinha delas. O problema é que essa tia ocupa todos os espaços da sala emendando um assunto no outro sem nem perceber que acabou a cerveja do seu copo e você quer, precisa, um pouco mais. Na casa das tias da namorada, namorado nenhum tem opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda não chegamos no pior tipo de palestrante que existe. O pior tipo de palestrante que existe é aquele nasce com o microfone colado ao corpo, no maior estilo Silvio Santos (pronto, chegamos). Tente lembrar: você certamente possui um amigo, um primo ou um colega de trabalho que é assim. Opinam absolutamente sobre tudo. Fale de futebol e ele chamará a atenção para si, falando sobre futebol, mesmo que entenda pouco ou quase nada do assunto. Fale de forró, tricô ou mini-bugues e ele terá uma história melhor que a sua. Fale de novela e, caso ele não goste de novela, vai falar que “se tem uma coisa que eu não gosto é de novela! Deus me livre das novelas! Pra vocês terem uma ideia, a última a que assisti foi Tal! Aquilo sim era novela! Novela Tal!” Pronto, ele volta à cena, discorrendo sobre a novela Tal com mil recordações: personagens, jargões, cenas divertidas, enquanto você, que sabe tudo do tema, precisa prestar atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sério. O palestrante sempre tem uma piada melhor que a sua, uma história mais interessante que a sua, ele já foi assaltado mais vezes que você, marcou um gol de bicicleta, viu seis vezes aquele filme e leu oito aquele livro, de trás para frente. O palestrante ri mais alto, porque até o riso dele tem que chamar atenção, senta na cabeceira, não come qualquer tipo de queijo ou, ao contrário, come todos sem saber a diferença - deixando bem claro que não liga para a diferença. O palestrante ama ou odeia tudo. É um sujeito de extremos. Ele pode ser muito legal ou pode ser muito chato. Mas ele tem que aparecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que todo mundo tem seu momento palestrante. Nem adianta se esconder. Todo mundo tem um espaço onde é ouvinte, mas também tem um espaço onde é palestrante. Com a namorada, com os amigos de infância, na mesa de jantar. Alguns falam muito na casa do pai e pouco na casa da mãe. Outros possuem microfones com a turma da faculdade e são mudos com o pessoal do estágio. Isso muda em cada círculo. Mas quem tem voz, quer falar. E bom seria se todos nós discutíssemos apenas sobre o que entendemos. Se discutíssemos apenas sobre o que entendemos, o mundo teria conversas mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso repito: o grande problema do homem é o microfone. E o grande problema, insisto: é que gostamos do microfone. De ser palestrantes. Queremos uma platéia. Queremos mesmo. Para conquistar uma menina, os amigos, o chefe. Gostamos do microfone e é esse o nosso grande problema – é esse o grande problema da humanidade. Você pode ter orgulho de ser ouvinte, querido leitor. De ser um cara simples, humilde e pouco vaidoso, mas quando colocarem um microfone na sua mão, vai gostar. Sei que vai gostar. E vai acabar falando besteira. Acontece com todo mundo. Aliás, não sei se deu para perceber, mas está acontecendo comigo desde que o texto começou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2440288075918458480?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2440288075918458480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2440288075918458480&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2440288075918458480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2440288075918458480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/o-grande-problema-do-homem-e-o.html' title='O GRANDE PROBLEMA DO HOMEM É O MICROFONE'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8782591455171562109</id><published>2009-05-09T17:59:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T18:02:41.014-07:00</updated><title type='text'>NO SEU DIA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, o que estou fazendo tão longe de você? Você pedaço de mim. Eu pedaço de você. Nós sempre aos pedaços de tanta saudade. Você que sorri e ama o mundo de graça e com o coração aberto, escancarado, porque ele não te deve absolutamente nada e porque você está sempre mil anos à frente de pessoas como eu, mera mortalzinha cheia de dúvidas, defeitos e manias. Você que é inteligente, e de quem eu roubei quase todos os meus livros antigos, porque a gente ama contar letrinhas juntas dia de domingo, ignorando essa coisa boba que é a distância. Você que adora meu novo jeitinho calmo de viver, porque você já estava meio cansada de rezar todos os domingos pra salvar minha alma das minhas paixões tão erradas. Você que também sabe aquele trecho do livro de Clarice Lispector e que recita comigo ao telefone quando o aperto fica gigantesco e a gente fica tentando se achar por telefone. Você que me quer por perto, você que me aceita longe, você que me diz, de coração partido, que quer que eu seja muito feliz, independentemente de onde. Você que é toda linda do jeito que veio, por dentro e por fora, sem aquela tranqueira artificial que a maioria das mulheres usa pra sair de casa. Você que me puxa lá do fundo do meu pocinho existencial quanto eu tô perdida e me mostra o caminho, porque você é aquele tipo de pessoa que tem muita certeza das coisas. Você que me liga sete vezes quando eu não atendo, e que me deixa louca com essa mania de achar que meu bairro fica alagado quando chove, que minha gripes são sempre bronquites e que as árvores que caem aqui em São Paulo miram sempre na minha cabeça. Você que tem a educação e os gestos de uma princesa e a falta de frescura de uma plebéia, se juntando ao povo quando tenta sambar pela Mangueira. Você que conversa comigo horas na frente da praia, sentada num banquinho branco, vendo a onda bater na areia, enquanto a gente discute bobagens e enxuga as lágrimas da despedida que está por vir. Você que fica chocada com minhas maluquices de menina, e no instante seguinte já se corrige ou disfarça, porque você nunca quer que eu pare de te contar esses absurdos fantásticos que acontecem na minha vida. Você que me dá bronca, briga, dá sermão, me obrigando a tirar o telefone da orelha por alguns segundos, porque isso é coisa de mãe e há que se respeitar o direito de falar. Você que tem nome de santa, jeito de santa e até já ganhou o apelido de Tia Santa. Você que tem um pedaço comprado, cercado, loteado e construído no meu coração. Você que eu queria bem perto. Você que é mãe de três meninas que te amam do tamanho do sistema solar. Mais Plutão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Dia das Mães, meu docinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8782591455171562109?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8782591455171562109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8782591455171562109&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8782591455171562109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8782591455171562109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/no-seu-dia.html' title='NO SEU DIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3152364214272582264</id><published>2009-05-06T10:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T10:19:19.956-07:00</updated><title type='text'>MAS</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas você não é meio confuso, não tem um jeitinho subliminar, não é todo perdido, não vai ferrar a minha cabeça de escritora e não vai me obrigar a ouvir jazz sábado de manhã pra curar a dor do meu coração de espírito livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sou enjoada, toda errada, cheia de perguntas difíceis, palavras complexas, respostas prontas, crônicas endereçadas, poesias distraídas e sou meio como o mar, que tem dias de calmaria e dias de muita intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sempre faço questão de falar das minhas dúvidas, dos meus defeitos de menina mimada e dos meus questionamentos existenciais até perder totalmente o encanto, como a menina do filme, guardando só para os íntimos a doçura, as risadas, o carinho, o cuidado, a atenção, as confissões e o amor que não questiona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas você cuidaria tão bem de mim que todo mundo odiaria a felicidade estampada no meu sorrisinho de canto de boca, que você levaria pra passear junto com o seu quando eu não estivesse trabalhando, escrevendo, dando risada ou ouvindo as Supremes na cama que abraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu tenho essa dor no peito quando respiro muito forte, e você merece muito mais do que uma bronquite crônica e sem conserto que eu herdei de tantos desamores, de tantas palavras dolorosas e de tantas confissões de travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas ultimamente eu sou do tipo que fica no seguro, e agora todo mundo tem que me ganhar nos primeiros sete segundos e depois me ganhar sempre um pouquinho, até eu ser inteira de novo e não mais uma grande cratera vazia que faz eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas poderia acabar me apaixonando até demais, e depois poderia te querer só pra mim, e um dia você acordaria guardado dentro de uma caixinha de madeira, onde eu ia te ensinar a fazer poesia pra gente poder se alimentar só disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia ter me apaixonado por você, mas comigo existe sempre um mas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3152364214272582264?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3152364214272582264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3152364214272582264&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3152364214272582264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3152364214272582264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/mas.html' title='MAS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3969810014720914043</id><published>2009-05-03T11:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-03T11:21:10.650-07:00</updated><title type='text'>VIOLÃO</title><content type='html'>por André Muhle (pronuncia-se "Muli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse tocar violão, poderia ter o cabelo despenteado, a barba mal feita e aqueles olhos apertados como quem acabou de acordar. Poderia também ter um papo terrível, dançar feito um turista sueco e nunca ter lido um livro de García Márquez. Eu poderia tudo isso, se eu soubesse tocar violão. Muito provavelmente eu também teria conhecido você 5 anos antes, naquele restaurante japonês. Enquanto você desviava o olhar, eu pensava desesperadamente no que dizer. Se eu soubesse tocar violão, já teria escrito num guardanapo “Ei, eu sei tocar violão”. Na verdade toda minha vida seria diferente, se eu soubesse tocar violão. Não adiantava ser guitarra, bateria, gaita de fole, saxofone, nem nada, tinha que ser o violão. No colégio eu continuaria sendo o André, o menino franzino, com uma orelha maior que a outra, mas se eu soubesse tocar violão até a Nathália daria bola pra mim. Ah, a Nathália. Foi a primeira vez na vida que vi uma menina usando a franja para cobrir um dos olhos. Eu achava que essas coisas só tinham nos Estados Unidos. Aos 13 anos veio a excursão pra Salvador e se eu soubesse tocar violão teria ficado com a Nathália, com a Amanda e com a Rebeca. Dependendo das músicas que eu soubesse tocar, isso poderia até acontecer simultaneamente. Se eu soubesse tocar violão, no aniversário de 15 anos da Claudinha eu é que teria subido no palco e sido o centro das atenções. Não o idiota do Maurício que só porque assoprava um pente de cabelo como se tivesse tocando uma gaita, ficou com quatro meninas na festa e ainda ganhou a primeira fatia do bolo. Idiota, idiota, idiota. Se eu soubesse tocar violão pararia de escrever esses meus textos que já estão ficando todos iguais e deixaria o blog nas mãos de Rafa e de Ritinha. Eles sim sabem demais. Também não daria nenhum presente para minha mãe. Pegaria o telefone agora e faria uma música pra ela. Faria uma música no meu violão. Se eu soubesse tocar violão, faria uma música pra Edízia que é dona dos comentários mais interessantes desse blog. Faria também uma música pra Duda que é uma fofura de pessoa e outra pra Nanda que já conseguiu um milhão de leitores pra gente. Se eu soubesse tocar violão, faria uma música pro Obama, uma pra Susan Boyle e outra pra todos os doentes da Gripe Suína, que agora é Gripe A. Mas principalmente, se eu soubesse tocar violão, vestiria agorinha mesmo uma camisa preta da Hering e iria andando até sua casa. E em vez de pedir desculpa por aquilo que te fiz ontem, eu bateria na porta, sentaria no batente da escada e deixaria que Chico explicasse por mim. Mas isso claro, se eu soubesse tocar violão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3969810014720914043?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3969810014720914043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3969810014720914043&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3969810014720914043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3969810014720914043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/05/violao.html' title='VIOLÃO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8037385320668205562</id><published>2009-04-26T06:48:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T07:13:29.922-07:00</updated><title type='text'>EU NÃO VOLTAREI AO VALE DO CATIMBAU</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não voltarei ao Vale do Catimbau. Não verei suas pinturas rupestres, me cansarei em suas trilhas ou sentarei em suas pedras, mirando o horizonte com sua neblina cor de cinza, com o laranja do seu pôr-do-sol. Eu não voltarei ao Vale do Catimbau e por isso não molharei outra vez o rosto na fonte de Antonio Leite e nem escutarei, atento e curioso, que ali fizeram uma tocaia para ver se ele tinha mesmo o corpo fechado. Também não protegerei Cecília dos bodes com seus sinos, segurarei sua mão nos piores trechos ou esperarei vinte horas por suas intermináveis fotos de duzentos cliques. Palavra que não mais tentarei inventar figuras nas pedras, que são nuvens eternas, ou me sentarei na caverna do Paraíso Selvagem, de frente para o penhasco laranja que o pôr-do-sol pintou do vermelho mais vivo que já existiu e de lá, do alto da caverna, não subirei no morro e farei o melhor xixi da história, com o Vale inteiro de paisagem. Eu não me unirei a Igor na maldade de juntar duas formigas gigantes, que se comem, não abrirei os braços no alto do Ibreu, nem cantarei Luiz Gonzaga no meio da trilha do Camelo. Não vou rir quando Carol cair na água fria por causa de uma lagartixa e de um susto. Ao Vale do Catimbau não voltarei. Não se Eneas não for o nosso guia. Eneas com seu riso fácil, com sua amizade fácil, acessível, seu grande conhecimento da região, das pessoas da região, dos causos da região. E se Eneas não aceitar a nossa cerveja é que não voltarei mesmo, porque vai ser na cerveja que ele vai nos apresentar a José Bezerra e sem José Bezerra, com suas santas, suas esculturas e seus sambas de côco, o Vale do Catimbau não será o mesmo. E o amigo Zé Bezerra vai ter que me emprestar o pandeiro novamente, porque foi com ele tocando em minhas mãos, juntamente com o tambor de Farias e com as vozes de todos do Vale, incluindo seus antepassados, meu Rei e até Antonio Leite, que aconteceu uma das noites mais inesquecíveis, inesperadas e fantásticas das nossas vidas, de todos que estavam por lá, imagino. Por isso não voltarei ao Vale do Catimbau. Não voltarei se Minha Princesa, ilustre filha de Meu Rei, também não tiver esperado seis anos para voltar à sua casa, seu palácio, naquele mesmo dia. Não voltarei se ela não fizer o mesmo discurso, quase molhando os rostos de lágrimas, o dela e os nossos. Não voltarei se Dona Carminha e Dona Helena não fizerem aquela sopa, aquela galinha caipira, aquele suco de goiaba, aquela torrada, a feijoada de Carol. E a mesma Dona Carminha teria que molhar os olhos ao se despedir, para eu poder voltar ao Vale do Catimbau. Não, lá eu não piso mais, nem danço mais ao redor da fogueira, nem canto com a rainha do bolero, Dona Neivia. Não canto sambas com Farias ou Marlene. Não vou rir de Ismael levantando os braços e pulando curto uns passos de balé, seguidos por todos do Vale, por todas as pessoas da fogueira, como numa ciranda de improviso, como se não houvesse platéia. Não voltarei sem os mandamentos de Manuela, tão bonitos que silenciaram a gente. Não voltarei sem as crianças da vila, enchendo as bolas e fazendo elas secarem depois, para encher de novo numa brincadeira sem fim. Não voltarei se as mesmas crianças não gostarem tanto de tirar fotos. De maneira alguma eu voltarei, se Dona Nenê não continuar com a mesma simplicidade e a sinceridade fácil que pensei só existir nas crianças, de dizer que gosta de alguém de graça, de levar pinhas para o nosso lanche. Nunca voltarei se Farias não continuar o mesmo, com tantas histórias, mímicas, tanta coisa para contar e tanto amor pela sua terra, por seus amigos, por sua sogra, sua irmã, por Ismael, sendo, sem saber, Rei, e não Príncipe, do lugar. Eu não voltarei se o nosso guia não ficar doidão, tropeçando no mato, fazendo trilha de madrugada para curar a cachaça ou se não queimarem a cerca do galinheiro para o fogo continuar ardendo. Acima de tudo, eu não voltarei se a lua não ficar diferente, com um enorme círculo ao seu redor, passando para nós - até para nós, céticos, até para nós, ateus - a incrível sensação de que estamos mesmo em um lugar diferente, que estamos mesmo sendo abençoados, que estamos mesmo fora do mundo, que estamos mesmo com uma coisa dentro da gente e que só indo lá dentro para saber tudo o que aconteceu de mágico, de fantástico, de bonito naquele lugar. Eu não voltarei se tudo não for igual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8037385320668205562?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8037385320668205562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8037385320668205562&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8037385320668205562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8037385320668205562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/eu-nao-voltarei-ao-vale-do-catimbau.html' title='EU NÃO VOLTAREI AO VALE DO CATIMBAU'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6941761384376060102</id><published>2009-04-23T05:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T11:57:19.689-07:00</updated><title type='text'>ENTRE TANTA GENTE CHATA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te encontrar mexe comigo. Não porque te queria pra mim, não é isso, até porque nunca olhei pra você de outro jeito, mas porque você me lembra de todos os caras que conheci e que podiam ser incríveis como você e não são. Todos têm uma simpatia vulgar, em comparação com seu jeitinho adorável de ser doce com alguns e arrogantemente ácido com a maioria. Você, como poucos, é uma pessoa a se descobrir, sem aquela primeira impressão que quase nunca se modifica depois que a gente conhece alguém. Você é homem sem ser mal-educado e gentil sem ser bobo. Fala sobre qualquer coisa com a desenvoltura de um especialista, apesar de ter aprendido tudo com a vida, e percorre suas frases feitas com um risinho cretino super simpático, acompanhado de uma feição tímida, mas primordialmente canalha. É escolado na arte de ser na medida certa em tudo, como se tivesse estudado qualquer passo, mas faz isso com uma naturalidade humilhante em qualquer ambiente em que está. Você sabe o que quer da vida e tem uma segurança que me faz sentir perdida e adolescente do seu lado. É, eu sou uma adolescente do seu lado, e tenho certeza que não consigo disfarçar que me concentro só pra não perder nenhum detalhe dos absurdos hiper fantásticos que você me fala. Você não é o homem mais bonito que eu conheço, não é o mais inteligente, o mais esperto, o mais educado, nem o mais charmoso, mas consegue cumprir todos esses quesitos sem ser mediano. É dolorosamente sincero, e eu sempre me preparo pra te ver desfazer meu castelo de areia em dois segundos. E sabe rir das suas fraquezas, tornando seus defeitos meros espectadores das suas qualidades irreparáveis. E também me faz rir alto feito criança, até quando tá longe, e já dedicou parte do seu tempo precioso a me tirar do fundo do meu pocinho existencial e dos meus medos de menina. E você tem um jeitinho meio exclusivo de ser e eu fico toda feliz sempre que você arranja tempo pra mim. Mas depois de te encontrar sempre começo a olhar os homens na rua de outra maneira. E nessa hora eu chego à conclusão de que todos podiam ser incríveis como você e não são.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6941761384376060102?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6941761384376060102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6941761384376060102&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6941761384376060102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6941761384376060102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/entre-tanta-chata.html' title='ENTRE TANTA GENTE CHATA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-4147252610890695401</id><published>2009-04-21T15:11:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T05:21:52.808-07:00</updated><title type='text'>PERDÃO</title><content type='html'>por André Muhle (pronuncia-se "Muli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor Joana, me perdoe, mas ontem eu te traí. Ela não era mais bonita que você. Não era mais divertida que você. Nem tinha esses olhos que eu tanto admiro em você, mas ainda assim eu te traí. Ela não gostava de livros antigos como você. Não ouvia Norah Jones como você. Na verdade, ela não tinha nada de bom como você. Mas ainda assim, eu fui lá e, sem pestanejar, te traí. Ela também não se vestia como você. Muito pelo contrário, Joana. A menina combinava uma calça listrada com uma camisa florida. Só duas pessoas no mundo fazem isso: essa menina que eu fiquei e o Augustinho da Grande Família. Pra piorar, Joana, eu acabei usando com ela aquela mesma cantada que usei com você. Mas acredite, ela não entendeu. Por favor, me desculpe. Ela era daquelas que beijam terrivelmente mal. Que usam mais os dentes do que a língua e que interrompem o beijo para falar de alguma música que está tocando ao fundo. Se fosse possível fazer uma comparação meio tosca eu diria que você está para ela, assim como Audrey Hepburn está para Sandra de Sá. Mas infelizmente Joana, o motivo dessa carta é para dizer que eu escolhi a Sandra de Sá. Nenhuma pessoa no mundo vai entender minha atitude. Nem eu espero que isso aconteça. Trocar uma menina tão linda, tão simpática, tão promissora por outra que provavelmente vai pro show de Raça Negra com uma faixa amarrada na testa. Onde eu estou com a cabeça? Juro que não sei. Só sei que se você não me matar, sem sombra de dúvidas, minha mãe vai fazer isso. Mas eu sei bem o que estou fazendo. Sua perfeição me incomodava, Joana. Me afastava de você. Essa sua mania chata de ter que se maquiar e botar salto alto até pra ir na padaria. De saber falar quatro línguas e de já ter visitado 87% dos países do mundo. Essa insistência de só terminar uma discussão quando eu disser que você está certa. Isso é ruim Joana, muito ruim. Existem homens, como eu, que também gostam de uma mulher que erre às vezes. Que esteja feia e despenteada outras vezes. Que tenha remela no olho e que sofra de infecção intestinal de vez em quando. Que fale “porra” em vez de “poxa”, que use algodão dentro do sutiã e que, frequentemente, tenha uma frieira entre os dedos dos pés. Ontem eu conheci essa menina. Ela não era perfeita e, por isso mesmo, era perfeita pra mim. Sempre gostei dos cachorros mais feios. Dos carros com as cores mais estranhas. Das pêras mais deformadas do supermercado. Para mim, assim como para Picasso, “o belo não importa”. E o belo, no meu caso, infelizmente era você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-4147252610890695401?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/4147252610890695401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=4147252610890695401&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4147252610890695401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/4147252610890695401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/perdao.html' title='PERDÃO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-5994416975857448432</id><published>2009-04-14T07:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T07:52:12.900-07:00</updated><title type='text'>DEUS OUVE JAZZ</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia saí da agência no meio da tarde e fui no banco. Quando estou quase entrando na agência, o manobrista começa a cantar “Você não sabe o que é amor, você não sabe o que é amar”, embalada numa melodia meio cafoninha. Cantou o refrão e parou, então continuei andando normalmente. Saí do banco por uma rua, passei no posto pra tomar um café, e acabei voltando pela mesma rua que tinha ido. Quando passo na frente do banco, ele solta novamente: “Você não sabe o que é amor, você não sabe o que é amar”. Como não podia ser uma cantada, eu fiquei pensando se seria uma mensagem, se aquele homem cantando por acaso o mesmo refrão duas vezes na exata hora em que eu passo seria alguma mensagem divina pra eu deixar de ser essa coisa radical que ou ama demais ou não ama ninguém. Fiquei com aquilo na minha cabeça por um bom tempo, e até evitei passar por aquela rua alguns dias, com medo do senhor manobrista e conselheiro do Itaú do Jardim Europa inventar de dizer que eu não sei amar. Droga, moço, isso eu já sei, minha mãe já sabe, meus amigos já sabem e todo mundo que lê minha terapia de letrinha também já sabe. Que tal alguma novidade? Também já revi a cena trezentas vezes e me perguntei porque não parei na frente dele e pedi pra o bendito continuar a música, porque pelo menos assim eu ia saber a história toda ou como ela acaba. Não consegui. Continuei andando apressada com o Toddynho na mão, me sentindo decifrada por um estranho que manobra carros e tem péssimo gosto musical. Então hoje, depois de passar na mesma rua e relembrar a história, decidi dar um Google na letra da música. O refrão inteiro é assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dediquei somente pra você&lt;br /&gt;Tudo que eu podia eu tentei fazer&lt;br /&gt;Mas nada, não adiantou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não sabe o que é amor&lt;br /&gt;Você não sabe o que e amar&lt;br /&gt;Acha que é somente ficar, ficar, ficar&lt;br /&gt;O que rolar, rolou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só consegui dar risada na frente do computador. E por dois motivos. Primeiro, porque ele errou feio comigo. Segundo, porque eu tenho certeza de que, se Deus realmente existe, ele jamais mandaria uma mensagem divina numa letra do Aviões do Forró.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-5994416975857448432?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/5994416975857448432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=5994416975857448432&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5994416975857448432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/5994416975857448432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/deus-ouve-jazz.html' title='DEUS OUVE JAZZ'/><author><name>Maria Rita Angeiras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12208238713048439150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-h8K3ykPVII/TSNZYASoCgI/AAAAAAAAAhw/VrQ3Z6kqS24/S220/DSC00508.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3188097857805227482</id><published>2009-04-06T13:52:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T15:39:07.877-07:00</updated><title type='text'>RAIMUNDO AMAVA MARIA</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me importo com essa coisa de relacionamento à distância. Não mesmo. Danem-se todos que olharem para nós com pena, prevendo que o fim está para chegar. De uma coisa tenho certeza: não haverá traição. Isso de não conseguir namorar de longe é coisa de quem não está apaixonado. E eu estou. Ah, como estou. Maria com sua pele morena, seus dentes brancos, seu corpo de bailarina do Gugu. Sinto saudades de estar com ela na graminha do Farol, ela olhando o mar e as gaivotas, eu olhando que fez o sovaco e as pernas, provavelmente porque ia me ver. Maria com seus cabelos que o vento empurra para a boca, cheiro de sabonete e colônia. Maria com seu vestido de flores, seu brinco de ouro branco, tatuagem de estrela na nuca. Maldita a hora em que aceitei esse emprego no Recife, mas não dava para dizer não. Estou longe de Maria, só que perto de conseguir o dinheiro que precisamos para casar logo. Noivos já estamos. Mostro a aliança com orgulho. Mostro sua foto com orgulho. Maria sai bonita até em retrato 3x4. E hoje a minha saudade está maior... tento ligar para sua casa e não consigo. Já fumei três cigarros e meio e Maria não me atende. Fico pensando onde ela pode estar nessa sexta-feira à noite. Provavelmente saiu com as amigas e eu aqui imaginando coisas. Ou está na casa da irmã, cuidando dos meninos. Maria, coração grande que chega impressiona. Maldita a hora, meu Bonfim, em que aceitei esse emprego de gerente na Insinuante do Recife, unidade Casa Forte. Pelo menos sou gerente e não vou negar que isso me dá gosto. Imagina o orgulho de Maria ao dizer que o noivo dela é gerente da Insinuante do Recife, unidade Casa Forte. Deve falar isso e mostrar o dedo anular, o anel que brilha, que é como faço quando mostro sua foto na minha carteira. Maria na Bahia, me matando do coração nessa sexta feira à noite. A passagem pra ela vir no feriado de Tiradentes já está de pé. Comprei com meu primeiro salário. Ainda não é de avião, mas um dia vai ser. Tenho fé que um dia vai ser. Nesse dia ela já vem de vez, casados e tudo, e a gente vai viver uma lua-de-mel sem fim, na praia de Porto de Galinhas, que é pra onde até o pessoal da Globo vai. Os famosos todos. Maria que não atende o telefone nem pra escutar essa minha novidade. Mas sei que ela vai morrer de alegria quando souber que comprei sua passagem para o Tiradentes. Maria, biquíni branco como a cor da areia. Deve estar agora na casa da irmã, espero que esteja, talvez da mãe, em último caso com o Joaquim, que não tenho ciúmes porque é meu amigo. Trabalhava comigo na Insinuante do Pelourinho. Rapaz bom. Ótimo dançarino. Capaz de ter levado a Maria pra dançar hoje à noite, que é dia de ensaio do Araketu. Eles já foram outras vezes, que o Geraldo, outro amigo da Insinuante, me disse. Maria, corpo de deusa grega, vestido comprido, baila melhor que as dançarinas do palco. Maria é linda. Coração imenso. Dança bem, mas reza muito também. Maria religiosa, vai à missa todo domingo, quer se casar de branco e com um véu que mais parece uma cachoeira. Ela vai ter tudo isso. Só preciso me organizar melhor aqui no Recife. Juntar dinheiro. Ser o melhor gerente da Insinuante. Gerente do ano. Aí trago Maria para perto de mim. Maria, vindo de avião depois que a gente se casar em Salvador, passando a lua de mel em Porto de Galinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(da série Quadrilha, você também encontra “João Amava Teresa” e “Teresa Amava Raimundo”, de julho/08).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3188097857805227482?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3188097857805227482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3188097857805227482&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3188097857805227482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3188097857805227482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/raimundo-amava-maria.html' title='RAIMUNDO AMAVA MARIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6527842140075462141</id><published>2009-04-01T09:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T09:30:05.111-07:00</updated><title type='text'>PATO</title><content type='html'>por André Muhle (pronuncia-se "Muli")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem coisas que simplesmente não combinam.&lt;br /&gt;Homem e cozinha, sem sombra de dúvidas, é uma delas.&lt;br /&gt;Homem só devia entrar na cozinha para pegar cerveja.&lt;br /&gt;Ou, no máximo, pra transar em cima da pia.&lt;br /&gt;Acontece que logo hoje.&lt;br /&gt;Logo hoje que eu chamei meu chefe e a esposa aqui para casa.&lt;br /&gt;Logo hoje que eu prometi um jantar daqueles.&lt;br /&gt;Logo hoje que eu ia pedir uma promoção na minha carreira.&lt;br /&gt;Logo hoje, a cozinheira faltou.&lt;br /&gt;Preciso pensar. Por que eu mesmo não faço o jantar?&lt;br /&gt;Eu consegui montar aquela esteira elétrica só lendo o manual,&lt;br /&gt;também posso fazer um prato vendo a receita. Não é mesmo?&lt;br /&gt;“Pato ao Molho de Gengibre e Pimenta Verde”. Parece bom.&lt;br /&gt;Diz aqui que era a refeição mais servida em Versalhes.&lt;br /&gt;Esse é o tipo de coisa que impressiona.&lt;br /&gt;1 pato. 3 colheres de pimenta verde. 2 cálices de vinagre balsâmico. 2 colheres de gengibre ralado. 4 pitadas de açafrão.&lt;br /&gt;Meu Deus, isso está mais pra alquimia do que pra culinária.&lt;br /&gt;O pato ta aqui, mas o que eu faço agora?&lt;br /&gt;“Colocar o pato na assadeira com as patas amarradas para cima.”&lt;br /&gt;Ah não! Covardia.Onde já se viu. &lt;br /&gt;Fazer uma coisa dessas com o pato?&lt;br /&gt;Justo eu que sou tão fã do Donald.&lt;br /&gt;Nada disso. Vai ser assado de pé. &lt;br /&gt;Com a cabeça erguida e o peito estufado.&lt;br /&gt;Talvez, eu providencie até uma salva de tiros.&lt;br /&gt;Mas se meu chefe não gostar de pato? &lt;br /&gt;Se a mulher dele for de uma instituição protetora dos animais?&lt;br /&gt;Aí o meu jantar e minha promoção já eram.&lt;br /&gt;“Colocar sal a gosto”.&lt;br /&gt;Mas a gosto de quem? Meu? Dos convidados? Ou do pato?&lt;br /&gt;É melhor acabar com essa frescura e fazer logo esse pato.&lt;br /&gt;É que eu preciso ser sincero.&lt;br /&gt;Tem uma coisa que eu to sentindo &lt;br /&gt;desde que comecei a ler a receita.&lt;br /&gt;E não dá mais pra guardar só pra mim.&lt;br /&gt;Eu to com pena do pato. Pena mesmo.&lt;br /&gt;Se ele tivesse fatiado ou cortado em quadradinhos até ia.&lt;br /&gt;Mas assim inteirinho, não dá.&lt;br /&gt;Ele já virou praticamente meu animal de estimação.&lt;br /&gt;Din-Don. Din-Don. A campainha toca.&lt;br /&gt;Apreensivo, eu vou abrir a porta.&lt;br /&gt;É meu chefe e a esposa.&lt;br /&gt;Segurando o pato nos braços, eu peço minha demissão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6527842140075462141?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6527842140075462141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6527842140075462141&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6527842140075462141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6527842140075462141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/04/pato.html' title='PATO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2008695311110593867</id><published>2009-03-27T12:27:00.001-07:00</published><updated>2009-03-27T12:48:03.138-07:00</updated><title type='text'>SEÇÃO: GOTAS DE SABEDORIA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Escrever atrapalha a vida."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2008695311110593867?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2008695311110593867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2008695311110593867&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2008695311110593867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2008695311110593867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/serie-gotas-de-sabedoria.html' title='SEÇÃO: GOTAS DE SABEDORIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-155976069200538736</id><published>2009-03-23T14:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T12:30:46.775-07:00</updated><title type='text'>SEÇÃO: POEMINHAS</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;MEU MAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e minha bronquite que não cura&lt;br /&gt;No meu peito que sempre dói&lt;br /&gt;Acusando toda sua culpa&lt;br /&gt;Por fazer tão mal uso dele&lt;br /&gt;Agora só escreve linhas curtas&lt;br /&gt;Pra falar de mim e de tu&lt;br /&gt;E de como somos abençoados&lt;br /&gt;Por nunca termos sido dois&lt;br /&gt;Nesse meu peito que não agüenta&lt;br /&gt;Essas maldades que você me diz&lt;br /&gt;E essas crueldades que eu te devolvo&lt;br /&gt;Só pra te machucar um pouco&lt;br /&gt;Quando te descubro por perto&lt;br /&gt;Porque ao lado do meu peito que dói&lt;br /&gt;Tem um coração que pula&lt;br /&gt;Às vezes, quando te vê, que bobo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;DOIS MENOS DOIS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu jeito abusado de me invadir&lt;br /&gt;Sem por favor e sem licença&lt;br /&gt;Se abriga no meu lado que te esconde&lt;br /&gt;do meu lado que não te quer&lt;br /&gt;E eu afogo nós dois no meu soluço&lt;br /&gt;Pra ver se mato o resto dessa dor&lt;br /&gt;Que sobrou em algum lugar&lt;br /&gt;E que a gente não sabe onde fica&lt;br /&gt;Porque cansei de ser bicho enjaulado&lt;br /&gt;Preso no seu jeito de não dizer&lt;br /&gt;As coisas que também não sente&lt;br /&gt;Porque a gente é passado e ainda não sabe&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-155976069200538736?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/155976069200538736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=155976069200538736&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/155976069200538736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/155976069200538736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/poeminhas.html' title='SEÇÃO: POEMINHAS'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3613417957001598661</id><published>2009-03-16T06:41:00.000-07:00</published><updated>2009-03-17T14:19:14.368-07:00</updated><title type='text'>AQUELE TIPINHO IRRESISTÍVEL</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes você tem certeza que aquele cara com sorrisinho bobo e jeitinho de “cuida de mim” vai acabar com a sua tranqüilidade e um belo dia vai te deixar aos pedaços no meio da rua, mas você respira fundo e segue em frente. Porque, cá entre nós, não existe racionalidade que resista a esse tipinho de homem. Então um filme passa rapidamente na sua cabeça e você já imagina tudo que vai acontecer: o começo intenso, os momentos perfeitos, os olhares avassaladores e a hora em que ele simplesmente vira as costas e te abandona naturalmente, dando aquela viradinha malandra e te mandando um beijo lá da esquina. E você fica lá, meio triste, mas também meio conformada, porque sabe que esse tipo de homem passa pela sua vida rapidamente, como uma piscada, porque precisa se alimentar da paixão fulminante de centenas de mulheres ao longo do caminho, num impulso insaciável de bicho que respira últimos suspiros e sobrevive de amar aos pedaços. E são os únicos homens perdoáveis e nós nunca deixamos de amá-los ou de lembrá-los com carinho, porque carregam consigo uma certa inocência infantil que temos necessidade de consolar com abraços maternos e olhares compreensivos. E nunca desejamos mal a eles de verdade, porque quando um homem desses morre, pelo menos umas duzentas mulheres morrem junto. É quase uma sociedade secreta onde tudo acontece, mas nada se diz, talvez para não quebrar a poesia abafada. E carregamos nossos falsos-amores como troféus pela dor que suportamos toda vez que eles vão embora levando uma parte do nosso choro no ombro da camisa, porque aqueles homens não são e nunca serão de ninguém. E nós ficamos lá, paradas no meio da rua, como frágeis bonecas de porcelana, completamente ocas por dentro, imaginando a próxima que vai ter a sorte de se esconder naquele abraço. E eles seguem em frente, vivendo desse quase-amor distribuído sem culpa, invejado por todos os outros homens que nunca conseguirão ser amados com tanta urgência, por tantas mulheres e em tão pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3613417957001598661?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3613417957001598661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3613417957001598661&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3613417957001598661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3613417957001598661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/aquele-tipinho-irresistivel.html' title='AQUELE TIPINHO IRRESISTÍVEL'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7090309443601117765</id><published>2009-03-11T19:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T06:57:50.891-07:00</updated><title type='text'>QUANDO</title><content type='html'>por andré muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu for velhinho, mas bem velhinho mesmo, quero ter sempre um pente amarelo num bolso e um lenço vermelho no outro. Quero ter também uma bengala preta com cabo de marfim e, se a saúde permitir, quero fumar um cachimbo grande igualzinho ao do Sherlock Holmes. Quero ser o primeiro casal a se levantar pra dançar, mesmo que leve uma música inteira para chegar no meio do salão. E ainda que não tenha mais a desenvoltura de antigamente, quero abraçar minha senhora com a força que ainda me resta nos braços e fitar seus olhos foscos como quem pergunta saudosamente “lembra?”. Quero estar preparado para o dia em que meus netos sentirão vergonha de mim e perguntarão aos seus pais “Por que o vovô tem cheiro de livro velho?”. Nesse mesmo dia, os mais jovens me olharão com repúdio e me condenarão pelo meu estado decrépito e infeliz. Mas até lá eu já estarei preparado. E assim como Penélope esperou 20 anos para Ulisses voltar de sua Odisséia, eu também esperarei. Até que um dia, todo esse ódio tenha se transformado em admiração. Quero ter vontade de chorar toda vez que ouvir “Perfídia” e nas minhas conversas, sempre que possível, tentarei encaixar um “no meu tempo”. Mesmo sabendo que isso fará de mim uma pessoa chata e ultrapassada. Quero achar um absurdo meus netos chegarem em casa às seis da manhã. E quero também ter uma cadeira de balanço no quintal de casa para que todas as terças-feiras eu possa sentar lá e tocar minha gaita bem baixinho, como um poeta que escreve um poema para si mesmo. Quero contar pros meus netos que no meu tempo “ideia” tinha acento e que o Big Mac ainda vinha com picles e gergelim. Quero acordar cedo pra comprar o jornal e buscar o pão quentinho na padaria, cumprimentando todos os porteiros que encontrar pelo caminho. Nas sextas-feiras, quero convidar minha senhora para o cinema. E lá na primeira fila, no meio de uma cena qualquer, eu vou encostar meu mindinho no mindinho dela até que todos os nossos dedos tenham se cruzados. E enquanto ela estiver jurando que aquilo não passa de um gesto mecânico e involuntário, eu estarei lembrando daquela noite na praia, 50 anos atrás, quando ela me perguntou com cara de criança pedindo esmola: “A gente vai ficar junto pra sempre, não vai?”. Quando eu for velhinho, mas bem velhinho mesmo, quero ter sempre um pente amarelo num bolso, um lenço vermelho no outro e uma saudade enorme no coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7090309443601117765?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7090309443601117765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7090309443601117765&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7090309443601117765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7090309443601117765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/quando.html' title='QUANDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7258327793569139033</id><published>2009-03-09T12:00:00.000-07:00</published><updated>2009-03-09T13:02:51.973-07:00</updated><title type='text'>E EU NEM SEI CANTAR</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento te descobrir nas minhas sextas e nos meus sábados quase com um medo infantil de te encontrar de verdade e de ver minhas certezas irem por água abaixo. Falo dos meus sonhos bobos de menina e da minha espera por você com as pernas em cima do banco e com o cabelo todo bagunçado pelo vento, depois de um final de semana que eu não devia ter adiado tanto. Dou sorrisinhos despretensiosos e piscadinhas ordinárias por aí só pra disfarçar minha indiferença com todos os outros. Bebo a todos esses homens que eu vou amar e que infelizmente ainda não serão você. Prendo meu cabelo num coque todo cheio de personalidade e declaradamente ridículo pra ilustrar a bagunça em que minha cabeça vive atualmente. Escuto todas as músicas que já me lembraram alguém, que hoje não me lembram ninguém e que um dia vão me lembrar de você. Escrevo crônicas endereçadas e te traio por fazer um registro dos que já passaram por mim, como se valessem a delicada lembrança. Ignoro metadezinhas e pedacinhos oferecidos em banquetes de sábado à noite, na tentativa de preencher os meus vazios e espaços em branco. Morro lentamente em beijos e abraços, esperando estar inteira para receber os seus no dia em que você chegar. Guardo meu amor protegido em uma caixinha dentro de um cofre pra não me perder em caras como aquele, de olhos castanhos tão escuros e perfeitos que me deixaram sem reação por uns dez segundos. Faço pequenas confissões ao pé do ouvido, abafadas pelo calor anestesiante e pela bossa nova de fundo. Danço distraidamente. Brinco de ser equilibrista em meio fio de calçada. Faço poesia em cima do concreto. E canto, canto feito uma louca desafinada por quatro horas, fazendo serenata para o homem que um dia ainda vai me fazer amar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7258327793569139033?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7258327793569139033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7258327793569139033&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7258327793569139033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7258327793569139033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/e-eu-nem-sei-cantar.html' title='E EU NEM SEI CANTAR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-8217285574838475022</id><published>2009-03-04T06:55:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T12:32:50.623-08:00</updated><title type='text'>SE UM DIA</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um teatro e estávamos todos sentados em confortáveis poltronas reclináveis, com uma vista privilegiada do palco onde ele sentava com seus onze, devo dizer que eram onze, músicos e amigos. Estávamos todos sentados confortáveis vendo Paulinho da Viola iniciar um concerto com os simples versos que o fizeram conquistar mais respeito do que fama, mais prestígio que dinheiro. Os cabelos brancos não emprestam a ele o tom de avô, mas sim o de um tio que tudo sabe da música e da vida e que, feliz e paciente, espalha esse conhecimento para o grupo de sobrinhos e amigos dos sobrinhos que se reúnem embaixo da cadeira de balanço, sentados de pernas cruzadas no chão, na varanda de uma casa três degraus acima do piso. E esse tio começa sem violão, as mãos apoiadas no joelho, cantando Coração Leviano juntamente com todo o público que levanta as mãos e canta de olhos fechados, braços para o alto, olhos fechados e atentos, grudados no palco. Era um teatro, não era carnaval de Olinda. Paulinho transformou em teatro o carnaval de Olinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma música e outra surgem gritos, mãos na boca, que atiram beijos, mãos para cima, palmas, palmas para cima!, pedidos de clássicos, viva a portela, elogios e mais pedidos, atirados em Paulinho. Paulinho pega o cavaquinho, desconfio que nunca teve uma viola, e responde às palmas, aos gritos, às mãos esticadas, aos choros com um olhar para a banda, um toque nas cordas de aço e os versos de Ame, seja como for, sem medo de sofrer, pintou desilusão não tenha medo não, o tempo poderá lhe dizer que tudo traz alguma dor e o bem de revelar que tal felicidade, sempre tão fugaz, a gente tem que conquistar. A voz da público é maior que a dele. Mais forte. Mais alta. Não se escuta Paulinho e estamos em um ambiente aberto. Não se escuta Paulinho mesmo com as mil caixas de som colocadas ao seu lado. Não existe pandeiro, bateria, tamborim. Não existe piano. Não existe violão. Paulinho canta em playback e fecha os olhos, agradecendo ao público do teatro. Fecha os olhos e sorri, admirando o efeito que tem a sua música, sorri timidamente, sinceramente feliz, recebendo a música que vem da platéia e bate em seu corpo, silenciando, emudecendo a sua banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulinho fala como se estivesse numa roda com cinco amigos - seus sobrinhos. Explica a origem de cada canção. Cita os compositores. É mais fã que ídolo. Mil vezes mais fã que ídolo. Todas as músicas que canta parecem ser uma homenagem aos seus parceiros, como se ele não tivesse letrado ou musicado cada uma delas. Escutamos atentos. Nesses momentos as palmas param, as mãos descem, os pedidos calam, os beijos ficam guardados, os namorados encostam os ombros. Escutamos atentos as histórias de Paulinho, confortáveis dentro de nossas poltronas. Escutamos. Em seguida vem Paulinho com outras músicas até que canta Foi um rio que passou em minha vida e eu sinto muito não poder escrever sobre isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-8217285574838475022?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/8217285574838475022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=8217285574838475022&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8217285574838475022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/8217285574838475022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/se-um-dia.html' title='SE UM DIA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2650359591682990734</id><published>2009-03-02T06:47:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T06:50:54.016-08:00</updated><title type='text'>NA CONTRAMÃO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri recentemente que dizer “sim” dá muito mais trabalho do que dizer “não”. E passei a dizer “não” com mais freqüência. Para dizer a verdade, eu ando tão sem urgência que agora digo “não” 99% do tempo. Um “não” que não significa necessariamente rejeição. Está mais para “não, agora que meu corpo tranqüilizou não quero voltar a comer chocolate enquanto espero você telefonar” ou “não, minha vida está tão em paz que prefiro aproveitar essa sensação e deixar todo o resto para depois” ou “não, desculpa, para bagunçar a minha cabeça já tenho eu mesma”. Parece fuga? E é. Mas é uma fuga completamente opcional e assumida - o que me faz parecer uma mulher super moderna e coerente. E prefiro fazer isso do que ter que escolher a outra opção, mais radical, que é doar meu coração saudável, mas extremamente cansado, para algum paciente da fila de transplante. Em compensação, tento alimentar os meus dias com pedacinhos de amores-perfeitos encontrados em cantores de jazz, filmes de Woody Allen e poemas de e. e. cummings. E vou acumulando toda essa poesia distraída para um dia gastar com alguém que realmente que vá fazer bom uso dela. Não me preocupo, pelo contrário. Quem sabe da próxima vez que o cara certo passar por mim eu não vou estar ocupada demais com os caras errados. E são tantos. E estão por toda parte, como praga: nos bares, nas festas de amigos, nas baladas, nos restaurantes, no estacionamento, no elevador, enfim, a lista é longa. Cansei desses lugares, das conversas vazias, de pessoas gritando no seu ouvido, de opiniões desinteressantes, dos joguinhos sem graça, das abordagens, das roupas com cheiro de cigarro e das pessoas destilando álcool. Vou com o simples objetivo de rir, dançar e me divertir. Todo o resto é exatamente isso: resto. E agora sempre vou embora um pouco antes, para não correr o risco de me juntar a ele. Pode ser uma fase xiita, eu sei, mas comecei o ano colocando muita fé num conselho que eu adaptei: “amazing things happen when you say NO”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2650359591682990734?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2650359591682990734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2650359591682990734&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2650359591682990734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2650359591682990734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/03/na-contramao.html' title='NA CONTRAMÃO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3353214855307631787</id><published>2009-02-26T14:42:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T12:42:08.433-08:00</updated><title type='text'>Les étudiants en ordre dispersé derrière les enseignants-chercheurs</title><content type='html'>por andré muhle (colaboração: ricardo rique)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito provavelmente, você não faz a menor idéia do que o título desse texto quer dizer. Mas só por estar em francês, você já acha ele mais chique, mais sofisticado e mais perfumado. Aposto 100 reais. Pra quem nunca ouviu falar, isso tem um nome. É Pantin. Segundo o dicionário André Muhle de Palavras Indispensáveis, Pantin é tudo aquilo que a gente faz para parecer melhor do que a gente realmente é. Pra minha sorte, e agora pra sua, 98% da humanidade não sabe o que é um Pantin ou então despreza o poder dos seus benefícios. Nesse humilde texto, eu vou procurar mostrar como pequenos gestos podem fazer você conquistar a admiração de muita gente. Para começar, um Pantin barato mas com potencial enorme. Segunda de manhã, dê um pulo no aeroporto, passe no guichê da Air France e pegue uma etiqueta de bagagem. Depois prenda na sua mochila e vá pro trabalho normalmente. Deixe que as pessoas notem casualmente e se, por um acaso, alguém ousar comentar, você solta um “Eita, esqueci de tirar”. No mínimo, as pessoas do escritório vão valorizar ainda mais um cara que passa o final de semana em Paris como quem passa em João Pessoa. Outro Pantin interessante, ainda no quesito aeroporto. Quando for viajar, compre a passagem da primeira classe, mas sente de propósito na classe econômica. Só para a aeromoça chamar seu nome no microfone e dizer que seu lugar é na frente do avião. Então levante-se e, lentamente, vá acompanhando os olhares dos passageiros enquanto você passa pelo corredor. Abaixo vão alguns outros Pantins que podem mudar sua vida daqui pra frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Peça para avisarem no alto falante do Shopping que o “Senhor Fulano de tal (no caso você), proprietário do Jaguar prata deve comparecer ao local estacionado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Dê 50 reais para que o recepcionista do Hotel Hilton vá até o seu local de trabalho para entregar a escova de dente que você esqueceu na Suíte Master.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Imprima um adesivo de promotor da justiça e cole no vidro do seu carro. Se você conseguir aquelas placas lindas de “Corregedor Geral da Justiça” seu Pantin passa para um nível ainda mais elevado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Sabe aquelas pulseirinhas de Camarote VIP? Tente ficar com elas o máximo de tempo que puder. Normalmente elas resistem uns 5 dias e todo mundo se impressiona quando vê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Na próxima vez que for ao Shopping, passe na H. Stern e peça uma sacola da loja. Use essa sacola para colocar todas as outras compras que você fizer. Mesmo as da C&amp;A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Se o quintal da sua casa for grande, construa um heliponto nele. Custa pouquíssimo e mesmo que nunca pouse um único helicóptero sequer, todo mundo vai ficar dizendo “Porra, a casa do cara tem até heliponto”. É infalível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3353214855307631787?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3353214855307631787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3353214855307631787&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3353214855307631787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3353214855307631787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/les-etudiants-en-ordre-disperse.html' title='Les étudiants en ordre dispersé derrière les enseignants-chercheurs'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6104936790974949138</id><published>2009-02-18T07:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T08:11:22.791-08:00</updated><title type='text'>A BAILARINA DESAPRENDEU A AMAR</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você podia ter me acordado com um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri. Morri cem vezes ao escutar essa frase logo de manhã cedo. E só consegui escutar aquilo, porque fiquei perplexa demais. O barulho dos carros parou, as buzinas cessaram, o sol que invadia a janela do carro me cegou e todos os prédios desabaram como areia, como se não houvesse mais esperança. Será que ela tinha acordado ele pressionando suas costas com uma mão enquanto a outra ainda segurava a toalha branca que tinha colocado depois do banho? Ou teria sido com um grito vindo lá cozinha, depois de tomar seu café-da-manhã em pé, já com a cabeça nas dezenas que tinha que fazer naquele dia? Será que ela tinha colocado o despertador bem ao lado do ouvido dele, fazendo ele acordar sobressaltado e nervoso depois de uma noite calma de sono? Será que, em seguida, ela disparou todos os problemas da relação, suas carências afetivas, suas frustrações no trabalho e todos os planos que eles tinham e nunca realizaram? Ainda era quarta-feira. E ele só queria um beijo. Um beijo que ela não tinha mais tempo de dar porque estava sempre preocupada demais em se impor como mulher num mercado difícil, massacrante e machista. Ele só queria um beijo. Um beijo como todos os outros que já tinham dado, mas que poderia ter salvo aquele dia, ou pelo menos aquela manhã. Ele só queria um beijo. Um beijo para ele poder apostar novamente nas coisas boas da  vida e acreditar que tudo poderia melhorar naquela semana, só porque ela estava lá. Ele só queria um beijo. E queria que ela velasse novamente seu sono e passasse a noite segurando sua mão, depois de trazer um copo de água gelada, como ele tanto gostava. E queria que ela voltasse a ser a menina bailarina, que deslizava pela casa, e que ele prometia um dia colocar dentro de uma caixa de música de madeira e guardar só para ele. E queria que ela voltasse a falar com aquela voz carinhosa de criança, dentro do apartamento que ele tinha comprado para os dois brincarem de casinha pro resto da vida. Ele só queria um beijo. E ela esqueceu de dar. E eu morri. Morri cem vezes com aquele amor atropelado bem na minha frente logo de manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6104936790974949138?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6104936790974949138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6104936790974949138&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6104936790974949138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6104936790974949138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/bailarina-que-esqueceu-de-dar-amor.html' title='A BAILARINA DESAPRENDEU A AMAR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6684460620784973000</id><published>2009-02-15T12:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T07:00:11.298-08:00</updated><title type='text'>SE,</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vier, vem aos poucos, para eu poder me acostumar a ter você por perto. Mas não deixa eu me acostumar muito, para eu não abandonar meus sábados felizes com a cantora de jazz e meus domingos perplexos com o cineasta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, não tenta me desvendar. Deixa eu ter alguns segredos só meus, porque quando alguém tenta me descobrir, em algum lugar soa um alarme avisando para eu me proteger. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, mas vem devagarzinho, sem fazer muito barulho. Eu tenho um lado de bicho assustado que corre quando se sente inseguro, em contraste com o meu lado de bicho carente que se enrosca quando quer carinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, não pede demais. Eu aprendi a dizer não e ainda não decidi muito bem para quem dizer sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, mas vem inteiro, sem deixar nada seu pelo caminho, porque eu já cansei de amar aos pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, deixa eu balançar a perna, mesmo que isso te enlouqueça. Não faço por ansiedade, mas para ter certeza de que estou viva, pulsando, existindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, mas não pergunta muito. Minhas respostas parecem complexas demais, mas eu sou tão fácil de agradar que é até sem graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, não confia muito nas minhas palavras burras e indignadas. É meu sorriso que mostra quem eu sou, não esse vocabulariozinho pedante de escritora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, mas vem sem rotina. Aquário com ascendente em peixes morre lentamente com o dia a dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, vem com um sorrisinho de canto de boca. Eu juro que vou te amar todos os dias só para te ver sorrir de volta para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, mas não vem muito subliminar. Meu lado que questiona é cem vezes mais esperto do que meu lado que entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vier, vem sem muita pressa. Prefiro aqueles que me roubam aos pouquinhos do que aqueles que me levam inteira, de uma vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vem, vem logo, deixa ser. Do resto a gente cuida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6684460620784973000?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6684460620784973000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6684460620784973000&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6684460620784973000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6684460620784973000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/se.html' title='SE,'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2727119766159737949</id><published>2009-02-12T10:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-12T13:35:30.133-08:00</updated><title type='text'>RECEBA OS MEUS MAIS SINCEROS PARABÉNS, SR. INVENTOR DO PESO PARA PAPEL</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia estava sentado na mesa da sala, com o Telecine Light apenas trazendo luz, o computador aberto e um tédio do tamanho do Mato Grosso do Sul. Era domingo, quando o dia escurece e a gente não acende a luz – a segunda pior hora que existe, sendo a primeira qualquer uma que você precise acordar. Escrevi um texto que possuía a pior das más fases, digno para o elessofremdemais.blogspot.com, mas alguma coisa tirei dele graças à ajuda de Dudinha, que trabalha comigo. A ideia foi listar algumas grandes invenções; coisas que deram certo e a gente nem se dá conta. Simplesmente as têm em casa e priu. Dessa seleção, decidi deixar de fora as maiores criações da humanidade, como a roda, o telefone e o chaveiro que também é abridor de cervejas. Da mesma maneira que não coloquei coisas bacanas, mas que não são moda universal. A gente tem porque procura. É o caso do mp3, do iPhone, do pendrive. Falo de objetos que estão no nosso dia-a-dia (me digam se é com ou sem hífen, ando perdido com o português), como o imã de geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi o primeiro cidadão que colocou um imã na geladeira? Eu não li o Guia dos Curiosos para saber. Acho muito bem que pode ter sido um recém-casado, que antes de sair para o serviço, aproveitou para deixar um papel escrito “eu te amo, meu doce de mangaba”. Também existe a possibilidade de ter sido um marido de longa data, que usava costeletas e suspensórios e disse apenas: não me espere pro jantar. A terceira opção cai sobre um gordinho que, fraco de memória, colava o telefone dos restaurantes. Ou frutas e legumes para comer sem ter que abrir a geladeira. Quem sabe até um publicitário, pra vocês verem a importância da profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As frutas artificiais da mesa de jantar estão em todas as mesas de jantar. Aquelas de Caruaru são as mais famosas, mas se você for em lugares chiques, pode comprar uma coleção só de pêssegos ou amoras silvestres. As frutas da mesa de jantar estão em vários paises do mundo. Dá pra conhecer as frutas de uma nação pelas suas mesas. Framboesa na Polônia, tamarindo na Índia, blueberry nos Estados Unidos, damasco na Alemanha e dekopon no Japão (obrigado, Google).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sardinha em lata. Almofadas de sofá. Calça jeans. Escada rolante. Catchup. Controle remoto. Saboneteira. Moldura de quadros. Despertador. Nissin Miojo, Pinguim de geladeira. Vaso. Puxa-saco. Cadeira de escritório com rodinhas. Marca página. Marca texto. Telefone sem fio. Duas pias na cozinha. Chuveiro elétrico. Espelho. Álbum. Porta-retratos. Peso para papel. Livro da mesinha de centro. Gavetas. Cabide. Roupeiro. Marcha ré. Gelágua. Tesoura. Régua. Cadeado. Porta-lápis. Saco plástico. Envelope. Escorredor de prato. Grampeador. Copo descartável. Pires. Guardanapo. Jogo Americano. Cofre. Porquinho que é um cofre. Canudo. Alarme. Ferrolho. Capa dura. Dedicatória. Bicicleta. Passe de ônibus. Clips. Quadro negro. Giz. Chupeta. Sinal de Trânsito. Apito. Carrinho de supermercado. Interfone. Corrimão. Bilhetinhos. Promoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um desses inventores merece uma medalha e uma salva palmas. Se não pela grandiosidade da invenção, pelo menos por terem feito elas virarem moda. Vejam o exemplo de quem colocou rodinhas nas cadeiras de escritório: podemos atender ao telefone sem se levantar! E o Gelágua? Basta de encher as garrafas tantas vezes! Imaginem a vida sem a marcha a ré. As voltas, as confusões, as dedadas, os palavrões. Imaginem o tamanho horizontal das cidades se não tivesse surgido o elevador. Menção honrosa para eles. Será que o dono do primeiro cofrinho da humanidade ficou rico com sua invenção? Será que, pelo menos, ficou rico economizando moedas? Uma girafa teria o mesmo sucesso? As toalhas das mesas seriam eternamente sujas, não fossem os guardanapos de papel. Porteiros seriam eternamente roucos sem o interfone. Folhas estariam perdidas sem os grampeadores. Da página cinco para a oito sem paradas, da oito para a vinte e seis! Levantem uma estátua para quem inventou o grampeador!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2727119766159737949?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2727119766159737949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2727119766159737949&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2727119766159737949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2727119766159737949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/vamos-todos-dizer-obrigado-ao-sr.html' title='RECEBA OS MEUS MAIS SINCEROS PARABÉNS, SR. INVENTOR DO PESO PARA PAPEL'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7756131390721449455</id><published>2009-02-11T03:24:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T03:26:12.257-08:00</updated><title type='text'>DEIXA A MENINA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina do vestido vermelho não queria sentir borboletas no estômago, sentir a mão gelada de tanto nervoso ou sentir que seus pés saíram do chão por alguns segundos. Ela só queria sentir. Mas você deu um beijou nela e ela não sentiu nada. E ela quis fugir, mas estava tão aos pedaços por se trair que não conseguiu dar as costas e ir embora. Ficou ali e rezou para alguém aparecer e arrastar ela pelo braço até um lugar onde pudesse ouvir a pergunta “o que você está fazendo?”. Depois de oxigenar o cérebro impregnado de cigarro e música alta, ela tentaria responder, olhando fixamente para os carros na calçada. Pensando melhor, não responderia. Porque se trair é dívida tão pessoal que não se compartilha. Ou se compartilha em silêncio, com a simplicidade de quem olha e se entende. Ou se compartilha com atraso, às oito da noite de um domingo, depois da coisa toda ter sido digerida lá dentro. Ignorou tudo e foi viver, porque assim como se trai, também se perdoa. Em seguida decidiu ir embora, sentindo o quente-frio do escuro-claro do dia-noite. Achava que aquela era a melhor hora de todas as vinte e quatro. Porque é quando tudo coexiste com uma paz perturbadora. O frio e o calor; o barulho e o silêncio; as nuvens pretas e os primeiros raios de sol. Concluiu que poderia viver eternamente presa naquele limiar de vida. E lembrou de quando passeava na outra cidade naquele horário. Enquanto todos queriam ir pra casa, ela preferia descer do carro e ficar vendo o rio andar sem pressa, acariciando lentamente as margens da cidade cheia de casinhas coloridas. Mas como os rios daqui não são iguais aos de lá, ela preferiu voltar pra casa e dormir. Afinal, aquele lusco fusco acabaria logo. E era melhor começar a enfrentar o dia na cama a continuar acordada com aquela sensação horrível de ter se traído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7756131390721449455?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7756131390721449455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7756131390721449455&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7756131390721449455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7756131390721449455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/deixa-menina.html' title='DEIXA A MENINA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-1605356743974403258</id><published>2009-02-09T07:15:00.001-08:00</published><updated>2009-03-07T18:50:28.179-08:00</updated><title type='text'>DESAMOR</title><content type='html'>por andré muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vejo mais graça naquela sua calcinha que de tão velha era cheia de bolinhas de algodão. Eu dizia que achava sexy, verdade.&lt;br /&gt;Mas só agora vejo que isso não faz sentindo nenhum. &lt;br /&gt;Também não acho que Vinícius escreveu aquele poema pensando na gente. Como?&lt;br /&gt;Se ele morreu antes mesmo da gente se conhecer? &lt;br /&gt;Era ridículo pensar assim. &lt;br /&gt;Não acredito mais que nosso amor venha de vidas passadas. &lt;br /&gt;Até porque nem em vidas passadas eu acredito mais. &lt;br /&gt;Amelie Poulin não é um dos meus filmes preferidos porque foi o primeiro que a gente assistiu junto no cinema. &lt;br /&gt;Ele seria bom mesmo se eu tivesse ido sozinho. &lt;br /&gt;Não acredito que meu cabelo tenha ficado assim de tanto você passar a noite enrolando com o dedo. Nem acho que seus cachinhos, depois que você lava com aquele shampoo de camomila, fiquem mesmo parecendo fios de ovos. &lt;br /&gt;Isso é bobo, infantil e até mesmo nojento. &lt;br /&gt;Onde já se viu misturar cabelo com comida? &lt;br /&gt;Não acho que Paris só vá ter graça com você.&lt;br /&gt;Pelo amor de Deus, é Paris né?&lt;br /&gt;Eu não penso mais em você quando escuto “Somewhere in her smile she knows That I don't need no other lover”.&lt;br /&gt;Não acho que a lua estava mais cheia naquela noite lá na praia.&lt;br /&gt;A lua é uma só e, sendo assim, tem o mesmo tamanho pra todos.&lt;br /&gt;Nem muito menos acho que você seja a mulher da minha vida.&lt;br /&gt;Uma pessoa só pode ter certeza disso 5 minutos antes de morrer. &lt;br /&gt;E por fim, mas não menos importante,&lt;br /&gt;Eu não acredito mais em você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-1605356743974403258?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/1605356743974403258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=1605356743974403258&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1605356743974403258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/1605356743974403258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/desamor.html' title='DESAMOR'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7457435357866880308</id><published>2009-02-05T08:06:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T09:49:20.592-08:00</updated><title type='text'>A RITA DE CHICO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tinha nome de santo e era tão perfeito que eu nunca te amei na hora certa, com medo do meu amor nunca ser tão perfeito quanto o seu, ou de eu nunca conseguir ser tão perfeita quanto você. Amei, confesso, com total falta de sincronia, como um amor de redenção, descolado do tempo, daqueles que vai ficando na pessoa mesmo depois do outro já ter partido. E amo um pouquinho até hoje, porque acho que ninguém nunca vai adorar os meus olhos e o meu queixo tanto quanto você, como no dia em que você deu uma mordida nele e eu senti uma dor que duzentas palavras jamais conseguirão descrever. Mas em contraponto a tanto amor, eu odiava seu jeito meigo de me aceitar livremente e me odiava quando eu traía a sua cabeça confusa de homem, fazendo você esquecer qualquer briga com um simples beijo. Talvez, no fundo, eu quisesse que você quebrasse toda aquela perfeição ficando indignado comigo ou me deixando sozinha no meio da rua, porque você não merecia alguém que não te amasse tanto quanto você me amava. Mas você nunca me deixou no meio da rua. Pelo contrário: continuou me amando até o dia em que eu resolvi que não queria mais aquele amor, não queria mais o homem que amava o meu queixo e não queria mais o homem que todo mundo amava, menos eu. E me libertei dele e de você com uma facilidade que me corrompe a alma até hoje. E acho que se existe justiça divina, ainda estou pagando minha dívida com você, desde aquele dia em que te revi e minhas pernas tremeram e minha barriga ficou oca de tanto vazio que eu senti. E aceito isso, sem birra e sem bico. Mas vou viver com a eterna dúvida se fui eu ou foi a sua perfeição que matou o nosso amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7457435357866880308?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7457435357866880308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7457435357866880308&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7457435357866880308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7457435357866880308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/rita-de-chico.html' title='A RITA DE CHICO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-7573541920215034878</id><published>2009-02-03T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T09:41:39.272-08:00</updated><title type='text'>100</title><content type='html'>por andré muhle, maria rita angeiras e rafael moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você não deve saber, esse blog está chegando ao seu centésimo post. Pois é, desde o primeiro texto publicado em outubro de 2007 até hoje, foram nada mais nada menos do que 99 crônicas sobre tristezas, alegrias, ex-amores, domingos, tupperwares, tomate seco, cemitério, sorvete de macadâmia, peter pan e o que mais você imaginar. Para comemorar, resolvemos fazer uma coisa diferente nesse post número 100. Cada um dos três autores releu todos os textos dos outros dois e selecionou algumas frases que, de alguma forma, foram marcantes. Abaixo, você vê o resultado. Muito obrigado e voltem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo confessar que sempre achei bonito mulheres lindas com um pouco de barriga. Tira a perfeição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que o sofrimento máximo da vida dela fosse o pós-operatório do implante de silicone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que não vou mais escrever crônicas bacanas e dar de presente para caras não tão bacanas, mesmo que você talvez seja um desses que merece receber uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tupperwares. Como não amá-los? Perfeitos, simétricos, transparentes, empilháveis, práticos e herméticos. Se pudesse, separaria minha vida em alguns deles e tentaria organizar a atual bagunça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram de se ver às seis e ele chegou quinze para as seis e ela já estava pronta desde às cinco, depois disso acabou-se essa história de olhar para o relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, o “na verdade” é apenas uma forma socialmente aceita de alguém admitir que estava mentindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza gostava de rimas e queria conhecer um homem que a chamasse de cereja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo é dia de saudade que incomoda como relógio parado, música arranhada e sinal quebrado. É por isso que as pessoas rezam aos domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banalizaram o All Star. Alguns versos de Vinicius de Moraes. O sushi! Banalizaram o estilo aviador do ray-ban. Luis Fernando Veríssimo. O catupiry da coxinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de ano é bom porque a gente se abraça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre um copo metade cheio e metade vazio é o conteúdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por favor, lembre-se de nunca, jamais, em hipótese alguma, tentar tirar a lua do fundo do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Romeu tivesse apagado Julieta, será que ele teria sido feliz com outra mulher? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ver é por isso que não se vive de saudade. Apenas se morre dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que mais alguém peça cerveja, assim não pareço um alcoólatra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E que levem a minha vida de uma vez, porque levar devagarzinho assim perdeu a graça há um bom tempo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A essa altura, seu salto alto e seu vestido matador já parecem inofensivos ao pé da cama.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por que não se reza uma missa sete dias depois que a pessoa nasce?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se você sobrevive das 17h às 20h de um domingo, creia em mim: você pode tudo, rapaz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E talvez aquele último beijo apaixonado que o pessoal do cinema presenciou vá dar lugar a uma vida comum e rotineira, onde o mocinho descubra que sofre de infecção intestinal e a mocinha resolve fazer um tratamento para varizes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Mãe, uma pasta de SPAM é aquele lugar sombrio para onde são enviados os e-mails indesejados).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Grite, pule freneticamente, aperte o botão de alarme, dê um tapa no ascensorista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sou um grande ponto final que interrompe as coisas pelo medo de ir até o fim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quer ver uma coisa que me tira do sério? É isso. O cara dar bom dia só porque passou da meia noite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Jamais seria uma sopa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Prefiro que meus erros sirvam de base para um novo ditado popular chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou esperar 5 minutos com o condicionador no cabelo. E depois enxaguarei em abundância. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Compro antes que o corpo não atenda mais nenhum verbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sem mais nem menos, tei buff, tudo se acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta merda, você é a Natalie Portman.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-7573541920215034878?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/7573541920215034878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=7573541920215034878&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7573541920215034878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/7573541920215034878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/02/100.html' title='100'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-800585908240205894</id><published>2009-01-29T05:12:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T05:14:27.722-08:00</updated><title type='text'>A MENINA-BOMBA</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já diz a famosa música-clichê que “saber amar é saber deixar alguém te amar”.  Eu cheguei à conclusão de que acho que não sei. Ao menor sinal de reciprocidade, dou um jeito de me sabotar, num impulso completamente inconsciente, mesmo que eu esteja gostando muito da outra pessoa e já imagine a gente velhinho junto. Uma reação tão destrutiva que eu brinco que sou praticamente um homem-bomba, que além de se machucar, acaba machucando também quem está em volta. Mas é tão sem querer que quando percebo já fiz a besteira e não tem mais como consertar. E eu nem sei se quero consertar, talvez o problema seja esse, porque amar dá tanto trabalho e minhas crônicas vão ganhando tantos “você” que o meu estilo literário acaba sendo enquadrado na seção “dor de cotovelo” e eu não quero virar auto-ajuda pra ninguém porque nem eu sei como me ajudar. E essa semana passei praticamente uma hora e meia discutindo isso com uma amiga ao telefone, que falava de um jeito muito querido pra eu me deixar levar, não ficar afastando as outras pessoas da minha vida. Porque, no fundo, ela sabe que essa pose de menina que não se importa é só fachada para não levar olé de marmanjo. Então eu saio por aí torcendo para nenhum cara-potencial ser legal demais, educado demais, bacana demais, fofo demais ou inteligente demais porque eu posso acabar me mudando de mala e cuia para o Uzbequistão só para o cupido não me acertar de novo. Ou então ativo o modo “menina-bomba” e acabo inventando que sou sonâmbula e que já fui encontrada fazendo nado sincronizado no meio do lago do Ibirapuera às duas da manhã. É por isso que quando um amigo meu brinca que eu tenho burrice emocional – e não inteligência – eu concordo plenamente. Mas passo pelo menos uns dois dias muito indignada com a sinceridade dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-800585908240205894?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/800585908240205894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=800585908240205894&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/800585908240205894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/800585908240205894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/menina-bomba.html' title='A MENINA-BOMBA'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-3285155926718706087</id><published>2009-01-28T05:32:00.001-08:00</published><updated>2009-01-28T06:05:55.341-08:00</updated><title type='text'>ENTERRARAM EVITA E NÃO ME DISSERAM ONDE</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira sensação que tive quando pisei no Cementerio de la Recoleta – sim, estou falando do Cemitério de Evita - foi que uns paralelepípedos soltos faziam um barulhinho engraçado quando se pisava em cima, cloc, cloc, como se fossem ossos guardados dentro um saco. A segunda foi a de que um Moreno nunca será enterrado ali. Primeiro porque a gente tem muito mais orgulho de ser enterrado no solo da saudosa Várzea Alegre. Ou, pelo menos, orgulho de falar da vontade de ser enterrado lá. Segundo porque, acredito, só dorme o sono dos justos naquele sítio quem for importante demais. Ou tiver dinheiro demais. E cá entre nós, isso acaba dando no mesmo. Acho até que a galera deve chorar um pouco mais na hora do enterro, pensando na percentagem da herança que foi parar naquela cova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarcófagos imensos. Bem trabalhados. Bem acabados. Imponentes. Bonitos mesmo. É como se tivesse um imperador em cada cova. Boa parte deles da época do Barroco ou Rococó. Aposto. As árvores são pinheiros e estão em toda parte. Seguindo o caminho principal, como as palmeiras de Santo Amaro, e espalhadas no restante da casa dos mortos. O piso é de paralelepípedo, como você leu logo no comecinho, acho que rosa com cinza. O mais curioso é que não se vê tanta gente chorando ou carregando flores. Quase todos são turistas que tiram fotos com os cavaleiros de metal, as estátuas, as fontes e, claro, com a tumba de Evita Perón. Bueno, quando eu disse que “quase” todos eram turistas, estava me referindo ao fato de eu ser mais um procurando pela ex-primeira dama e meio perdido como costumo estar. Como não a encontrava, tentei a tática de ir aonde tivesse mais gente e lá ao longe tinha um grupo mais ou menos grande. Cheguei lá jurando que ia ver a tumba da mulher e o que vi foi um caixão, com gente chorando ao redor. Chorando muito com as mãos no rosto, entre abraços apertados, os narizes vermelhos. E eu ali, bem no meio, pedindo permiso pra poder passar e fazendo o possível para não morrer de vergonha. Até porque, se isso acontecesse, eu não poderia ser enterrado ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-3285155926718706087?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/3285155926718706087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=3285155926718706087&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3285155926718706087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/3285155926718706087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/recoleta.html' title='ENTERRARAM EVITA E NÃO ME DISSERAM ONDE'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-857060332570437478</id><published>2009-01-27T04:16:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T04:18:02.779-08:00</updated><title type='text'>EU COMIGO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz frio na cidade mais cinza do Brasil. As paredes off-white, nome muito bonito pra bege claro ou branco escuro, ficam me encarando como se minha presença no quarto requeresse um feedback. Não, sinto muito, não estou para conversa. Tento esquecer as paredes e pego na mão da menina que tenta dormir, numa tentativa frustrada de fazer ela sonhar essa noite, de levar ela pra um lugar super fantástico, cheio de coisas que ela não vai poder descrever somente com os adjetivos que conhece. E ela conhece muitos. Mas a menina não sonha dormindo, insiste em sonhar acordada, assim como ela insiste em tomar sorvete mesmo quando está gripada. Não consigo brigar, fazer ela desistir da idéia de só dormir, descansar o corpo. Mas ela me encara com aqueles olhos escuros, inquietos, parece supor uma inquisição ou a história de uma vida inteira com um simples perspassar de olhares. Ela me encara e eu desisto de entender, porque cada vez que ela pisca eu sinto que ela disse tanta coisa que eu chego a ficar confusa, um pouco tonta. Cansada, eu sento no banco e, logo em seguida, ela senta também. Fico tentando adivinhar pra onde ela olha, mas parece tão longe que eu chego a espremer bem forte os meus olhos pra tentar alcançar. Sem sucesso. Ela olha para o lado e sorri, se diverte com a situação, mas sem zombar do meu esforço, como um professor que elogia um aluno aplicado. Às vezes eu realmente acho que ela quer me ensinar alguma coisa. E ela fica lá, sentada ao meu lado, esperando que eu diga alguma coisa, apesar dela ter certeza de que eu perdi as palavras, de que sentar no banco é minha forma de desistir de levar ela pra outro lugar, de que a minha perplexidade é a extensão também da minha resignação. E aqueles olhos curiosos que às vezes ficam estáticos. E aquele sorriso que às vezes fica meio abafado. E aquele jeito de dançar que às vezes faz ela tropeçar. E aquelas palavras que às vezes são só palavras. E eu fico ali, parada, um pouco extasiada e até nostálgica. Mas ela sempre levanta antes, segura bem forte a minha mão e me leva pra onde quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-857060332570437478?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/857060332570437478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=857060332570437478&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/857060332570437478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/857060332570437478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/eu-comigo.html' title='EU COMIGO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-2535398833694448531</id><published>2009-01-25T17:06:00.001-08:00</published><updated>2009-01-25T17:06:31.710-08:00</updated><title type='text'>SATURNO VOLTOU</title><content type='html'>por andré muhle&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que tudo indica, esse será o pior mês de toda a minha vida. Não sou eu que estou dizendo isso. São os planetas. Nunca dei muita importância a horóscopos, mapas astrais, cabalas, nem rituais envolvendo sacrifícios de virgens e animais de pequeno porte. Mas uma curiosidade súbita, uma amiga insistente e vinte minutos de ócio me fizeram entrar num desses sites astrológicos que em 98% dos casos tocam uma música de fundo. E foi aí que a coisa deu um nó. Para meu espanto, descobri que estou vivendo uma verdadeira catástrofe planetária. Exatamente entre os dias 18 de janeiro e 18 de fevereiro desse ano, eu estarei sobre a influênca de nada mais, nada menos do que três terríveis fenômenos astrológicos. O primeiro deles e, sem dúvidas o mais conhecido de todos, é o tal do inferno astral. Aqueles trinta diazinhos ingratos que antecedem nosso aniversário. É nesse período que a gente costuma raspar o carro na pilastra da garagem, que o cartão do banco começa a dar mais “Problemas de Identificação” do que o normal e que todos os atendentes de telemarketing do mundo ligam pra você. Inclusive, é bem provável que um desses atendentes ligue exatamente na hora que você está raspando o carro na pilastra. Normalmente também coincide com o período em que você descobre que sua ex-namorada tá amando outra pessoa e em que sua diarista pede aumento, porque não é justo arrumar aquela bagunça toda por tão pouco dinheiro. O segundo fenômeno é uma tal de crise dos 7 anos. Não consegui entender o que ela faz, mas resumindo bem é uma crise que faz você repensar sua vida aos 7 (???), aos 14, aos 21, aos 28, aos 35 e assim vai, de 7 em 7 anos. Vale lembrar que onde eu digo “repensar” deve-se ler “achar a vida uma merda”. Por fim, o terceiro e mais interessante de todos os três fenômenos: o retorno de saturno. Explicando: entre os 28 e 30 anos, o tal planeta em questão se posiciona no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa e iniciará uma nova volta em torno do zodíaco. E o que porra isso significa? Significa, como disse o tal site da musiquinha, “o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos.” Se você acha isso bom, massa. Eu, particularmente, não acho. Ser mais responsável significa nunca mais poder abrir um Yakult no supermercado e tomar antes de passar pelo caixa. E se você está lendo tudo isso com um pé atrás, porque não acredita que uma simples conjunção planetária possa trazer má sorte pra pessoa, eu só tenho uma coisa a dizer. São onze horas da noite e eu estou escrevendo esse texto em plena sala de embarque do aeroporto. Meu vôo estava previsto pras 13h20, depois mudou para 15h40, depois para as 16:30, depois para as 19:50 até que chegou 22h30 e a mulherzinha da TAM veio dizer que o vôo estava cancelado. Enquanto todo mundo se levanta para protestar com raiva, eu me afasto de mansinho, torcendo para que ninguém, ninguém mesmo, descubra que tudo isso é culpa minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-2535398833694448531?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/2535398833694448531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=2535398833694448531&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2535398833694448531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/2535398833694448531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/saturno-voltou.html' title='SATURNO VOLTOU'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6219244666293683603</id><published>2009-01-21T08:47:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T10:20:59.217-08:00</updated><title type='text'>TE AMO VEZES 100</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que tenho dias muito sonolentos lembro de você me chamando de “gato de hotel”, daqueles que vive com preguiça e se enrosca em qualquer lugar para tirar uma sonequinha. E logo vem na minha cabeça a imagem de você dirigindo com as três filhas desmaiadas atrás do carro, uma caindo por cima da outra. Logo você, que tem problemas pra dormir, né? E faço dessa conversa um diálogo direto porque ultimamente tudo tem sido tão corrido que a gente só consegue colocar em dia o “oi, tudo bom?”. Pra ser sincera, ultimamente você esteve tão presente nos meus assuntos que resolvi rabiscar umas palavras, apesar da gente trocar mensagens lindas e das suas estarem na categoria “inapagáveis” da minha agenda. Sabe que ontem eu confessei que te idolatrava tanto quando era criança que até daria a minha vida pela sua caso precisasse, mesmo você sendo o meu super-herói do “1, 2, 3”. Eu te achava tão forte e tão desprotegido ao mesmo tempo. E eu cresci te admirando tanto pelo que você é e pelas coisas que conquistou que decidi nunca te decepcionar. Então saí do nosso cantinho, fui morar longe, virei escritora, fiz pós-graduação, passei com distinção e trabalhei muitas horas só para você se orgulhar da sua menina. E toda vez que cometo um erro fico triste só com a possibilidade de você ficar também, porque eu quero que você seja muito feliz sempre. E o pior é que você não me cobra nada disso, nunca cobrou. E eu sei que você preferiria ter a sua princesinha e um genro do Náutico por perto do que uma redatora e pseudo-escritora longe. E eu rio quando você me chama de MR porque parece que eu cresci, mas quando volto pra casa ainda me sinto sua menina e até ando meio desleixada só pra você reclamar desse meu jeitinho despreocupado. E eu, que vivo em eterna poesia distraída, tento ser hermética e matemática ao seu lado, porque não dá pra divagar muito conversando com um engenheiro sem deixar ele entediado e perdido. No máximo tiro sua atenção com um sorrisinho de filha caçula e saio sorrateira, escorregando pela cadeira e escapando por debaixo da mesa das suas perguntas difíceis e do seu português adorável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6219244666293683603?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6219244666293683603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6219244666293683603&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6219244666293683603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6219244666293683603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/te-amo-vezes-100.html' title='TE AMO VEZES 100'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-178281661021530157</id><published>2009-01-19T12:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T12:41:10.056-08:00</updated><title type='text'>PARA O MEU DOCINHO</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto todo mundo acha que eu sou a escritora desesperançosa e melancólica, você ri disso comigo ao telefone e sabe que é tudo banca de quem faz terapia com letrinha. E que o verdadeiro problema da minha d.d.c. é amar demais a ponto de não deixar ninguém me amar de volta, como se o meu amor já fosse suficiente para duas pessoas. E você tenta me aconselhar a amar certinho, sem muita pressa, e fala isso de um jeito tão lindo e materno que eu acalmo minha urgência de viver só para você dormir em paz essa noite e todas as outras que você me pedir. E você me liga pra diminuir nossa distância e a gente acaba discutindo Clarice e citando, em conjunto, aquele trecho do “Eis que sinto que em breve nos separaremos”, apesar de eu saber que nunca fui e nem nunca serei “só de ti”. E eu adoro aquele seu jeitinho de sambar errado, meio durinho, e você briga comigo dizendo que é culpa minha porque eu desisti de te ensinar, mas eu não desisti não. E um dia prometo te levar no desfile da Mangueira e te ver sambar bonitinho até chegar na Apoteose. E na Espanha você me obrigou a tirar uma foto na pracinha florida e eu fiz bico, enquanto você sorria. E eu tento me perdoar todas as vezes que eu olho para essa foto e dou um sorriso bem grande só te para compensar pela minha birra de caçula mimada, que você conhece tão bem. E como eu te amo mais do que a mim mesma, resolvi escrever essa crônica, mesmo arriscando cair na terrível limitação das palavras. Uma crônica para te mostrar todo o meu amor. E como ele é muito grande e nunca vai acabar, decidi que essa crônica não tem fim, ela simplesmente continua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-178281661021530157?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/178281661021530157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=178281661021530157&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/178281661021530157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/178281661021530157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/para-o-meu-docinho.html' title='PARA O MEU DOCINHO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-364507688592308190</id><published>2009-01-16T03:57:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T04:00:24.816-08:00</updated><title type='text'>VOCÊ E OS NÃO-VOCÊ</title><content type='html'>por Maria Rita Angeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que a menina saía na rua, os outros homens desejavam ser você. E imaginavam quem teria causado um estrago tão grande a ponto dela sair de casa assim, o olhar perdido, desleixada, de camiseta branca, o cabelo bagunçado preso num coque alto e as mãos escondidas no bolso da calça jeans, como se não soubesse exatamente o que fazer com elas. Os outros homens te detestavam e te idolatravam. Ela não te odiava porque não tinha espaço. Você já tinha ocupado todos os cantinhos com sua voz mansa e suas promessas que ela não compraria se não fosse a sua maldita voz mansa, calma, linda e irresistível. Droga, como ela sentia saudades de te ver. Nas segundas, nas terças, nas quartas, nas quintas, nas sextas, nos sábados e, principalmente, nos domingos ocos. E em cada dia parecia caber uma semana inteira, de tanto que demorava a passar. Droga, ela sabia que você não merecia. E saía para conhecer dezenas de pessoas diferentes, mesmo que às vezes se pegasse encarando a porta, esperando você entrar pra salvá-la de todas aquelas tentativas estúpidas de te substituir. Mas quando você entrava, partia seu coração em duzentos mil pedacinhos minúsculos e jogava pra cima como se fosse confete no meio do seu carnaval particular. Droga, como aquilo doía. E odiava a pequena metadezinha que separava para todos os outros homens, que ela chamava carinhosamente de os não-você. E achava tão futura a idéia de de que um dia você iria desocupar tudo aquilo naturalmente. E quando isso aconteceu, o não-você deixou um buraco tão grande que eu até perdi a vontade de comer. E nenhum dos outros homens sequer conseguiu bagunçar o meu cabelo. E eu não tenho a menor vontade de reencontrar nenhum deles. E eu daria tudo pra voltar a te amar, mesmo que você não me amasse de volta, porque só assim os meus dias teriam algum sentido de novo e eu não seria esse grande vazio que nunca mais gostou de ninguém, pensou em ninguém, se interessou por ninguém. E todos os homens da minha rua iriam parar de fazer coisas bobas como ler o jornal ou passear com o cachorro só pra te odiar mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-364507688592308190?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/364507688592308190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=364507688592308190&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/364507688592308190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/364507688592308190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/voc-e-os-no-voc.html' title='VOCÊ E OS NÃO-VOCÊ'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-219954131905549279.post-6889912702097702314</id><published>2009-01-15T06:16:00.000-08:00</published><updated>2009-01-15T06:23:33.908-08:00</updated><title type='text'>MARCOS É BEM RESOLVIDO</title><content type='html'>por Rafael Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos não amava Mariana, não mais. Por este motivo, este preciso motivo, toda vez que falavam o nome dela, ele dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem. Mariana era sua ex. Sete anos de amor compartido. Cartas, beijos, viagens e fotos guardadas em duas caixas de sapato. Mas ele se fazia de sério. Tinha apagado Mariana da memória do chip e do celular, porque não poderia fazer o mesmo com a memória da cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho um botão de On e Off. Quando termino um namoro, coloco no Off. Depois quebro o botão e jogo fora. Sempre fui assim. Meu nome é Marcos Bem Resolvido Marques. Pode marcar um X que assino do lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que realmente nunca escutamos ele falar na tal Mariana. Nem quando tomava umas cervejas. Nem quando pegava o microfone pra cantar no karaokê. Haviam os curiosos, é claro, tentando pescar alguma coisa, buscando descobrir como era possível tanta indiferença. Mas Marcos era duro como uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca pensa nela?&lt;br /&gt;- Só quando lembro de algo que ficou em sua casa.&lt;br /&gt;- Não tem vontade de ligar?&lt;br /&gt;- Só se fosse pra pegar os vinte reais que emprestei e não recebi.&lt;br /&gt;- Não tem ciúmes se ela estiver com outro?&lt;br /&gt;- Ou com vinte, dá no mesmo.&lt;br /&gt;- Nunca pensou em renovar?&lt;br /&gt;- No meu teclado do amor não existe virgula, é só ponto final. Meu nome é Marcos Bem Resolvido Marques. Já falei a vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiam outras frases, que eram recitadas como ditados ou poesias, geralmente com o indicador apontando para cima. Falava de Mariana como um torcedor que é fanático por um time que só faz perder. Nem por um bilhete premiado renovo. Se ela me ligar, eu bino. Um Lugar Chamado Notting Hill não me faz pensar em ninguém. Os textos de Rita? Não me identifico. Não sei do que Vinicius está falando. Se fosse comprar flores para ela, seria uma coroa com uma cartolina preta e letras amarelas dizendo Descanse em Paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Mariana telefonou e eles renovaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. A gente não renovou. Ela mudou bastante. É outra pessoa. Ou seja: é como se fosse uma namorada nova. A gente não renovou. Eu sou bem resolvido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/219954131905549279-6889912702097702314?l=elessabemdemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/feeds/6889912702097702314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=219954131905549279&amp;postID=6889912702097702314&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6889912702097702314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/219954131905549279/posts/default/6889912702097702314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://elessabemdemais.blogspot.com/2009/01/marcos-bem-resolvido.html' title='MARCOS É BEM RESOLVIDO'/><author><name>um dos três</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry></feed>
